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Política

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Defesa da soberania e críticas ao Judiciário: o que Lula e Flávio disseram na véspera do 1º turno

Presidente fez ato em São Paulo e senador participou de motocarreata no interior do Estado no último dia da campanha eleitoral

3 out 2026 - 14h11
(atualizado às 18h56)
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Resumo
Na véspera do primeiro turno, os principais candidatos à Presidência encerraram a campanha em São Paulo confiantes na vitória. Em caminhada na capital, Lula defendeu a democracia e a soberania contra a barbárie e o crime organizado. Já Flávio Bolsonaro realizou motocarreata no interior e no Rio de Janeiro, criticando a atuação do STF e propondo o fim do foro privilegiado. Outros postulantes, como Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Samara Martins, também cumpriram suas últimas agendas.

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, encerram a campanha eleitoral neste sábado, 3. Os dois realizaram atos com apoiadores em São Paulo.

Em passeata na capital paulista, o petista voltou a defender a soberania nacional e a democracia em discurso, para se contrapor ao candidato do PL, seu principal adversário na disputa ao Palácio do Planalto.

O senador afirmou que o Judiciário deve ser consertado e disse que "amigos de Lula" do Supremo Tribunal Federal (STF) interferem nas eleições, após participar de uma motocarreata de Santa Bárbara d'Oeste até a Festa do Peão de Americana.

Lula e Flávio Bolsonaro em últimos atos de campanha antes do primeiro turno
Lula e Flávio Bolsonaro em últimos atos de campanha antes do primeiro turno
Foto: Taba Benedicto/Estadão e Felipe Rau/Estadão / Estadão

Lula disse acreditar que vencerá a disputa contra Flávio ainda no primeiro turno, neste domingo, 4. Também afirmou que os adversários "estão com medo porque a cada hora aparece uma coisa nova", envolvendo, por exemplo, a investigação sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

"De um lado, a democracia e a soberania. Do outro, a barbárie e a corrupção. Estamos trabalhando contra chefes de quadrilha, contra o crime organizado", disse o presidente aos apoiadores.

Lula em ato de campanha na Rua Augusta, em São Paulo, na véspera do primeiro turno
Lula em ato de campanha na Rua Augusta, em São Paulo, na véspera do primeiro turno
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Ao lado dele, estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ex-ministro da Fazenda e candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o vice na chapa dele, Márcio França (PSB), as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil. A passeata desta reta final reedita um ato realizado na campanha das eleições de 2022.

Lula com as bandeiras de São Paulo e do Brasil em ato na capital paulista
Lula com as bandeiras de São Paulo e do Brasil em ato na capital paulista
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Com críticas a Lula e ao PT, Flávio fez o percurso com o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado estadual André do Prado (PL) e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ambos postulantes ao Senado, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). O trajeto durou das 11h às 12h30.

Ao fim do evento, candidato do PL afirmou em entrevista a jornalistas que o Supremo Tribunal Federal não pode atuar como "uma delegacia de polícia" e defendeu o fim do foro por prerrogativa de função, conhecido como foro privilegiado.

"Com tanta interferência dos amigos do Lula do STF nas eleições, se o Lula indicar mais quatro ministros para o STF, o Brasil não suporta", disse, em referência às cadeiras que ficarão vagas até 2030 na Suprema Corte.

Apoiadores usaram camisetas estampadas com frases como "Fora Lula", "Fora Moraes" e "Deus, pátria e família", lema de Bolsonaro durante o mandato. Bandeiras mesclavam imagens de pai e filho com símbolos do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel.

Ato de campanha de Flávio Bolsonaro antes do primeiro turno
Ato de campanha de Flávio Bolsonaro antes do primeiro turno
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

"Vê se isso aqui não é sinal de vitória no primeiro turno. Obrigado, São Paulo, obrigado, Brasil. Faltam poucas horas para a gente libertar nosso Brasil", afirmou o herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em transmissão nas redes sociais.

Flávio Bolsonaro ao lado de apoiadores em ato de campanha
Flávio Bolsonaro ao lado de apoiadores em ato de campanha
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

À tarde, o presidenciável realizou outra carreata, dessa vez no Rio de Janeiro, embalado por jingles contra o PT. O trajeto começou em Campo Grande e foi até Bangu, na zona oeste da capital.

Apoiadores vestiram amarelo e buzinaram durante a carreata, para a qual Flávio levou uma imagem do pai. Integrantes da chapa do PL no Rio de Janeiro, como o deputado estadual Douglas Ruas, candidato ao governo fluminense, o senador Carlos Portinho e o deputado federal Carlos Jordy, candidatos ao Senado, participaram do ato.

