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Reuniões e ‘caravana’ apontam proximidade de Bolsonaro com pastores

Presidente, filho e ministro tinham contato próximo com religiosos que pediam propina a prefeitos

24 mar 2022 07h58
| atualizado às 09h08
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Pastores Gilmar e Arilton em uma das quatro reuniões com Bolsonaro
Pastores Gilmar e Arilton em uma das quatro reuniões com Bolsonaro
Foto: Carolina Antunes/PR

Uma série de encontros em Brasília e em eventos religiosos em cidades do Brasil revelam a proximidade dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura - envolvidos em suspeitas de propina - com o presidente Jair Bolsonaro (PL), seu filho senador Flávio Bolsonaro (PL) e com o ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Segundo reportagem do jornal O Globo, Bolsonaro recebeu os pastores em quatro ocasiões em Brasília, além de ter participado de uma 'caravana' com lideranças evangélicas. O termo foi usado pelo pastor Abimael Flor, que estava presente no encontro em outubro de 2019. Abimael cita uma “caravana do nosso querido pastor Gilmar para levar religiosos a Bolsonaro". Ao jornal, o pastor confirmou a reunião, mas disse não ter tido mais encontro com o presidente depois disso.

O pastor Gilmar Santos é presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus — Cristo Para Todos (Conimadb), que tem Arilton Moura como assessor para assuntos políticos. Arilton, inclusive, já viajou ao lado do ministro Milton Ribeiro. Em uma dessas ocasiões, em maio de 2021, a viagem foi realizada a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Já em outro evento, Arilton Moura chegou a dizer que o mandato de Bolsonaro “é o nosso governo”.

Arilton é o pastor citado pelo prefeito Gilberto Braga (PSDB), de Luís Domingues (MA), como ponte para a liberação de recursos junto ao MEC. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o pastor cobrava R$ 15 mil apenas para abrir protocolos de demanda no ministério. Depois que a demanda fosse atendida, outro valor era solicitado, o que poderia variar de caso a caso. "Para mim, como a minha região era área de mineração, ele pediu 1 quilo de ouro”, revelou o prefeito.

Portas abertas no Planalto

Fotos e vídeos nas redes sociais apontam que os líderes religiosos tinham fácil acesso ao Planalto. Em fevereiro de 2021, Bolsonaro participou de um evento no MEC em que ambos os pastores estavam presentes.

 Arilton (à esquerda) e Gilmar (ao fundo) posam sorridentes com Bolsonaro após evento no MEC
Arilton (à esquerda) e Gilmar (ao fundo) posam sorridentes com Bolsonaro após evento no MEC
Foto: Reprodução

Além disso, há vídeos de Milton Ribeiro convidando Gilmar para um culto na Bahia. Logo após esse episódio, o ministro declarou para a CNN Brasil que cortou o contato com os pastores ao tomar conhecimento de apurações da Controladoria-Geral da União envolvendo os dois.

Outro vídeo mostra também a proximidade com os filhos do presidente. Em setembro de 2020, o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente da República, fez imagens parabenizando o pastor Gilmar pelo seu aniversário.

"Em nome de toda a minha família quero agradecer por tudo que o senhor faz, não por nós, mas pelo nosso Brasil", diz Flávio, que ainda deixa claro o envolvimento dos pastores na política. "Se não fossem pessoas como o senhor, certamente a nossa batalha diária, nossa guerra na disputa aqui do poder em Brasília, seria sem dúvida alguma mais complicada”, acrescentou.

Fonte: Redação Terra
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