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Política

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Novo triplica candidatos, abre os cofres e projeta gastar mais de R$ 70 milhões na eleição

Presidente da sigla, Eduardo Ribeiro demonstra confiança de que partido terá desempenho melhor que em 2022 e superará cláusula de barreira

22 set 2026 - 19h56
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Resumo
Para superar a cláusula de barreira e ampliar sua bancada para até 20 deputados federais, o Partido Novo triplicou o número de candidatos e investirá mais de R$ 70 milhões nesta eleição. Pela primeira vez em um pleito geral, a sigla abandonou a postura histórica e utilizará verbas dos fundos Partidário e Eleitoral. A estratégia envolve financiar nomes já testados nas urnas e apostas alinhadas à direita, incluindo figuras com apoio de bolsonaristas e a campanha de Romeu Zema à Presidência.

Para não repetir o desempenho de 2022, quando a bancada da sigla encolheu de 8 para 3 deputados federais, a direção do Partido Novo triplicou o número de candidatos lançados em todo o País, decidiu investir pelo menos R$ 70 milhões nesta eleição e apostar em nomes que já foram testados nas urnas.

"Em termos de cláusula de barreira está bem pacificado [que o partido irá superar], mas [queremos] crescer de verdade e fazer uma bancada robusta. A preço de hoje, ter entre 15 a 20 deputados é muito possível", afirmou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, ao Estadão.

O Novo não conseguiu superar a cláusula de barreira há quatro anos. Dessa vez, os partidos precisam eleger 13 deputados federais ou ter ao menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal, com no mínimo 1,5% em 9 Estados. O resultado é necessário para que o partido volte a ter acesso ao horário eleitoral gratuito e ao Fundo Partidário.

Eduardo Ribeiro, presidente do Partido Novo, projeta que partido superará cláusula de barreira nesta eleição
Eduardo Ribeiro, presidente do Partido Novo, projeta que partido superará cláusula de barreira nesta eleição
Foto: Partido Novo/Divulgação / Estadão

Essa será a primeira eleição geral na qual o Novo utilizará recursos públicos. A não utilização da verba era uma bandeira do partido. A proibição foi revertida em 2023, com os votos favoráveis de 85% dos filiados da sigla.

À época, o Novo argumentou que, se devolvido, o dinheiro do Fundo Partidário seria distribuído para outros partidos e que a mudança era necessária para o partido crescer em meio à proibição de doações empresariais e limitação das doações individuais.

Utilizando apenas recursos privados, o Novo gastou R$ 38 milhões em 2018, valor que subiu para R$ 63 milhões em 2022. Agora, o orçamento parte de R$ 70 milhões, considerando apenas os dois fundos públicos, e será complementado pelas doações que a legenda captar ao longo da campanha eleitoral.

"Nós acumulamos um valor relativamente alto de Fundo Partidário e a gente vai usar quase todo esse recurso juntamente com o Fundo Eleitoral, de R$ 37 milhões", afirmou Ribeiro. "Isso nos coloca em um patamar de largada muito mais forte", acrescentou ele

Até o momento, a direção nacional já transferiu R$ 58 milhões para os candidatos da sigla em todo o País, entre recursos públicos e privados.

A campanha presidencial de Romeu Zema (Novo) recebeu R$ 4,1 milhões. Candidatos ao Senado, Ricardo Salles (Novo-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) receberam R$ 2,8 milhões e R$ 1,9 milhão, respectivamente.

O partido também repassou R$ 2,3 milhões para a campanha do deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) e R$ 1,7 milhão para a também deputada Adriana Ventura (Novo-SP). Ambos disputam a reeleição.

O otimismo da direção do Novo é baseado ainda em dois outros fatores. O partido lançou 1.298 candidatos para todos os cargos, quase o triplo da eleição anterior - no caso da Câmara dos Deputados, apenas o PL lançou mais nomes.

Segundo Eduardo Ribeiro, parte desses candidatos é formada por deputados, vereadores ou ao menos têm experiência em campanhas anteriores.

Além de Adriana Ventura, em São Paulo, o Novo deposita as fichas principalmente na economista Marina Helena, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, e em Pedro Pôncio, que se apresenta como ex-integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Pôncio tem o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O partido também lançou como candidata Cláudia do Batom, irmã de Débora Rodrigues dos Santos, condenada à prisão por ter utilizado um batom para pichar a estátua da Justiça no 8 de Janeiro.

Nikolas apoia pelo menos outros três candidatos do Novo que são vereadores no Sul do País e tentam chegar à Câmara dos Deputados: Guilherme Kilter, de Curitiba (PR); Hiago Morandi, de Caxias do Sul (RS); e Beatriz Borba, de Biguaçu (SC).

Outras apostas do Novo são o advogado Jeffrey Chiquini (PR), que atua na defesa do ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), Filipe Martins, o deputado estadual Felipe Camozzato (RS), e o vereador de Recife, Eduardo Moura (PE).

Estadão
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