PL quase dobra bancada e consolida força no Senado; esquerda e centro encolhem
Partido de Flávio Bolsonaro contará com aliados em outros partidos para ter maioria na Casa legislativa; PT mantém mesmo número de parlamentares da legislatura atual
O PL consolidou-se como a maior força do Senado ao saltar de 15 para 28 cadeiras, ganhando fôlego para disputar a presidência da Casa contra Davi Alcolumbre e avançar pautas como o impeachment de ministros do STF, embora ainda longe do quórum de dois terços para aprová-lo. Enquanto a sigla cresce, a esquerda encolheu para 15 vagas e o centro perdeu 13 assentos, com forte desidratação do PSD e derrotas de nomes como Ciro Nogueira e Renan Calheiros.
BRASÍLIA - As eleições deste domingo, 4, consolidaram o PL de Flávio Bolsonaro (RJ) como o maior partido do Senado, com cerca de um terço das cadeiras e força para negociar o comando da Casa e aprovar, com o apoio de aliados de outros partidos, projetos que exigem a maioria aboluta de 41 votos, sem a necessidade de quórum qualificado.
O partido elegeu 19 senadores e terá uma bancada de 28 a partir de fevereiro - hoje, conta com 15 parlamentares.
Com o desempenho, o partido inicia a 58ª legislatura com força suficiente para articular a eleição do próximo presidente do Senado, ameaçando a tentativa de reeleição do atual ocupante do cargo, Davi Alcolumbre (União-AP).
Caso consiga emplacar o próximo presidente da Casa, os bolsonaristas ficariam mais perto de conseguir avançar com uma de suas principais pautas: o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Conquistar maioria do Senado sempre foi uma das prioridades declaradas publicamente por Bolsonaro antes de ser preso.
"Com metade do Senado, vou mandar mais que o presidente da República. Não adianta ele (o presidente) indicar o João (nome fictício) para o Supremo, que eu falo para o pessoal 'aprova ou não aprova'", afirmou, em ato no ano passado, quando projetava ter entre 44 e 60 aliados políticos no Senado.
Hoje, Alcolumbre segura os pedidos, apesar da pressão dos senadores que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que considera o ministro Alexandre de Moraes um de seus grandes adversários.
Apesar da demonstração de força, o partido continuará longe de conseguir aprovar o impeachment em si, que exige o voto de 54 senadores (dois terços do Senado).
Esquerda encolhe
Partidos de esquerda, por sua vez, encolheram no Senado. O PT continuará com nove senadores, enquanto o PSB terá três a menos e o PDT, menos um. Com uma vaga da Rede, o grupo ocupará 15 assentos, ante 18 na legislatura que teve início em fevereiro de 2022.
Dos partidos de centro, o PSD sofreu a maior desidratação, ao perder nove assentos. O partido, que ficou com cinco senadores, liderou o encolhimento do centro, que terá 13 cadeiras a menos.
O PP perdeu um assento - o do próprio presidente do partido, Ciro Nogueira (PI), que foi derrotado nas urnas. Com isso, a legenda ficará com seis cadeiras. O MDB perdeu uma - a de Renan Calheiros, em Alagoas. O partido deve ficar com oito, no total. O União Brasil, partido de Alcolumbre, sai de três para cinco assentos.
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