Script = https://s1.trrsf.com/update-1785845726/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Política

Publicidade

O que Alexandre de Moraes ganha ao costurar paz entre Lula e Alcolumbre; leia bastidores

Na avaliação de integrantes da cúpula do Judiciário, ministro do STF precisa se aproximar de ambos para salvar a própria pele de um processo de impeachment

10 ago 2026 - 17h23
Compartilhar
Exibir comentários

BRASÍLIA — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi um dos responsáveis pelo aumento dos atritos entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele estava no time que encorajou senadores a votarem contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no tribunal. Agora, porém, ele foi o anfitrião do acordo de paz entre os dois para salvar a própria pele.

Moraes estava entre os principais interlocutores de Luiz Inácio Lula da Silva no Judiciário. O ministro era ouvido para indicações de vagas em tribunais e era apontado como um importante aliado do presidente em julgamentos. Depois que Messias foi rejeitado pelo Senado, a situação mudou.

O ministro Alexandre de Moraes tenta reaproximação com o presidente Lula
O ministro Alexandre de Moraes tenta reaproximação com o presidente Lula
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Na avaliação de integrantes da cúpula do Judiciário, Moraes tem interesse não apenas em reconciliar Lula com Alcolumbre, mas de ficar perto de ambos. Essas relações podem ser fundamentais para a sobrevivência do ministro no Supremo. Aguardam deliberação no Senado dezenas de pedidos de impeachment contra integrantes do tribunal. Um dos alvos mais frequentes é Moraes.

Para o ministro, o ideal seria ver Lula reeleito em outubro e Alcolumbre mantido no comando do Senado em 2027. Com essa configuração, seria mais fácil impedir a abertura de processos de impeachment contra integrantes do Supremo. Mas, para que o cenário atual se repita no ano que vem, Moraes precisa ver azeitada a relação dos três. E que Lula se esqueça da atuação de Moraes para barrar a indicação de Messias.

Para colocar o plano em curso, Moraes organizou um jantar para Lula e Alcolumbre, com a ajuda do ministro Cristiano Zanin, um dos principais aliados de Lula no Supremo. O evento ocorreu na última terça-feira, 4, na casa de Moraes, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Como mostrou o Estadão no sábado, o clima foi de "acerto e contas" com um pacto em que Lula, se reeleito, apoiaria mais uma gestão de Alcolumbre e Hugo Motta no comando do Congresso.

Moraes, no entanto, ainda não conseguiu conversar com Messias, que tem recusado a tentativa de aproximação do ministro o Supremo. Integrantes do governo Lula atribuem a derrota histórica no Senado à campanha feita por adversários de Messias que não tinham interesse em vê-lo tomar posse na Corte - entre eles, Moraes e Alcolumbre.

A dupla tem relação de amizade e preferia ver o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) no Supremo. Para Moraes, a nomeação de Messias poderia significar seu próprio enfraquecimento. Isso porque o advogado-geral é amigo de André Mendonça, que fez campanha para ele no Senado.

Mendonça tem conquistado poder no STF especialmente por ser o relator de duas das investigações politicamente mais importantes: a do Banco Master e a dos desvios no INSS. O próprio Moraes foi mencionado no caso Master, devido ao contrato de R$ 129 milhões mantido entre a mulher dele, a advogada Viviane de Moraes, e o banco. Lula e Alcolumbre, por sua vez, também estão envolvidos nos dois escândalos.

Dentro do tribunal, Mendonça é visto como um ministro prudente na condução dos dois casos. Com um novo aliado na Corte, poderia amealhar ainda mais poder internamente.

Há, porém, uma pedra no caminho de Moraes na costura da paz entre Lula e Alcolumbre. A pessoas próximas o presidente da República anunciou que quer apresentar novamente o nome de Messias ao Senado. Para se manter na órbita do presidente, Moraes vai precisar colocar a resistência ao nome do advogado-geral de lado.

Lula também tem dito a interlocutores que não deve indicar seu candidato ao Supremo antes das eleições de outubro. Se o petista for derrotado nas urnas, será do próximo mandatário o direito de escolher o próximo ocupante da vaga aberta no STF.

Estadão
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra