Os eleitos/Deltan Dallagnol sobre STF: 'Brasil não tem rei, tem lei'
Senador eleito pelo Paraná, Deltan Dallagnol afirma que pretende defender o impeachment de Moraes e classifica como 'violência jurídica' as decisões do TSE contra sua candidatura, que ainda será analisada pelo plenário da Corte
Eleito senador pelo Paraná com 2,9 milhões de votos, Deltan Dallagnol (Novo) afirmou que buscará o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e focará no combate a supostos abusos do Judiciário. Apesar da vitória nas urnas, sua posse em 2027 depende de validação definitiva do TSE, que julga a legalidade de sua candidatura com base na Lei da Ficha Limpa, após a cassação de seu mandato de deputado em 2023. O ex-procurador confia que a Justiça Eleitoral confirmará o resultado.
Eleito senador pelo Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) afirma que pretende defender no Senado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e diz que sua atuação terá como uma das prioridades conter o que classifica como abusos do Judiciário. "A missão da minha vida foi fazer a lei valer igualmente para todos, inclusive para quem veste toga. O Brasil não tem rei, tem lei", diz em entrevista ao Estadão.
A declaração ocorre após uma eleição que ampliou no Senado a presença de parlamentares críticos à atuação do Supremo. Deltan foi eleito para uma das duas vagas do Paraná, ao lado de Filipe Barros (PL), com cerca de 2,9 milhões de votos. Os dois assumem o mandato em fevereiro de 2027
Ao tratar diretamente sobre o STF, o ex-procurador da Lava Jato afirmou que integrantes do Supremo deveriam ser os primeiros a preservar a confiança no Judiciário. "Parte deles hoje nos faz passar vergonha", diz.
Apesar do resultado das urnas, a situação eleitoral de Deltan ainda depende de uma decisão definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Às vésperas da votação, o ministro Floriano de Azevedo Marques indeferiu sua candidatura. No domingo, 4, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão e permitiu que seus votos fossem contabilizados. O mérito ainda deverá ser analisado pelo plenário da Corte.
A controvérsia tem origem na cassação do mandato de deputado federal de Deltan, determinada pelo TSE em 2023. Na ocasião, a Corte entendeu por unanimidade que ele havia deixado o Ministério Público Federal enquanto estavam pendentes procedimentos disciplinares, em situação alcançada pela Lei da Ficha Limpa.
Apesar do imbróglio, Deltan diz acreditar que o TSE confirmará sua candidatura. "A minha candidatura vai ser validada", afirma.
A disputa, porém, já teve efeitos concretos sobre sua campanha. Durante a corrida eleitoral deste ano, o TSE chegou a suspender atos de Deltan, impedindo-o de pedir votos, participar de debates e veicular propaganda na reta final da disputa.
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