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Twitter de Bolsonaro falou mais de economia do que corrupção

Bandeira de campanha, tema é o 18º mais citado pelo presidente na rede social, de acordo com levantamento do 'Estado'

8 jan 2020
05h11
atualizado às 08h11
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Eleito com a bandeira do combate à corrupção, o presidente Jair Bolsonaro tratou pouco do assunto em 2019 no seu principal canal de comunicação com a população: o Twitter. O tema aparece apenas no décimo oitavo lugar entre os assuntos mais falados pelo presidente na rede social. Economia, relações internacionais, segurança e infraestrutura foram os tópicos mais abordados pela conta oficial de Bolsonaro em seu primeiro ano de governo, segundo levantamento feito pelo Estado por meio da plataforma DataTora.

Jair Bolsonaro.
Jair Bolsonaro.
Foto: Isac Nóbrega / PR

Os únicos ministros em cujas postagens no Twitter a corrupção aparece entre os cinco assuntos mais comentados em 2019 são os que cuidam de pastas diretamente ligadas ao tema: Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública, e Wágner Rosário, da Controladoria-Geral da União (CGU). Se considerarmos todas as postagens feitas pelos principais integrantes do governo - ministros e secretários - ativos na rede social, a corrupção aparece apenas no décimo sétimo lugar entre os assuntos mais abordados.

O assunto foi lembrado nessa semana por quem já esteve no núcleo duro do governo. O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, afirmou nesta segunda-feira, 6, que o governo se afastou da bandeira do combate à corrupção e que essa preocupação não ficou "tão caracterizada", o que, segundo ele, gerou "desilusão para muita gente".

Pesquisa Ibope feita em dezembro mostra que a investigação sobre a suspeita de "rachadinha" - quando parte do salário do servidor é repassada ao político - no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), filho mais velho do presidente, é uma das notícias sobre o governo mais lembradas espontaneamente pelos entrevistados - 2% citaram o caso.

Além da suspeita de "rachadinha, o Ministério Público também investiga indícios de lavagem de dinheiro e peculato em movimentações financeiras de Flávio. Em dezembro, a Justiça autorizou operação de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, do próprio senador - sua loja de chocolates - e a parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro.

Outro caso de suspeita de corrupção ronda o entorno do Planalto. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de comandar um esquema de candidaturas laranjas no PSL mineiro, presidido por ele durante a campanha do ano passado. Bolsonaro resiste em afastar o ministro e já chegou a dizer que apenas aqueles tornados réus pela Justiça serão afastados do governo.

Para o professor da pós-graduação em marketing político da ECA/USP, Kléber Carrilho, o discurso anticorrupção normalmente é adotado por quem está fora do governo. "Quem está no governo sempre é vidraça." Para Carrilho, a imagem de Moro como personagem político "é muito mais ligada ao combate à corrupção do que a do presidente".

Para o procurador de Justiça e presidente do instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, não há uma postura de Bolsonaro, que coloque o combate à corrupção como prioridade.

"Não podemos dizer que estamos diante de um governo que prioriza de maneira absoluta o combate à corrupção", disse. Ele destaca a escolha de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República como um elemento que gerou ruído. "Ainda que não seja obrigado a indicar alguém da lista do MPF, é recomendável. Ao escolher alguém por encomenda, em cada atitude do PGR, o presidente ele poderá ser cobrado."

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Estadão
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