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Política

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Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro, 43%, no 2º turno, mostra pesquisa BTG/Nexus

Presidente e senador estão tecnicamente empatados; levantamento foi realizado após a divulgação de troca de mensagens entre Flávio e Vorcaro, dono do Master

25 mai 2026 - 08h50
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Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 25, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente numericamente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial deste ano, com 47% das intenções de voto, ante 43% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão empatados tecnicamente.

A pesquisa foi realizada após a divulgação de áudios em que o senador do PL pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse" sobre a história de seu pai.

Lula e Flávio Bolsonaro vão disputar as eleições de outubro deste ano
Lula e Flávio Bolsonaro vão disputar as eleições de outubro deste ano
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Em relação ao levantamento anterior, de abril, Lula oscilou um ponto porcentual para cima, enquanto Flávio recuou dois pontos, ampliando a vantagem do petista de um para quatro pontos. Ambos seguem empatados tecnicamente no limite da margem de erro. Ainda, 9% disseram votar em nenhum, branco ou nulo, enquanto 1% não soube ou não respondeu.

O levantamento foi realizado por telefone entre os dias 22 e 24 de maio. Foram entrevistados 2.045 eleitores. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04193/2026.

Nos demais cenários testados de segundo turno, Lula também aparece à frente: 49% a 38% contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), e 46% a 40% diante do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).

No recorte por perfil, Lula tem desempenho melhor entre mulheres (54% a 35%), eleitores com 60 anos ou mais (51% a 41%), católicos (51% a 42%), entrevistados com Ensino Fundamental (56% a 37%), além dos que têm renda familiar de até um salário mínimo (55% a 32%) e dos desocupados (59% a 28%). Regionalmente, seu principal reduto segue sendo o Nordeste, onde marca 59%, contra 32% de Flávio.

O senador do PL, por sua vez, lidera entre homens (52% a 40%), evangélicos (54% a 36%), jovens de 16 a 24 anos (48% a 44%), eleitores com ensino médio (47% a 41%) e nas faixas de renda mais altas, com vantagem de 51% a 44% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos. Flávio também abre vantagem no Sul (53% a 39%) e no Norte/Centro-Oeste (50% a 43%), enquanto há empate numérico no Sudeste (45% a 45%).

Primeiro turno

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera com 41%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%. Na sequência, aparecem Ronaldo Caiado (5%), Romeu Zema (4%), o presidente do partido Missão Renan Santos (4%) e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (3%). O psiquiatra Augusto Cury (Avante) e o ex-deputado Cabo Daciolo (Mobiliza) registraram 1% cada. Outros 6% disseram votar em nenhum, branco ou nulo, enquanto 2% não souberam ou não responderam.

Em comparação com abril, Lula manteve o mesmo patamar, enquanto Flávio oscilou um ponto para baixo. A sondagem também indica um eleitorado relativamente consolidado: entre os que já escolheram um candidato, 70% dizem que a decisão está tomada e não deve mudar até a eleição, enquanto 28% afirmam que ainda podem rever o voto.

No levantamento de migração de votos em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o petista leva vantagem entre eleitores de Augusto Cury (48% a 23%) e Joaquim Barbosa (46% a 33%). Flávio, por outro lado, concentra amplo apoio entre os eleitores de Romeu Zema (74% a 7%) e vantagem entre os de Renan Santos (47% a 22%). Entre os eleitores de Caiado, o cenário é mais dividido, com 36% para Flávio e 31% para Lula.

Rejeição

Flávio lidera o índice de rejeição entre os nomes testados para a eleição presidencial deste ano. Segundo o levantamento, 50% afirmam que não votariam no parlamentar "de jeito nenhum". Lula aparece na sequência, com 47% de rejeição.

Entre os demais pré-candidatos, Cabo Daciolo registra rejeição de 42%, seguido por Zema, com 34%, e por Caiado, com 32%. Renan Santos tem rejeição de 31%, enquanto Joaquim Barbosa marca 30% e Augusto Cury, 27%.

O levantamento também mostra que Lula mantém o maior eleitorado consolidado entre os candidatos testados. Para 37%, o petista é o único nome em quem votariam. Flávio Bolsonaro aparece com 26% nesse segmento.

Já no potencial ampliado de voto - eleitores que afirmam que poderiam votar no candidato, ainda que também considerem outros nomes - Caiado e Zema lideram, ambos com 27%, seguidos por Flávio (20%) e Joaquim Barbosa (20%).

A pesquisa indica ainda elevado grau de desconhecimento de parte dos candidatos. Augusto Cury é desconhecido por 57% dos entrevistados, enquanto Renan Santos é desconhecido por 54%. Joaquim Barbosa aparece com índice de desconhecimento de 48%. Caiado e Zema ainda possuem porcentual relevante no item: 37% e 34%, respectivamente.

Terceira via

Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Lula entre os eleitores que manifestam preferência por uma candidatura de terceira via na disputa presidencial de 2026.

Segundo o levantamento, entre os 18% dos entrevistados que afirmam preferir um candidato que não seja apoiado nem por Lula nem pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, 18% declaram voto em Flávio Bolsonaro no cenário estimulado de primeiro turno, enquanto 15% optam por Lula. A maior parte desse grupo, no entanto, permanece dispersa entre outros nomes (54%).

No recorte geral sobre preferência política, 39% dizem preferir a eleição de Lula, enquanto 34% afirmam optar por Flávio Bolsonaro ou outro candidato apoiado por Jair Bolsonaro ou por um membro de sua família. Já a fatia que manifesta preferência explícita por uma alternativa fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo soma 18%.

Os dados sugerem que, embora exista um contingente relevante de eleitores que declara buscar uma alternativa à polarização, parte desse grupo ainda migra para os principais polos da disputa quando confrontada com nomes concretos no cenário eleitoral.

Estadão
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