Posts de políticos com uso de IA dobram em duas semanas
Levantamento do Instituto Democracia em Xeque mapeou 6.022 publicações entre 17 e 31 de julho e revela aumento de uso de inteligência Artificial às vésperas do período eleitoral
O número de publicações de políticos brasileiros com uso identificado de inteligência artificial dobrou na última quinzena de julho, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX) publicado nesta quarta-feira, 5. Foram 6.022 posts entre os dias 17 e 31, volume duas vezes maior que o da quinzena anterior.
Segundo o levantamento, foram identificados 3.164 autores distintos no período, com média de 401 publicações por dia. O pico foi registrado em 28 de julho, quando 516 posts com uso de IA foram contabilizados em um único dia. As publicações somaram cerca de 9,6 milhões de interações, mas a distribuição do engajamento foi desigual: a média ficou em 1,6 mil interações por post, enquanto a mediana foi de apenas 117. Cerca de 86% das publicações não ultrapassaram mil interações.
A publicação com maior repercussão da quinzena foi de Michelle Bolsonaro, com mais de 360 mil interações. A peça sinalizava apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à sucessão presidencial, e usou IA apenas na edição da imagem.
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Outro destaque foi um vídeo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 149 mil interações. O vídeo gerado por IA usa imagens ilustrativas da antiga favela do Moinho para reforçar a narrativa de uma política pública bem-sucedida no local, com remoção de famílias e criação de um parque.
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No recorte partidário do Instagram, o PT apresentou o maior volume de publicações com uso de IA, com 459 posts, seguido por PL (415), PSD (351) e MDB (343). Nas interações, porém, a posição se inverte: o PL concentrou aproximadamente 21% do total partidário, à frente de PT (16%), PSOL (12%), Republicanos (10%) e PSD (7%).
Entre as narrativas da direita, apareceram com maior frequência críticas ao governo Lula sobre gastos públicos, endividamento das famílias e tarifas impostas pelos Estados Unidos. Também tiveram espaço publicações sobre segurança pública, classificação de facções como organizações terroristas e supostas relações do PT com o escândalo do Banco Master.
À esquerda, as publicações foram mais fragmentadas por tema e se concentraram na apresentação de trajetórias políticas individuais e no fortalecimento de vínculos regionais dos candidatos. Destacaram-se, ainda, referências a notas emitidas por Flávio Bolsonaro a empresas ligadas a Daniel Vorcaro e a ataques de Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes. Nesses casos, a IA foi usada principalmente na produção de peças cômicas e paródicas.
O levantamento considera apenas publicações com marcações formais de uso de IA. Essas marcas são disponibilizadas pelas próprias plataformas. No Instagram, valem a autodeclaração do usuário, credenciais do padrão C2PA e metadados IPTC. No YouTube, no TikTok e no X, valem os rótulos de conteúdo sintético ou alterado aplicados pela plataforma.
Segundo o Instituto DX, a metodologia não abrange todo o conteúdo produzido com IA. Uma imagem gerada pela tecnologia pode perder seus metadados de origem ao ser compartilhada por print. Nesses casos, o monitoramento não a identifica.
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