PT faz cinco ações contra divulgação de áudio atribuído a Vorcaro
Campanha de Lula pede perícia em gravação e quer impedir Flávio Bolsonaro de usar tema na campanha eleitoral
A campanha de Lula moveu cinco ações contra a divulgação de um áudio atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro sobre supostos repasses ilegais ao PT. O partido contesta a autenticidade do material e acionou o TSE para obter direito de resposta da revista Veja e barrar postagens do PL. A sigla também pediu apuração à Polícia Federal e cobra R$ 100 mil de indenização na Justiça. A PF afirmou que o relato não consta na delação de Vorcaro, cuja proposta de colaboração foi rejeitada por falta de provas.
BRASÍLIA - A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou cinco medidas contra a divulgação de um áudio atribuído ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com acusações de pagamentos irregulares ao PT. O partido contesta a informação e quer quer seja investigada a autenticidade da gravação.
Entre as medidas estão duas ações no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): uma pede direito de resposta à revista Veja, que publicou as informações, e a outra, que o PL remova postagens que reproduzem o tema.
A campanha do presidente solicita ainda que tanto o partido quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência pela legenda, se abstenham de replicar acusações nas propagandas eleitorais que veicularem nas mídias digitais e nos sistemas de rádio e TV.
Em outra frente, a chapa de Lula e Geraldo Alckmin apresentou à Polícia Federal notícia-crime com pedido de investigação sobre a produção do áudio e seu vazamento para a imprensa. Também pediu esclarecimentos sobre suposto depoimento de Vorcaro.
Os petistas também entraram com uma ação na Justiça Federal de Brasília para que a revista Veja e o jornalista que assina a reportagem sejam condenados ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais. Pedem ainda realização de perícia técnica no áudio original, para apurar sua autenticidade e integridade.
Segundo a revista, o banqueiro aparece em uma gravação falando que destinou dinheiro para a produção de um documentário sobre o presidente Lula. Na gravação, ele não indica os elementos de corroboração nem menciona valores.
Um dos advogados de Vorcaro, Daniel Bialski, confirmou que a voz é do banqueiro na gravação, mas disse não saber em quais circunstâncias foi feita. O advogado que acompanha o banqueiro desde o início da investigação e das negociações de delação premiada, Sérgio Leonardo, porém, divulgou uma nota dizendo que não reconhecia a autenticidade do material. Vorcaro está preso desde março deste ano e teve duas propostas de delação recusadas pelos investigadores.
A Procuradoria Geral da República afirmou, em nota, que as negociações da delação premiada foram sempre intermediadas pela equipe de advogados do banqueiro e "livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias". Investigadores do órgão afirmam que, no início do processo, avisaram à defesa do banqueiro que não iriam solicitar nem excluir nomes de pessoas durante o processo de colaboração e alertaram que os anexos deveriam apresentar elementos de corroboração para comprovar os relatos.
Após a divulgação, a Polícia Federal também se manifestou afirmando que não há no processo de delação a o tema divulgado pela revista, nem mesmo um anexo que o assunto seja mecionado pelo banqueiro. A PF afirmou que Vorcaro "não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito". A PF afirma ainda que a delação foi recusada por ser considerada insuficiente e sem novidades. Como mostrou o Estadão, Vorcaro justificava pagamentos a políticos sob o argumento de amizade e resistia a endurecer a delação.
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