Michelle Bolsonaro rebate fala de Lula sobre desfile de carnaval: 'Anuência de chacota'
Ala do desfile que retratou 'família em conserva' provocou desgaste ao presidente
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro rebateu neste domingo, 22, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ele dizer "não ser carnavalesco", quando questionado sobre as críticas de setores evangélicos ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói.
A agremiação que homenageou o presidente apresentou a ala "famílias em conserva", ironizando conservadores. A Acadêmicos de Niterói também fez alusões à família do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao agronegócio e ao Congresso.
Lula disse ser "muito grato" pela homenagem da escola de samba. "Cabia ao presidente da República aceitar ou não a homenagem, e eu aceitei. Assim que retornar ao Brasil, vou visitar a escola de samba para agradecer", disse a jornalistas em Nova Delhi, na Índia.
O presidente foi questionado sobre o que pensava da ala que representou famílias em latas de conserva com adereços religiosos, em alusão aos evangélicos. Lula respondeu: "Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa".
Michelle rebateu o comentário em rede social. "Não pensa, não é o carnavalesco, não fez o samba-enredo, não cuidou dos carros alegóricos. Teve anuência da chacota e do escárnio e, mesmo assim, não se opôs. Ainda diz que foi extraordinário", disse.
"Não adianta. As máscaras caem, a podridão é exposta e a verdade sempre prevalece", completou.
Desgaste com evangélicos
A repercussão negativa entre os evangélicos após a homenagem a Lula provocou preocupação no Palácio do Planalto, que tenta contornar a crise. O grupo religioso se sentiu ofendido e o mal-estar detectado em levantamentos e entrevistas dadas por políticos evangélicos desencadeou no governo uma operação para impedir que as críticas respinguem na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), como mostrou o Estadão.
Ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Messias é evangélico e passou o carnaval em um retiro espiritual, em Brasília. Ainda assim, senadores da oposição contrários ao nome dele no STF buscam associá-lo ao desgaste, mesmo depois de a AGU ter dado orientações jurídicas para que ministros não participassem do desfile.