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"Único responsável pelas mortes", diz Witzel sobre Bolsonaro

Ex-aliado acusou o presidente da República de criar uma narrativa para fragilizar os governadores de Estado

16 jun 2021 11h33
| atualizado às 12h26
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O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel chega ao Senado Federal
O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel chega ao Senado Federal
Foto: GABRIELA BILÓ / Estadão Conteúdo

Ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro, o governador cassado do Rio de Janeiro Wilson Witzel iniciou seu depoimento à CPI da Covid com forte artilharia contra o presidente da República e a atuação do governo federal na pandemia do coronavírus.

Rompido com a família Bolsonaro, Witzel depositou na administração federal a culpa pelos mais de 490 mil mortos pela covid-19. O ex-governador também afirmou que a gestão Bolsonaro criou uma narrativa para fragilizar os governadores em razão da adoção de medidas de distanciamento social.

"Como tem um País em que presidente da República não dialoga com governador? Ele deixou governadores à mercê. Único responsável pelas mortes tem nome e endereço e tem que ser responsabilidade, aqui e no tribunal penal internacional pelos fatos", disse Witzel nesta quarta-feira, 16.

"O governo federal, para poder se livrar das consequências do que viria com a pandemia criou uma narrativa, pensada, estrategicamente pensada, os governos estaduais ficaram em situação de fragilidade. O que ficou claro que a narrativa construída foi para colocar os governadores em situação de fragilidade porque eles tomaram as medidas de isolamento social, e isso tem repercussões econômicas", afirmou Witzel, que foi alvo de impeachment por acusação de corrupção na Saúde durante a pandemia, motivo pelo qual foi chamado a depor na CPI.

Para Witzel, líderes estaduais e municipais ficaram desamparados pelo governo federal em razão da postura de Bolsonaro em se recusar a dialogar com os chefes estaduais. "Os governadores, prefeitos de grandes capitais e pequenos ficaram totalmente desamparados do apoio do governo federal, isso é realidade inequívoca documentada em várias cartas que encaminhamos ao presidente da República", afirmou o ex-governador.

Witzel disse ainda que os governadores não teriam ficado "à mercê" das alternâncias dos preços de mercados internacionais na compra de respiradores se o governo federal tivesse agido. "Não é simples chegar na CPI e falar que governos compraram respiradores superfaturados, é preciso fazer análise dos valores praticados no mercado internacional, que nós governadores ficamos desaparelhados para comprar esses equipamentos", afirmou.

Envio de verbas federais não foi suficiente

Wilson Witzel afirmou ainda que o envio de verbas federais para os Estados enfrentarem a pandemia não foi suficiente. Ele também voltou a criticar a falta de cooperação pelo Ministério da Saúde durante o período. "Cooperação do Ministério da Saúde foi praticamente zero, foi uma descooperação (sic)", disse ele.

Witzel também reclamou do critério de distribuição dos recursos federais aos Estados. "Envio de verbas contra covid prejudicou Rio e São Paulo e prestigiou Nordeste", disse ele.

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), rebateu o ex-governador, lembrando que o formato de distribuição foi votado pelo Congresso Nacional, tendo como um dos critérios a sistemática do Fundo de Participação dos Estados (FPE). "O critério utilizado pelo Congresso pode até não ser bom para os Estados do Sul, São Paulo e Rio, mas o critério foi o fundo de participação dos Estados", disse o senador.

O governador cassado também fez críticas à atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em torno do controle de chegada de estrangeiros nos aeroportos brasileiros. "Anvisa não estava fazendo o controle. E eu fui duramente criticado porque tomei essa medida, fui chamado de tirano, ditador. Meu decreto proibia o ingresso de turistas no aeroporto", disse ele.

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Estadão
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