Primeira mulher a governar Pernambuco, Raquel Lyra promete combater fome e desigualdades
Em seu discurso, nova governadora faz duras críticas ao PSB que encerra ciclo de 16 anos à frente do Palácio do Campo das Princesas
O combate à fome e às desigualdades. Essas foram as prioridades apontadas por Raquel Lyra (PSDB), a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco, empossada na tarde deste domingo, 1º. Ao lado da vice, Priscila Krause (Cidadania), a nova governadora usou seu primeiro discurso para fazer duras críticas ao PSB que encerrou um ciclo de 16 anos à frente do Palácio do Campo das Princesas.
Desde a Proclamação da República, de 1889 até 2022, Pernambuco teve 57 governadores. Desses, nunca houve uma mulher na chefia do Executivo. Raquel sucede a Paulo Câmara (PSB), que comandou o Estado nos últimos oito anos.
"Nos últimos 16 anos, Pernambuco conheceu mundos diferentes, indo do entusiasmo ao desalento. Temos uma capital que é campeã das desigualdades. Vimos grandes conquistas se perdendo, acompanhamos o aumento da miséria, da violência e a perda do protagonismo, que sempre foi nossa marca. Deixamos de ser ouvidos nacionalmente", afirmou, durante seu pronunciamento na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
"Enquanto nós estamos aqui reunidos, do lado de fora há milhões de mães e pais que não sabem o que ou mesmo se vão ter o que servir aos filhos para comer. É com essas famílias que mais me importo e é para quem mais vamos trabalhar."
Raquel enfatizou, ainda, a força da democracia e alertou sobre os perigos da polarização que marcou os últimos anos no país. "Se alguém duvida do poder da democracia, do poder do voto, e acha que na política nada muda, o dia de hoje é uma resposta. Uma mulher governadora e uma vice mulher. É uma honra estar aqui hoje, mas governar não é privilégio, é responsabilidade", destacou.
View this post on Instagram
Na única referência que fez ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Raquel - que durante toda a campanha não declarou seu voto para presidente da República - disse que contaria com o petista para que "não falte a Pernambuco".
Raquel falou ainda sobre a construção de pontes entre as diversas esferas de governo com a sociedade civil. "É hora de unirmos a quem está no chão, nos municípios, e a quem está no governo federal para que a gente possa construir as pontes necessárias para fazer o Estado conseguir os recursos que precisa para os enfrentamentos na área de Saúde, Segurança e Educação, Infraestrutura e geração de oportunidades", argumentou.
A governadora prometeu fazer uma reforma administrativa no Estado, para que os serviços públicos cheguem mais rápido à população. "Temos uma equipe equilibrada, de homens e mulheres, composta por gente muito bem capacitada, com grande sensibilidade política e de todas as regiões do Estado. Temos uma reforma administrativa para encaminhar. Vamos reorganizar a máquina do Estado para que ela se torne mais eficiente. E, por eficiência, o que quero dizer é: construir um governo que chegue mais rápido à vida das pessoas e não se perca em si mesmo", declarou.
Família
Raquel Lyra - que ficou viúva no dia 2 de outubro, dia do segundo turno das eleições estaduais - chegou à cerimônia de posse na Assembleia e, posteriormente no Palácio do Campo das Princesas, acompanhada dos dois filhos, João e Fernando, do pai, o ex-governador João Lyra Neto e da mãe, Mércia Lyra. A vice-governadora Priscila Krause estava com o marido, os dois filhos e o pai, o também ex-governador Gustavo Krause.
Durante a cerimônia no Legislativo, a governadora fez uma homenagem ao seu pai e ao pai de sua vice. "Muitos vieram antes de nós e fizeram muito por Pernambuco. Entre eles estão meu pai e o de minha vice. Hoje eles estão aqui como pais, mas fizeram o que podiam. Obrigada!"