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Política

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Quem é o ex-comandante do Exército que ameaçou prender Bolsonaro se ele tentasse cancelar a eleição

Tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior lança o livro 'Eu disse não: uma trincheira antigolpista'; na obra, ele relata que ex-presidente apresentou aos comandantes militares esboço de um decreto para impor um estado de exceção no País

18 ago 2026 - 17h42
(atualizado às 18h06)
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O tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, durante audiência pública na Câmara, sobre o caso do militar preso com cocaína na Espanha em aeronave da Força Aérea Brasileira.
O tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, durante audiência pública na Câmara, sobre o caso do militar preso com cocaína na Espanha em aeronave da Força Aérea Brasileira.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

O tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro, decidiu contar, em livro, o que viveu entre abril de 2021 e janeiro de 2023, no comando da Força Aérea Brasileira.

O tenente brigadeiro foi uma das testemunhas de acusação no processo em que Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Baptista Júnior o comando da FAB em meio a uma crise institucional nos comandos militares.

Naquele período, o brigadeiro testemunhou, no Palácio da Alvorada, o comandante do Exército, Marco Antonio Freire Gomes, ameaçar o ex-presidente, após Bolsonaro contar sua intenção de cancelar a eleição e intervir na Justiça:

"Se o senhor fizer isso, vou ter que lhe prender". "Não é uma frase capaz de passar incólume à memória dos que estavam presentes. O ambiente foi imediatamente tomado por raro silêncio", escreveu o brigadeiro, sobre o episódio que ele revelara ao depor no processo do golpe, no Supremo Tribunal Federal.

Piloto de caça com mais de 4.500 horas de voo e quase cinco décadas de carreira na Força Aérea, que iniciou em 1975, Baptista Junior narra com a segurança e autoridade de quem esteve na sala de decisão - não como espectador, mas como um dos atores que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento.

O testemunho do oficial foi crucial nos autos da ação penal 2668, no Supremo Tribunal Federal, que impôs ao ex-presidente a pena de 27 anos e três meses de reclusão. O julgamento foi concluído em setembro do ano passado.

Baptista Júnior é filho de Carlos de Almeida Baptista, tenente brigadeiro que comandou a Aeronáutica entre 1999 e 2003. O oficial da reserva ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB) em 1975, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epscar). Até assumir o comando da Força, acumulou quatro mil horas de voo, com especialidade em ações de reconhecimento e caça.

Baptista Júnior assumiu o comando da Aeronáutica em abril de 2021, após uma crise deflagrada pela demissão do então ministro da Defesa Fernando Azevedo. A saída do ministro provocou uma debandada no comando das três Forças.

Foi a única vez desde a redemocratização que os três comandantes militares deixaram seus postos ao mesmo tempo, sem que houvesse uma mudança de gestão no governo federal.

Estadão
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