Flávio anunciou uma "live da vitória" neste sábado, às 21h, com transmissão no canal do YouTube dele.

Flávio Bolsonaro, em carreata por Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, na tarde de sábado, 3.
Flávio Bolsonaro, em carreata por Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, na tarde de sábado, 3.
Foto: Pedro Kirilos/Estadao / Estadão

Antes do ato de Lula, houve um princípio de confusão na região da rua Augusta. Policiais militares pediram a retirada de caminhões posicionados no local. O secretário nacional de Mobilização do PT, Laércio Ribeiro, afirmou em entrevista a jornalistas que o partido ajustou a organização dos trios elétricos com a PM antes do início do evento. A tensão ocorreu por volta das 10h30.

"Surpreendentemente, a Polícia Militar encosta ao lado do trio e força o trio a andar sem a chegada do presidente Lula, do Haddad, da Marina e da Tebet", disse Ribeiro. "Tem vídeos da polícia ao lado do vidro do motorista ameaçando de prisão. (É um) absurdo isso."

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) também realizou ato de campanha neste sábado, em Goiânia. No evento com apoiadores, reafirmou que não desistirá da candidatura antes do primeiro turno.

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado dá entrevista coletiva durante caminhada em Goiás
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado dá entrevista coletiva durante caminhada em Goiás
Foto: Divulgação / Estadão

"A palavra desistir não existe na trajetória de vida do Caiado", disse. Ao ser perguntado sobre um eventual apoio para o segundo turno das eleições, reforçou que está "pedindo voto" para si mesmo.

A agenda de Caiado incluiu carreatas em diferentes regiões de Goiânia, terminando com uma caminhada à tarde em Trindade, na região metropolitana da capital do Estado. A ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União), candidata ao Senado na chapa, participou dos eventos, nos quais o presidenciável vestiu uma camisa da Seleção Brasileira com fotos dele.

O presidenciável Augusto Cury (Avante) realizou a "Caminhada pela Pacificação" em Colina (SP), na região de Ribeirão Preto, como ato de encerramento da campanha. O trajeto começou na Casa Cury, às 10h30.

"(Colina é) a cidade onde eu andava descalço, de bicicleta, onde estão minhas primeiras lembranças e minhas raízes", escreveu Cury nas redes sociais ao convidar apoiadores para o ato na cidade natal.

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Em entrevista à imprensa, Cury criticou tanto Lula quanto Flávio. "O Lula da Silva tem 74 funcionários do Palácio do Alvorada na sua casa. O Flávio Bolsonaro tem mais de 40 assessores e quem paga a conta é o contribuinte. E um professor não tem um auxiliar dentro da sala de aula e ele tem o ouro da humanidade lá em sala de aula. Isso está errado, isso é uma vergonha", disse no evento.

O candidato Renan Santos (Missão) esteve no Panteão dos Andradas, no centro de Santos (SP), e realizou um ato com apoiadores na Praça da Liberdade, em São Paulo, com caminhada até o Largo São Francisco.

No evento, voltou a questionar o fato de não ter sido convidado para o debate da TV Globo, que seria realizado na última quinta-feira, 1º. O ministro Gilmar Mendes, do STF, obrigou a emissora a incluí-lo na transmissão, que acabou cancelada.

"A nossa campanha é a estranha campanha que mobiliza e arrasta multidões aonde ela vai no Brasil, mas, de acordo com as pesquisas, ela tem apenas 3%", afirmou a apoiadores.

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O presidenciável Romeu Zema (Novo) não divulgou agenda de oficial de campanha para este sábado. O ex-governador de Minas Gerais escolheu tirar o dia de folga e, nas redes sociais, publicou imagens de um almoço em família e de uma ida à barbearia para cortar o cabelo.

Em vídeo, contou que iria para Araxá (MG), cidade natal dele, encontrar os pais "após 60 dias" e tinha planos para malhar no fim da tarde da eleição. "Nada melhor que encerrar a campanha renovando a energia com a família", disse Zema.

A candidata Samara Martins (UP) fez uma caminhada com a militância, com início na Praça do Relógio, em Natal, pela manhã. "Nós podemos mudar a política deste País. Não precisa ser um ou outro. Precisam ser aqueles que estão comprometidos com as lutas das trabalhadoras e dos trabalhadores", afirmou a apoiadores, em referência à polarização entre Lula e Flávio.

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Já o presidenciável Hertz Dias (PSTU) fez uma reunião on-line com apoiadores, às 10h. Também agendou o ato "Pane no Sistema", na sede do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, na capital paulista, às 16h.

Os candidatos à Presidência Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata) não informaram agenda pública.

Estadão
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