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PSOL amplia bancadas estadual e federal em SP e ameaça hegemonia do PT na esquerda paulista

Embora sejam maiores, bancadas petistas devem estagnar na Câmara dos Deputados e recuar na Alesp

5 out 2026 - 01h01
(atualizado às 01h21)
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Resumo
O PSOL ampliou suas bancadas estadual e federal em São Paulo, ameaçando a hegemonia do PT na esquerda paulista. Com votações expressivas de nomes como Erika Hilton e Sâmia Bomfim, o partido avançou impulsionado por pautas identitárias, de costumes e forte apelo nas redes sociais, enquanto o PT estagnou ou encolheu com seu discurso econômico tradicional. Na Alesp, o PSOL saltou de cinco para nove deputados, o que ajudou a fortalecer a oposição ao governo Tarcísio de Freitas na próxima legislatura.

O PSOL ampliou suas bancadas estadual e federal em São Paulo e conseguiu emplacar seus quadros entre os mais votados do Estado, numa ameaça à hegemonia do PT.

Dos cinco candidatos a deputado federal mais bem votados do Estado, dois são do PSOL. Erika Hilton ficou em segundo lugar, com 1,5 milhão de votos, e Sâmia Bomfim, em terceiro, com mais de meio milhão. O PT, por sua vez, não teve nenhum representante entre os cinco primeiros.

"A alta votação de Erika Hilton e a não eleição de José Dirceu simboliza a diferença central do eleitor de esquerda. Essa nova esquerda é pautada muito mais por costumes do que na discussão estratégica de um nacional desenvolvimentismo que moveu a esquerda desde o século 20 até a era Dilma", analisa Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessias.

Na visão dele, as redes sociais marcam uma mudança geracional e o eleitor de esquerda brasileiro segue a tendência mundial ao se preocupar com pautas como a defesa da diversidade, das mulheres e do movimento LGBTQIA+.

"Enquanto isso, o PT não se rejuvenesceu, e ainda se pauta muito na discussão de modelos econômicos heterodoxos, uma crítica ao liberalismo sistêmico, e à defesa de políticas sociais como compensação da desigualdade social com uma forte presença do Estado indutor", afirmou Dorgan.

O PSOL paulista deve eleger seis deputados federais, um a mais do que na eleição anterior, de 2022. Já a bancada petista caminha para estagnação, com 11 parlamentares. Os resultados oficiais ainda não foram divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), os números indicam até o momento que o PSOL foi o segundo partido que mais cresceu, atrás apenas do PL. A previsão é de que a bancada socialista saia de cinco para nove parlamentares.

Entre os cinco mais votados para a Alesp, três são do PSOL. Sofia Favero, que concorreu com o apoio de Erika Hilton, foi a terceira colocada, seguida por Carlos Giannazi e Paula da Bancada Feminista. O PT, por sua vez, só tem um representante nesse ranking: Eduardo Suplicy, segundo mais votado do Legislativo paulista.

Diferentemente do PSOL, o PT deve encolher na Alesp, saindo de 17 para 16 parlamentares. O crescimento expressivo do PSOL, no entanto, ajudou a compensar a perda do PT e tornar a bancada de oposição ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) mais numerosa na próxima legislatura.

Estadão
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