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Política

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Vídeo gravado em 2022 mostra urnas eletrônicas sendo lacradas em sindicato, não em comitê do PT

PEÇAS DESINFORMATIVAS QUE EXIBEM AS IMAGENS JÁ FORAM DESMENTIDAS NAS ELEIÇÕES ANTERIORES PELO TRE-SP

4 set 2026 - 16h37
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Resumo
É falso que um vídeo mostre urnas eletrônicas sendo fraudadas em um comitê do PT. A gravação, feita durante as eleições de 2022 em Itapeva (SP), registra o procedimento padrão de carga e lacração dos aparelhos por servidores do TRE-SP e terceirizados. O local exibido é a sede de um sindicato vizinho ao cartório eleitoral, espaço requisitado formalmente desde 2014 devido à falta de espaço no prédio público. A Justiça Eleitoral reforçou a total lisura e normalidade do processo público.

O que estão compartilhando: vídeo que mostra urnas eletrônicas em uma mesa rodeadas por um grupo de pessoas. A autora da gravação insinua que as pessoas estariam "fazendo algo errado" com os equipamentos e diz acreditar que eles podem ser fraudados. Sobre as imagens, há uma legenda afirmando que são "urnas encontradas no comitê do PT".

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O vídeo foi gravado nas eleições de 2022 e mostra funcionários do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e terceirizados fazendo carga e lacração das urnas. A gravação não foi feita em um comitê do PT, mas na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção, do Mobiliário, Cimento, Cal, Gesso e Montagem Industrial (Sinticom), localizada ao lado do cartório eleitoral de Itapeva, no interior de São Paulo. Naquele ano, o TRE-SP informou que a sede do sindicato é utilizada para essa finalidade desde 2014 por falta de espaço físico no prédio público.

Saiba mais: ao longo da gravação, a autora discute com um homem que está vestindo uma camiseta identificada com a sigla do TRE-SP. Ela menciona que o vídeo está sendo gravado em Itapeva/Nova Campina. As duas cidades do interior de São Paulo são vizinhas.

O mesmo vídeo foi checado em setembro de 2022 pelo Projeto Comprova, coalizão de veículos para checagem de fatos integrada pelo Estadão.

O vídeo que circula agora é um corte de uma gravação de quase 29 minutos que foi postada naquele ano no YouTube. Na ocasião, após o conteúdo viralizar, o TRE-SP publicou uma nota de esclarecimento e um vídeo sobre a cerimônia de preparação das urnas eletrônicas em Itapeva.

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Conforme o órgão, a sede do Sinticom foi requisitada pelo Cartório Eleitoral do município por meio de ofício. Os funcionários terceirizados que aparecem no vídeo e atuaram no procedimento foram contratados por meio de licitação pública.

A nota afirmava que, segundo resolução de 2021 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), qualquer cidadão pode levantar dúvidas ou apontar eventual irregularidade observada na cerimônia de preparação de urnas. Mas isso precisaria ser feito "por escrito ao juízo eleitoral sem, no entanto, dirigir-se diretamente às técnicas, aos técnicos, às servidoras e aos servidores da Justiça Eleitoral, durante o exercício das suas atividades".

Apesar disso, acrescenta a nota, os servidores do Cartório Eleitoral de Itapeva prestaram todos os esclarecimentos aos responsáveis pela gravação do vídeo para demonstrar a lisura de todos os procedimentos.

Na época, o site JOTA informou que os servidores registraram um boletim de ocorrência alegando terem sido intimidados pela autora da gravação. Conforme o veículo de imprensa, eles informaram no documento que se tratava de evento aberto ao público. Posteriormente, disse o site, o vídeo circulou por grupos de WhatsApp de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à Presidência na época.

Ao JOTA, o desembargador Silmar Fernandes, então corregedor do TRE-SP, esclareceu que não foram identificadas irregularidades na preparação dos dispositivos e que o uso do espaço ao lado do prédio da Justiça Eleitoral, "longe de qualquer interferência ou de qualquer fraude, é um procedimento normal que acontece nesta época em todos os cartórios eleitorais do Estado".

Posts similares foram desmentidos por Reuters Fact Check e Lupa.

Estadão
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