Zema critica silêncio de Lula sobre operação da PF que mirou Ciro Nogueira e Banco Master
Ex-governador de Minas criticou o envolvimento de autoridades no escândalo do Master e citou, em vídeo, que teria "muita gente do PT envolvida"
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), criticou nesta quinta-feira, 7, o silêncio do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a quinta fase da Operação Compliance Zero, que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
"O presidente está lá caladinho também. Com certeza por ter muita gente do PT envolvida também", disse, em entrevista coletiva compartilhada em suas redes sociais.
Se gritar pega ladrão… pic.twitter.com/ybHw7uGtmm
— Romeu Zema (@RomeuZema) May 7, 2026
Em outro vídeo, Zema também repercutiu a matéria do Estadão mostrando que as investigações da Polícia Federal apontaram que Ciro Nogueira recebeu propinas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses do banqueiro no Congresso Nacional.
"O sistema dos intocáveis funciona assim: o povo paga imposto e eles vivem no luxo protegendo uns aos outros. Mas o silêncio em Brasília mostra uma coisa: eles estão com medo", escreveu Zema em seu perfil no X (antigo Twitter).
O ex-governador, que é pré-candidato à presidência, aproveitou para criticar o envolvimento de autoridades no escândalo do Master e citou, em vídeo, que teria "muita gente do PT envolvida".
Vorcaro bancou jatinho, hotel de luxo, lagosta e whisky pra político vendido encobrir fraude no Banco Master.
Foi isso que a PF revelou hoje.
O sistema dos intocáveis funciona assim: o povo paga imposto e eles vivem no luxo protegendo uns aos outros.
Mas o silêncio em Brasília… pic.twitter.com/yhfgDYROPP
— Romeu Zema (@RomeuZema) May 7, 2026
"Tenho sido o pré-candidato que mais tem colocado a boca no trombone, não tenho rabo preso. E o que o Brasil precisa são de líderes que não têm o rabo preso, porque o presidente tá lá caladinho também, com certeza, porque tem muita gente do PT envolvida", afirmou.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou as diligências com base em provas reunidas pela PF, afirma que Ciro Nogueira recebia uma mesada de R$ 300 mil de Vorcaro. Segundo a investigação, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil".
Os investigadores também apontam que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.
Entre os gastos mencionados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação cita ainda a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais.
Outro ponto apurado pela PF envolve a aquisição, por Ciro Nogueira, de participação societária estimada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, operação que, segundo os investigadores, teria sido viabilizada por Vorcaro.
Segundo as investigações, o negócio, com subvalorização das ações adquiridas, envolvia a venda de 30% da empresa Green, que teria participação na empresa Trinity, para a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., formalmente administrada pelo irmão do parlamentar, Raimundo Nogueira - também alvo de mandado de busca e apreensão. A defesa dele não se manifestou.
"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", diz a PF.
Como revelou o Estadão, a PF encontrou no celular do banqueiro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro". Na ocasião, o parlamentar afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e recebimento de pagamentos.
A Polícia Federal também localizou mensagens em que o banqueiro se refere ao senador como um "grande amigo de vida" e comemora uma iniciativa legislativa apresentada por Ciro Nogueira que beneficiaria o Banco Master.
A mensagem foi enviada em 13 de agosto de 2024, mesma data em que o senador apresentou emenda à proposta de autonomia financeira do Banco Central para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF. Vorcaro descreveu a medida como uma "bomba atômica no mercado financeiro".
Leia a íntegra da nota da defesa de Ciro Nogueira
A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.
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