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Política

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Lula diz que Senado está num 'baixo nível' ao pedir votos para Jaques Wagner e Rui Costa

Convenção petista na Bahia lançou Jerônimo Rodrigues à reeleição pelo governo do Estado, com chapa ao Senado composta por Wagner e Costa, implicados no escândalo do Master

1 ago 2026 - 15h04
(atualizado às 15h06)
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu neste sábado, 1º, a eleição de progressistas para a Câmara dos Deputados e criticou a atual composição do Senado Federal. Lula discursou em convenção do PT na Bahia, que confirmou a candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e a chapa majoritária governista na Bahia, com o senador Jaques Wagner candidato à reeleição e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa ao Senado.

"Nós temos que ter progressistas na Câmara dos Deputados para que a gente possa fazer as mudanças que o Brasil precisa que sejam feitas urgentemente", disse Lula. Em seguida, ele sustentou que o "inimigo" vai mentir e usar a inteligência artificial (IA) durante a campanha eleitoral, "porque ele não tem o que falar".

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e governador Jerônimo Rodrigues, durante convenção em Salvador, na Bahia
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e governador Jerônimo Rodrigues, durante convenção em Salvador, na Bahia
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República / Estadão

O presidente ainda pediu votos para os aliados e para si próprio. "Quando o eleitor votar neste aqui [apontando para Rui Costa], votar neste aqui [apontando para Jaques Wagner] e votar neste aqui [apontando para Jerônimo Rodrigues], pelo amor de Deus, dê um votinho para mim. Porque eles sabem que eu não sou governador da Bahia, mas eu funciono como se fosse governador da Bahia. Porque vocês sabem que em alguma encarnação eu fui baiano", prosseguiu.

A legislação eleitoral estabelece que a propaganda eleitoral somente é permitida após o início oficial da campanha, em 16 de agosto. Antes desse período, a Lei das Eleições veda pedidos explícitos de voto, podendo caracterizar propaganda eleitoral antecipada.

Ao falar mal do Senado, Lula defendeu seus candidatos às cadeiras em disputa em outubro - duas por Estado. "O Senado está muito ruim, o Senado está num baixo nível muito grande. É preciso que a gente tenha gente que tenha maturidade política, que tenha competência política", afirmou. Ele disse também que o governo vai aprovar no Senado o fim da escala de trabalho 6x1, Casa em que a proposta tem encontrado dificuldade para ser votada.

Os três nomes petistas lançados na convenção deste sábado fazem parte da lista de "lembranças de fim de ano", encontrada em conversas que estavam no celular do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. No material, uma secretária de Lima sugeriu dar garrafas de vinho de até R$ 5,3 mil a seis políticos, a maioria deles da Bahia. Além de Wagner, Rodrigues e Costa, a lista menciona também o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, o prefeito de Salvador, Bruno Reis(União Brasil), e o ex-prefeito ACM Neto(União Brasil), que é candidato a governador da Bahia.

O Estadão procurou os citados por meio de mensagens, e-mails institucionais ou das respectivas assessorias de imprensa. Rueda respondeu: "Garrafas? Não recebi". Procurada, a defesa de Wagner não se manifestou. Em entrevista à Rádio Baiana FM nesta sexta-feira, 31, o senador afirmou ter "certeza de que vai provar sua inocência".

Wagner, então líder do governo, está na mira da PF desde junho, quando virou alvo da Operação Compliance Zero, que apura corrupção, lavagem de dinheiro e a suposta relação entre gestores do Master e Jaques Wagner. Segundo a PF, o senador teria recebido vantagens econômicas indevidas de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco, em troca de atuação parlamentar de interesse da instituição.

Rui Costa, por sua vez, era governador da Bahia quando privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em 2018. A operação foi a base para o surgimento do Master no ano seguinte. Costa permitiu que o comprador da Ebal oferecesse um crédito consignado a servidores públicos, chamado de Credcesta, e ainda deu uma exclusividade para explorar a operação no Estado por 15 anos. Augusto Lima era sócio da empresa que venceu o leilão e depois virou sócio de Vorcaro, levando o Credcesta para o Master. Vorcaro apontou Costa como um dos integrantes da ala pró-Master dentro do governo Lula.

Reduto eleitoral do PT, Bahia registra empate na disputa pelo governo do Estado

Um dos redutos eleitorais do PT, a Bahia é o quarto maior colégio eleitoral do País, atrás somente de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira, 29, apontou que ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo seguem em empate técnico na disputa pelo governo baiano.

O ex-prefeito de Salvador e o atual governador empatam tanto no primeiro quanto no segundo turno. Em um eventual segundo turno entre eles, ACM Neto registrou 43% de preferência, e Jerônimo, 39%, com 11% de indecisos e 7% de votos brancos e nulos. Os dados apontam para um cenário estável desde a rodada anterior da pesquisa, divulgada em abril.

Os candidatos petistas despontam na intenção de voto para o Senado. Rui Costa e Jaques Wagner lideram os dois cenários de pesquisa estimulada.

A Genial/Quaest fez 1.200 entrevistas a domicílio com eleitores da Bahia entre os dias 23 e 27 de julho. A margem de erro é de três pontos porcentuais, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BA-02331/2026.

"Não se cansem de votar. Me elejam pela quarta vez para a gente poder fazer esse País definitivamente dar certo", pediu Lula. Ele também chamou atenção para o fato de o PT ter governado a Bahia por 20 anos - com Jaques Wagner (2007-2014), Rui Costa (2015-2022) e Jerônimo Rodrigues (2023-atual) - e nunca ter conquistado a prefeitura da capital, Salvador.

Ao cumprimentar prefeitos presentes no evento, Lula afirmou que 95% das cidades brasileiras receberam alguma obra ou algum equipamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), independentemente do partido político. Ele disse gostar de ter relação com prefeituras mesmo com prefeitos que foram contra ele na campanha.

Estadão
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