Marketing de Vorcaro sugeriu adiar evento com Moraes após Magnitsky, mostram mensagens
Mensagens obtidas pela PF mostram preocupação com impacto de sanção a Moraes sobre fórum patrocinado pelo Banco Master em Londres
Uma integrante da equipe de comunicação do Banco Master sugeriu adiar um evento jurídico em Londres que teria a participação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após os Estados Unidos anunciarem sanções contra o magistrado pela Lei Magnitsky. As mensagens foram extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, e divulgadas pelo Estadão.
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O fórum estava previsto para agosto de 2025, mas acabou cancelado. A equipe temia que as sanções também provocassem problemas para os organizadores e prejudicassem os negócios do banco.
Em uma conversa de 22 de julho, Ana Matos, então responsável pela comunicação e pelo marketing do Master, contou a Vorcaro que estava definindo a programação com Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
“Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento”, escreveu. Ela também manifestou preocupação com possíveis impactos sobre a negociação de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB).
Vorcaro pediu que seu nome fosse retirado da programação e que a divulgação fosse adiada. A proposta discutida era manter o Grupo Voto, responsável pela organização, e o escritório do advogado Walfrido Warde na divulgação.
Sanções aumentaram preocupação
Em 30 de julho de 2025, o governo de Donald Trump anunciou sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky. A medida impõe restrições financeiras e de entrada nos Estados Unidos a pessoas incluídas na lista de sancionados.
No dia do anúncio, Ana Matos relatou a Vorcaro que estava com Viviane e que o ministro estava “ligando muitas vezes ao dia”. No dia seguinte, ela demonstrou preocupação com a possibilidade de outros ministros desistirem de participar do fórum.
Segundo o Estadão, mensagens encontradas no celular de Vorcaro também indicam que Moraes participava da organização de eventos privados promovidos pelo banqueiro no exterior, incluindo a definição de convidados.
Contratos com escritório de Viviane
Segundo o jornal, a PF encontrou um contrato de R$ 131 milhões em serviços advocatícios entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Também foi identificado um segundo acordo de R$ 50 milhões relacionado à transferência de cotas de duas aeronaves de Vorcaro.
O ministro negou a troca de mensagens com o banqueiro e classificou as acusações como uma “farsa montada”. Moraes também afirmou que as denúncias têm motivação político-eleitoral. Procurados pelo Estadão sobre o evento em Londres, Moraes e Viviane não se manifestaram.
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