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Política

Palanques estaduais expõem forças e limites de Lula e Flávio na disputa de 2026

Mapa dos governadores mostra base consolidada do petista no Nordeste, avanço do campo bolsonarista no Sul e Centro-Oeste e disputa em aberto nos maiores colégios eleitorais

30 mar 2026 - 12h12
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A sete meses da eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entram na fase decisiva da montagem de palanques estaduais em um cenário ainda fragmentado. Com a corrida acirrada nas pesquisas, a disputa pelos apoios dos governadores ganha peso e pode ser determinante na definição do resultado.

Levantamento do Estadão mostra que, embora Lula mantenha uma base consolidada no Nordeste, parte dos principais colégios eleitorais do País segue em aberto, enquanto o campo adversário, liderado por Flávio, avança sobre Estados estratégicos.

Para especialistas, palanques estaduais ampliam a capilaridade das campanhas e conectam os candidatos a redes políticas locais, facilitando o acesso a prefeitos, lideranças regionais e estruturas de mobilização eleitoral. Nos bastidores, articuladores das pré-campanhas intensificam as negociações para ampliar alianças nos Estados.

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula.
O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula.
Foto: Wilton Jr/Estadão / Estadão

No Nordeste, Lula mantém uma base de apoio sólida entre os governadores. Os nove governos dos Estados da região estão hoje formalmente alinhados ao presidente, formando um dos principais pilares de sua estratégia eleitoral. A convergência, no entanto, não é homogênea. Em alguns Estados, disputas locais ainda precisam ser resolvidas para consolidar esses apoios.

Decisiva nas eleições presidenciais, a região garantiu vantagem expressiva ao petista nas últimas disputas, mas pesquisas recentes, como a do Datafolha, apontam perda de espaço. Em março, 41% dos eleitores nordestinos avaliaram a gestão como ótima ou boa, ante 49% no início do mandato, em 2023.

Não por acaso, Flávio Bolsonaro decidiu iniciar a pré-campanha pelo Nordeste. Segundo aliados, o movimento busca ampliar a presença da direita em uma região historicamente menos favorável ao bolsonarismo, considerada chave para tornar a candidatura competitiva. Com a camisa "Nordeste é a solução", o senador esteve na última semana no Rio Grande do Norte e na Paraíba.

A ofensiva segue a leitura do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha. "O foco total agora está na construção, ampliação e estruturação dos palanques", diz.

Esse movimento combina duas frentes: além de tentar avançar no Nordeste, aliados afirmam que o senador pretende reforçar a presença em regiões em que o bolsonarismo já é forte, como o Sul e o Centro-Oeste, região em que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve bom desempenho eleitoral em 2018 e 2022. "No Sul, Flávio conta com uma estrutura de apoio consolidada e estruturada", avalia o deputado federal Zucco (PL-RS).

Nesses redutos, Flávio conta com o apoio de governadores aliados, como Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, e Mauro Mendes (União), de Mato Grosso. O avanço, no entanto, encontra resistências em parte desse campo, onde há apostas na terceira via. No Paraná, o governador Ratinho Júnior, que desistiu de disputar o Planalto, deve apoiar uma candidatura própria do PSD.

Nesse cenário de fragmentação, o ponto decisivo da disputa está nos Estados onde o quadro ainda permanece aberto, justamente os três maiores colégios eleitorais do País: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que juntos reúnem 63,8 milhões de eleitores, ou 41% do total, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"A grande questão é que as eleições têm sido cada vez mais decididas por margens muito estreitas. Por isso, esses Estados que têm os maiores contingentes eleitorais se tornam arenas em que a disputa tende a se intensificar", avalia o cientista político Vinicius Alves, professor do IDP São Paulo.

Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) deixou o cargo para disputar a Presidência e transferiu o comando do Estado ao vice, Mateus Simões (PSD), que conta com seu apoio. Zema mantém a pré-candidatura como cabeça de chapa, apesar das especulações de que poderia integrar uma eventual composição com Flávio Bolsonaro.

Nos outros dois maiores colégios eleitorais, a articulação tende a ser mais favorável a Flávio. Em São Paulo, o senador conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Já o campo governista aposta na candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).

Para tentar equilibrar o cenário, o PT aposta em repetir no Estado a estratégia adotada na eleição presidencial de 2022, quando Haddad concorreu ao governo e obteve o melhor desempenho do partido desde a redemocratização, movimento considerado fundamental para a vitória de Lula.

"O PT é um partido forte e capilarizado, com capacidade de cobrir todo o Estado", avalia o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), coordenador de comunicação da pré-campanha de Haddad .

Já no Rio de Janeiro, o cenário é mais instável após a renúncia de Cláudio Castro do cargo, em meio a uma estratégia para esvaziar o julgamento de sua inelegibilidade no TSE - decisão que acabou sendo confirmada.

Ainda assim, o Estado segue como um dos principais redutos do bolsonarismo. Para o cientista político Leandro Consentino, professor do Insper-SP, o cenário atual é mais favorável a Flávio nos três principais colégios eleitorais. "O Rio tem histórico bolsonarista; em São Paulo, há o apoio de Tarcísio; e, em Minas, Zema tende, em algum momento, a compor com Flávio", diz.

Estratégia do PT varia por região

Esse desenho regional se insere em uma estratégia mais ampla do campo lulista para a formação de palanques. Na avaliação do deputado federal Rogério Correia (PT-MG), a orientação varia conforme o perfil político de cada região do País.

No Sudeste, a aposta é ampliar alianças e construir frentes mais amplas contra o bolsonarismo. No Sul, a estratégia passa por candidaturas mais ideológicas e de resistência, em um ambiente mais favorável à direita. Já no Nordeste, a prioridade é consolidar candidaturas diretamente vinculadas ao presidente Lula, aproveitando uma base mais coesa.

A montagem desses palanques, por sua vez, envolve negociações contínuas e a calibragem de interesses locais com a estratégia nacional da campanha, afirma Jilmar Tatto. Segundo ele, o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) tem monitorado os cenários nos Estados para ajustar alianças e fortalecer a base do governo. "A construção dos palanques exige equilibrar as realidades regionais com o objetivo de fortalecer o projeto nacional", diz.

Para Rogério Correia, a definição desses palanques será decisiva para o resultado da eleição. "Os palanques estão sendo organizados com estratégia definida e tendem a ser decisivos no processo eleitoral, especialmente diante do cenário das pesquisas", afirma.

A leitura é reforçada pelos levantamentos mais recentes. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta semana mostra Flávio Bolsonaro com 47,6% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva com 46,6% em um cenário de segundo turno, indicando empate técnico entre os dois.

Para Consentino, o equilíbrio nas pesquisas reforça a centralidade dos palanques estaduais na eleição. De acordo com o cientista político, diante de margens estreitas, a disputa tende a ser definida pela capacidade de mobilização regional e pela força das alianças locais. "Em eleições competitivas, são esses arranjos que acabam inclinando o resultado para um lado ou para o outro", afirma.

Estadão
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