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Política

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PGR diz que Lulinha, Roberta e Careca do INSS não fecharam negócios com governo Lula

Manifestação serviu de base para Ministério Público Federal pedir ao ministro do STF André Mendonça a remessa de inquérito para a primeira instância da Justiça

20 ago 2026 - 21h22
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Resumo
A Procuradoria-Geral da República afirmou ao STF que a Polícia Federal não apresentou provas de que Fábio Luís Lula da Silva, a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Camilo Antunes fecharam negócios com o governo federal. Apesar de a PF apontar suspeitas de tráfico de influência e pagamentos, a PGR destacou a ausência de envolvimento de autoridades com foro privilegiado e pediu o envio do inquérito para a Justiça Federal de primeira instância.

BRASÍLIA - A Procuradoria-Geral da República afirmou, em parecer enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que a Polícia Federal não apresentou nenhuma conclusão que incrimine Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ou mesmo a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negócios com o governo federal.

É nessa manifestação que a PGR pede a remessa do inquérito para investigar a acusação de que Lulinha praticou tráfico de influência no governo à Justiça Federal de primeira instância.

Assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, a manifestação fala em "imprecisão da qualificação jurídica" dos fatos aventada pela representação da Polícia Federal.

"Embora tenham sido identificados pagamentos feitos por Camilo Antunes a Roberta Luchsinger, a representação não menciona a conclusão de nenhum negócio entre o empresário e o Poder Público, que pudesse sugerir o efetivo atendimento às pretensões que o grupo se propôs a agenciar", diz um trecho do documento, obtido pelo Estadão.

Dois inquéritos que apuram a participação de Fábio Luís, conhecido como Lulinha, e de sua amiga Roberta Luchsinger em tráfico de influência no governo federal estão sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Dona de uma consultoria, Roberta trabalhava para "Careca do INSS" e tentou fechar negócio com o Ministério da Saúde para vender medicamentos à base de canabidiol ao SUS. De acordo com relatório da Polícia Federal, "aparentemente Roberta tinha autorização" para agir em nome de Lulinha. "Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio", afirmou a lobista em uma das conversas mantidas com um interlocutor que participava da prospecção de negócios com o governo federal.

Entre os argumentos citados para o pedido de envio do inquérito à primeira instância, Chateaubriand considera a "ausência de indícios mínimos de participação de autoridade que justificaria a competência do Supremo Tribunal Federal" e vê "afastada a conexão dos fatos com o objeto da Operação Sem Desconto", que apurou desvio de aposentadorias do INSS.

A PGR afirma na petição que foram destacados nas investigações "o permanente contato entre Roberta e Fábio Luís, assim como vantagens financeiras pagas ao chefe do gabinete pessoal do Presidente da República, Marco Aurelio Santana Ribeiro, de quem obteriam o apoio necessário para a consecução de seus objetivos".

Observa, porém, que, "ainda que haja aqui elementos que sugiram, a despeito da possível imprecisão na qualificação jurídica dos fatos aventada pela representação, a existência de hipótese criminalmente relevante, chama a atenção a circunstância de que nela não se registra, ao menos no contexto em que se delimita, a participação de autoridade que possua, perante o Supremo Tribunal Federal, o foro para o julgamento de seus atos".

Estadão
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