Mendonça bloqueia acesso de parlamentares da CPI do INSS a conteúdo do celular de Vorcaro
Ministro alegou que o material extraído do celular do banqueiro contém conteúdos relativos à vida privada
BRASÍLIA - O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta segunda-feira, 16, a retirada imediata do conteúdo extraído do celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, de sala cofre da CPI do INSS. De acordo com o magistrado, o material contém "aspectos da vida privada de investigados".
"A Polícia Federal deverá, em colaboração interinstitucional com a Presidência da CPMI-INSS, retirar todos os equipamentos que estão armazenados no referido local para realizar uma nova e detida separação dos dados existentes, de maneira a que eventual conteúdo que diga respeito exclusivamente à vida privada do citado investigado não seja compartilhado com a referida Comissão Parlamentar", diz a decisão.
Deputados e senadores que tiveram acesso aos dados desde a última sexta-feira, 13, afirmaram à imprensa terem visto conversas íntimas de Vorcaro e fotos da sua ex-namorada e de seus filhos. Esse conteúdo faz parte de um armazenamento salvo por ele na nuvem da fabricante de celulares Apple.
Por isso, os arquivos contém tanto informações relevantes para as investigações quanto detalhes íntimos.
A decisão de armazená-los em uma sala-cofre partiu do presidente da CPI, o senador Carlos Viana, justamente para evitar vazamentos destas informações.
Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, Viana afirmou que a decisão foi coerente, mas disse que tomará providências para retomar o acesso às informações.
"Eu vou analisar decisão amanhã com a advocacia do Senado e vamos tomar as medidas necessárias. Eu entendo que, assim que a questão pessoal dos dados for retirada, o ministro devolverá à CPMI os dados", disse o senador.
Nesta segunda-feira, 16, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) criticou o acesso do conteúdo concedido à comissão. "Tudo que eu vi até agora eu vi absolutamente nada que tenha qualquer relação com o objeto da investigação da CPI. Não vi nenhum documento que trate de crédito consignado ou de desconto associativo de INSS", disse.
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