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Política

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Vorcaro ameaçou repórter do Estadão por revelar crimes do Master: 'Entrar com criminal'

Em conversa no WhatsApp, a CEO do portal Metrópoles comentou a intimidação judicial contra o repórter: 'Não tem nada mais chato para o repórter que responder criminal'; procurada, ela não se manifestou

15 out 2026 - 16h02
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Resumo
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ameaçou processar criminalmente um repórter do Estadão após revelações de suspeitas de crimes financeiros e fraudes na instituição. Segundo a CVM, o banco realizou aportes bilionários em empresas de fachada e ligadas à irmã de Vorcaro para inflar artificialmente o patrimônio antes de uma venda ao BRB. A intimidação foi dita em mensagens à CEO do Metrópoles, Lilian Tahan, que comentou sobre o incômodo enfrentado por jornalistas em ações criminais.

BRASÍLIA - O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ameaçou processar criminalmente um repórter do Estadão após a publicação de uma reportagem que revelou de forma inédita a existência de indícios de crimes financeiros na instituição. A intimidação foi compartilhada no WhatsApp com a CEO do portal Metrópoles, Lilian Tahan, que comentou: "Não tem nada mais chato para o repórter que responder criminal".

Procurada pelo Estadão, Lilian Tahan não respondeu. O espaço segue aberto.

O diálogo ocorreu na manhã de 20 de agosto de 2025. Naquela data, o Estadão publicou uma reportagem revelando a existência de um relatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre suspeitas de desvios milionários do Banco Master.

De acordo com a investigação, o Banco Master investiu R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade económica para dar retorno aos aportes. A principal suspeita do órgão regulador é de que estas operações serviram para aumentar artificialmente o património da instituição, com o intuito de a tornar mais atrativa na negociação de venda de 58% do seu capital ao Banco de Brasília (BRB).

O esquema envolvia a injeção de recursos em empresas de fachada — como uma pequena clínica registada em nome de uma recepcionista — e em companhias vinculadas à irmã de Daniel Vorcaro. O relatório concluiu existirem indícios do crime de gestão fraudulenta, alertando que a manobra "pode comprometer severamente a solidez patrimonial da instituição financeira".

Fachada de clínica em Minas Gerais na qual Banco Master investiu valores milionários, como revelado em reportagem do 'Estadão'
Fachada de clínica em Minas Gerais na qual Banco Master investiu valores milionários, como revelado em reportagem do 'Estadão'
Foto: Washington Alves/Estadão / Estadão

Às 8h24, Tahan lhe escreveu: "Então, muito ruim a manchete do Estadão. Eu pedi para verificarem como será a repercussão na parte da manhã".

Em seguida, o banqueiro fez uma série de críticas à reportagem. "Vamos entrar com criminal. Nao existe processo. Nao existe nada. Colocar que tem ligação com minha irma porque o escritorio contabilidade que a empresa usa é o mesmo. Essas coisas nao da pra deixar mais", escreveu por mensagens de WhatsApp. Após a ameaça de entrar com processo criminal contra o repórter do Estadão, Tahan comentou: "Não tem nada mais chato para o repórter que responder criminal".

Trecho de diálogo do banqueiro Daniel Vorcaro com críticas a reportagem do 'Estadão' sobre Banco Master
Trecho de diálogo do banqueiro Daniel Vorcaro com críticas a reportagem do 'Estadão' sobre Banco Master
Foto: Reprodução / Estadão

Vorcaro mencionou a sua irmã, Natália, porque, em uma segunda reportagem publicada na mesma data, o Estadão revelou que o Master fez aportes de R$ 1,2 bilhão em empresas vinculadas a ela. Foi a primeira vez que o nome de Natália surgiu vinculado a suspeitas de crimes financeiros.

A auditoria rastreou que a modesta clínica médica (que recebeu R$ 361 milhões) e a empresa Del Participações, administrada pela irmã do banqueiro, compartilhavam não apenas a contabilidade, mas uma intrincada teia de sócios. Para a CVM, as operações indicavam uma fraude estruturada com o objetivo de inflar artificialmente o patrimônio do banco e fazer o dinheiro retornar ao próprio grupo familiar de Vorcaro — manobra que, no início deste ano, transformaria Natália em alvo de buscas e apreensões da Polícia Federal.

Estadão
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