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Política

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Quem é Dalide Corrêa, advogada que recebia R$ 33 mi por ano do Master e 'canal direto do STF'

Assessoria de Dalide Corrêa afirma que ela ‘jamais atuou para o Master no STF’

18 set 2026 - 10h15
(atualizado às 11h12)
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Resumo
Documentos obtidos pela PF revelam que o escritório da advogada Dalide Corrêa recebeu R$ 33 milhões do Banco Master em 2024, apontada internamente por diretores como um suposto canal direto com o STF. Dalide, ex-diretora do IDP e ex-assessora na Corte, nega qualquer atuação junto ao tribunal para a instituição financeira. A apuração sobre os vultosos contratos de advocacia do banco desencadeou uma crise nos bastidores da Corte, embora a legalidade dos serviços prestados ainda não tenha sido avaliada.
O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024.
O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024.
Foto: Reprodução/Youtube / Estadão

O escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em 2024, segundo documentos de uma auditoria interna realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre a operação com a instituição financeira, encontrados pela Polícia Federal (PF).

Os registros também mencionam pagamentos de R$ 40 milhões, em 2024, ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Procurada, a assessoria de Dalide afirmou, em nota enviada ao Estadão, que ela "jamais atuou para o Master no STF nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco".

"Sua atuação restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias", acrescentou.

Dalide tem 67 anos e é natural de Cansanção, no interior da Bahia. É graduada em Direito pelo Centro Universitário de Brasília e pós-graduada em Direito Tributário, Direito Constitucional e Direito Processual Civil pelo Instituto Brasileiro de Direito Processual.

Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, foi diretora jurídica da Caixa Econômica Federal. Depois, trabalhou como assessora jurídica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, procuradora-geral na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e chefe de assessoria parlamentar no STF.

Em 2010, Dalide abriu o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, em Brasília, onde atua como advogada-sócia administradora. Naquele mesmo ano, começou a trabalhar como diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), onde ficou por sete anos.

A instituição de ensino foi fundada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Os dois se conheceram na época em que ele era advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso e ela trabalhava na Caixa. No entanto, se afastaram em 2017, após desentendimentos sobre a gestão do IDP.

Procurada, a assessoria de Mendes não quis se manifestar sobre o assunto. A interlocutores, o ministro afirmou que se afastou de Dalide após a saída dela do IDP e que não mantém relação de proximidade com ela.

Em 2022, a advogada estava na lista de candidatos como suplente de João Campos, que concorreu pelo Republicanos ao Senado em Goiás, mas não foi eleito. Na época, declarou R$ 88,5 milhões em bens, entre imóveis, terrenos, joias e outros itens.

Dalide foi citada em diálogos de diretores do Master obtidos pela PF. Em conversas sobre despesas, o diretor da área financeira do banco, Ângelo Ribeiro, deu ordens ao superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, para o pagamento ao escritório de Dalide e argumentou que se tratava de um "canal direto com o STF", sem mencionar o que isso significaria.

Ainda não foram realizadas diligências sobre esse contrato e, por isso, a PF não produziu nenhuma avaliação sobre a legalidade da prestação dos serviços.

Não foram encontradas, nesses diálogos, menções a Mendes nem a qualquer outro ministro do STF. Eles também não foram alvos de diligências ou medidas de investigação na Operação Compliance Zero.

Os contratos de Vorcaro com escritórios de advocacia ligados a ministros do STF geraram uma crise nos bastidores da Corte, depois que o Estadão revelou detalhes do relatório da PF sobre menções a Moraes no celular do banqueiro.

Estadão
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