PL lança Flávio à presidência com pedido de 'união' da direita, vídeo de Michelle e aceno a mulheres
Recém-conciliada com o enteado após protagonizar embate público em junho, Michelle não marca presença no evento, mas envia vídeo exibido durante ato
SÃO PAULO — O senador Flávio Bolsonaro oficializa neste sábado, 25, sua candidatura à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), em convenção nacional do partido em São Paulo. O evento, no Mercado Livre Arena, une apelos por "união na direita", acenos às mulheres, críticas duras à esquerda e ao STF e louvores ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.
A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, recém-conciliada com o enteado após protagonizar embate público em junho, não compareceu ao ato, apesar dos apelos de aliados por sua presença. Ela, no entanto, gravou um vídeo em apoio à candidatura de Flávio.
Na gravação, Michelle afirmou que, por estar cuidando de Jair Bolsonaro, não pôde comparecer ao evento. Michelle também exaltou a liderança do marido, dizendo que ele representa "a força de mais de 58 milhões de brasileiros".
A ex-primeira-dama ainda fez um apelo pela maior participação feminina na política. Ela agradeceu ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmando que, "graças ao trabalho de vocês e ao apoio prestado pelo presidente Valdemar", o PL Mulher "se tornou o maior movimento feminino partidário do Brasil". Michelle Bolsonaro deixou a presidência do setorial do partido a crise entre ela e o enteado.
Apenas no encerramento da mensagem Michelle mencionou Flávio Bolsonaro nominalmente, ao afirmar: "Que Deus abençoe e proteja a sua candidatura, que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e a sua família para cumprir essa missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece".
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que a eleição de Flávio depende da união do campo da direita e defendeu a formação de uma "ampla bancada no Senado". Segundo ele, senadores como André do Prado e Guilherme Derrite terão "coragem" para defender os interesses do País "independente de STF, STJ ou qualquer coisa que venha a fazer com que o interesse do Brasil seja colocado em segundo plano".
Em seu discurso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concentrou críticas ao governo Lula na economia, na segurança pública e no aumento do endividamento das famílias. O governador também lamentou a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro no evento. "Eu sei que dói saber que o nosso presidente Bolsonaro não está com a gente aqui", disse.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, atribuiu a Flávio Bolsonaro a missão de dar continuidade ao legado do ex-presidente. "A gente viu o que o presidente Bolsonaro fez pelo nosso País [...] Entregou um Brasil de esperança. Essa esperança está depositada em Flávio Bolsonaro agora", afirmou.
O governador também tentou ressaltar a experiência política do senador. "Tem experiência nos vários mandatos de deputado. Tem experiência no mandato de senador", disse, acrescentando que Flávio acompanhou o pai "ombro a ombro" durante o governo e conheceu "as dificuldades de Brasília".
Logo no início da convenção, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes subiram ao palco ao lado de Flávio Bolsonaro e levantaram seus braços, de mãos dadas, em um gesto de apoio à candidatura do senador à Presidência.
Vídeos de irmãos emocionam Flávio Bolsonaro
A convenção também exibiu vídeos gravados por seus irmãos, Eduardo e Carlos Bolsonaro. Dos Estados Unidos, Eduardo pediu união em torno da candidatura do senador, afirmou que "não há mais tempo para ego, projeto pessoal ou qualquer outro tipo de situação" e disse esperar uma "onda azul" nas eleições. Segundo ele, a vitória de Flávio permitirá que "presos injustamente" voltem a subir a rampa do Palácio do Planalto.
Já Carlos emocionou o irmão, que chorou durante a transmissão. No vídeo, afirmou que Flávio assume uma "enorme responsabilidade" ao liderar o movimento político da família, disse confiar que ele dará continuidade ao legado de Jair Bolsonaro. Carlos afirmou ainda que o ex-presidente é "vítima diária desse sistema", que Flávio passou a ser alvo dos mesmos "ataques" e pediu que o irmão mantivesse "a cabeça erguida".
Antes da fala de Flávio, aliados fizeram críticas ao PT e defenderam sua candidatura. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, classificou Jair Bolsonaro como "o maior líder que já conheci". Já o senador Rogério Marinho afirmou que é preciso "varrer a corja" do PT, disse que os adversários defendem criminosos e "vitimizam ladrões" e explorou a segurança pública, tema que a oposição considera uma das principais fragilidades do governo federal.
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), também defendeu a formação de uma base de apoio no Senado para um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Citando seu companheiro de chapa ao Senado, o deputado federal Guilherme Derrite (PP), afirmou que será preciso ter "coragem" para aprovar projetos do futuro governo e enfrentar pautas relacionadas ao Judiciário. "Ninguém está acima da lei. Se cometer crime de responsabilidade, tem que arcar com as consequências", disse, sem citar casos específicos.
A ampliação da bancada no Senado é tratada pelo PL como prioridade estratégica. Integrantes do partido defendem que uma maioria na Casa fortaleceria a tramitação de pautas da legenda, incluindo eventuais processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mulherem ganham destaque na campanha após embate com Michelle
A reconciliação com Michelle é tão importante para Flávio que o senador publicou um vídeo na quinta-feira, 23, pedindo desculpas a ela, elogiando o seu trabalhando e pregando união na direita. Ele argumentou que os adversários políticos têm "explorado" o racha no bolsonarismo, o que não ajuda na tentativa de tirar o PT do poder. A ex-primeira-dama respondeu a Flávio no mesmo dia, em um vídeo em que aceitou o pedido de desculpas e o agradeceu pela sinceridade. Mas o clima de desconforto entre os dois ainda permanece.
Enteado e madrasta não se falam desde que Michelle divulgou um vídeo com críticas pesadas contra Flávio, em junho, episódio que a levou a renunciar ao PL Mulher e a se recolher diante das críticas.
Outro trunfo é Fernanda Bolsonaro, que se prepara para entrar na campanha e suavizar a imagem do marido. Especializada em ortodontia e ortopedia facial, ela deve focar no tema da saúde e direcionar o discurso para mulheres, com ajuda da economista Daniella Marques. A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) completa a tríade feminina que vai tentar percorrer o Brasil para ajudar o senador com o público feminino.
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