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Política

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Paes volta ao jogo eleitoral no Rio e prepara ofensiva por Lula, após derrota para Ruas

Ex-prefeito gravou vídeo em defesa do petista, depois de uma postura mais reservada nas semanas seguintes ao resultado das urnas

19 out 2026 - 12h12
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Resumo
Após perder a eleição estadual para Douglas Ruas, Eduardo Paes intensificou sua atuação no segundo turno presidencial em apoio a Lula no Rio de Janeiro. Paes aposta em vídeos com foco em obras federais na capital para atrair eleitores de centro e reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro, que venceu no estado no primeiro turno e conta com forte mobilização de Ruas. Apesar de enfatizar que não é petista, o ex-prefeito defende a parceria com Lula e critica a segurança sob a gestão do PL fluminense.

Após um período de menor exposição política desde a derrota na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) começou a intensificar sua participação na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta segunda-feira, 19, o ex-prefeito publicou um vídeo em defesa do petista e anunciou que pretende divulgar, nos próximos dias, uma série de gravações destacando obras e projetos realizados na capital fluminense com apoio do governo federal.

A iniciativa marca uma nova etapa de sua atuação no segundo turno, depois de uma postura mais reservada nas semanas seguintes ao resultado das urnas. Do outro lado da disputa, Douglas Ruas (PL), que derrotou Paes na eleição estadual, não demorou a assumir o papel de cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL).

Eduardo Paes e Lula em carreata em São Gonçalo no primeiro turno das eleições
Eduardo Paes e Lula em carreata em São Gonçalo no primeiro turno das eleições
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Após uma campanha ao governo do Rio marcada pela nacionalização do embate e pela associação de sua candidatura ao bolsonarismo, Ruas passou a trabalhar para converter a vitória estadual em votos para o senador.

Com carreatas, reuniões políticas e publicações frequentes nas redes sociais, o governador eleito busca retribuir o apoio recebido e fortalecer o palanque de Flávio no Estado, enquanto Paes, que se valeu menos do apoio de Lula na disputa estadual, começa a mobilizar seu capital político em favor do petista.

No vídeo divulgado nesta segunda-feira, Paes reconheceu a derrota eleitoral, mas afirmou que o resultado não deve interferir na capacidade dos eleitores de avaliar as opções para a Presidência. "Na vida tem momentos que você ganha, tem momentos que você perde. Perder uma eleição faz parte do jogo, não é bom não, mas faz parte do jogo", disse.

O ex-prefeito procurou afastar sua defesa de Lula de uma identificação partidária com o PT. Apresentando-se como um político de centro, lembrou que já teve divergências com o presidente e ressaltou que conviveu com quatro chefes do Executivo federal durante seus quatro mandatos à frente da capital fluminense.

"Eu posso afirmar aqui com toda a convicção do mundo, nenhum deles tem mais capacidade de ouvir, trabalhar em parceria e realizar do que o presidente Lula", afirmou. "Aliás, quem conhece bem minha trajetória sabe que lá atrás eu também não era nenhum pouco simpático ao Lula, muito pelo contrário. Aliás, eu não sou petista, não sou lulista", acrescentou.

Como argumento para o apoio, Paes citou investimentos em mobilidade urbana, saúde e infraestrutura que, segundo ele, tiveram participação decisiva de Lula. Entre os exemplos apresentados estão os corredores de BRT, a revitalização do Porto Maravilha, a recuperação do Aeroporto Internacional do Galeão e obras de urbanização em comunidades da cidade.

Na mensagem escrita que acompanhou a publicação, o ex-prefeito também atacou a gestão da segurança pública no Estado, associando seus problemas às administrações de Wilson Witzel e Cláudio Castro. "O Rio está do jeito que está com oito anos do PL do Rio mandando na Polícia com Witzel e Claudio Castro", escreveu. Paes também afirmou que um quinto secretário de Castro teria sido preso nesta semana por relações com o crime organizado.

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Ao anunciar a sequência de vídeos, Paes indicou que pretende dirigir sua mensagem a eleitores de diferentes regiões, religiões e posições políticas, insistindo que a escolha no segundo turno deve ser feita a partir dos resultados das administrações, e não de preferências partidárias. "Afinal, gente, eleição não é jogo de futebol. Não é sobre paixões, porque o seu voto que define o futuro de todo cidadão", afirmou.

A movimentação de Paes ocorre em meio ao desafio da campanha de Lula de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, Estado considerado o berço político da família Bolsonaro. No primeiro turno, o candidato do PL conquistou 53,01% dos votos, o equivalente a 4.966.844 eleitores, enquanto o petista recebeu 39,41%, com 3.693.021 votos. Com uma diferença de mais de 1,2 milhão de votos, a campanha de Lula terá de buscar novos apoios e ampliar sua capacidade de mobilização no Estado para reduzir a vantagem do adversário na votação de domingo, 25.

Estadão
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