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Política

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Lula diz que 5 ministros do STF estão envolvidos com Master e avalia que crise respinga na eleição

Em entrevista, presidente e candidato à reeleição pelo PT afirmou que Banco Master foi criado no governo Bolsonaro e sugeriu ligação de Flávio com milícias no Rio

18 set 2026 - 12h48
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Resumo
O presidente Lula afirmou que cinco ministros do STF estão ligados ao escândalo do Banco Master, citando Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e insinuando a ligação de Nunes Marques com Daniel Vorcaro. Lula defendeu que a crise afeta a eleição, culpou Jair Bolsonaro pela ascensão do banqueiro e cobrou a resolução do caso antes de uma reforma do Judiciário. Ele também vinculou Flávio Bolsonaro a milícias e abordou planos federais de segurança pública e o apoio ao fim da jornada 6x1.

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira, 18, que "cinco ministros" do Supremo Tribunal Federal (STF) "estão ligados direta ou indiretamente" com o escândalo do Banco Master e que, antes de discutir uma reforma do Judiciário, é preciso "resolver esse problema". O petista citou explicitamente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e disse que "ninguém está defendendo" os negócios deles com o Master.

Sem mencionar o nome do ministro Kassio Nunes Marques, Lula também citou mensagens que indicam que o ministro teria tido um encontro com uma acompanhante pago por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Lula concedeu entrevista à Rádio Tupi, antes de compromissos no Rio de Janeiro ao lado do governador interino do Estado, o desembargador Ricardo Couto.

Lula em comício na Ceilândia, no DF
Lula em comício na Ceilândia, no DF
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Para o presidente, a crise no STF "contamina tudo" no processo eleitoral. "Obviamente que me preocupa, porque vamos ter que discutir como concertar isso. É preciso ter uma reforma do Judiciário, mas antes disso temos de resolver esse problema. Ali, você tem cinco ministros que estão ligados direta ou indiretamente", disse.

Lula elogiou Moraes antes de mencionar seu envolvimento no caso Master. O presidente disse que o ministro "teve um papel extremamente importante nas eleições e na manutenção da democracia" e que o senador Flávio Bolsonaro (PL) "tem bronca dele não por causa do Master, mas porque ele (Moraes) prendeu o pai dele (Jair Bolsonaro)".

"O Alexandre Moraes teve um papel extremamente importante nas eleições e na manutenção da democracia. Pela primeira vez, tivemos quatro generais presos. Isso é histórico. E pela primeira vez, um presidente foi preso por tentar dar golpe. Ninguém está defendendo o contrato que o Alexandre Moraes fez com o Banco Master. Ninguém está defendendo o Toffoli, que fez acordo com o Banco Master. Estamos defendendo que quem quiser ir para a Suprema Corte não pode querer ser rico", afirmou.

Como revelou o Estadão, Moraes editou o contrato do escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master e manteve conversas com Vorcaro. Toffoli aparece nas investigações por causa de transações referentes ao resort Tayayá, da qual a empresa da família dele era dona, originadas em empresas e fundos ligados ao dono do Master.

Sobre o caso de Nunes Marques, Lula preferiu adotar um tom irônico. Sugeriu que o ministro André Mendonça, relator da investigação do Master no STF, "segurou" informações sobre o caso que agora virão a público. Ele voltou a falar que Vorcaro promovia "orgia e mais orgia".

"Ainda não saiu tudo, porque o seu André Mendonça tinha muitas informações na mão dele que ele segurou. Eu acho que vamos (saber tudo). Os ministros (Cristiano) Zanin, (Flávio) Dino e Gilmar (Mendes) já têm as fitas que estavam só com o André, os outros ministros acho que já têm, uma parte da imprensa já tem. Agora é só começar a mostrar as informações", afirmou.

"Tem muita gente com medo da República. Era orgia e mais orgia, uma sacanagem impensável para o cidadão comum. Saiu até uma matéria de um cidadão que esteve com uma mulher que custou R$ 10 mil e ele ainda não pagou, mandou o banco pagar. Só faltou ele tentar entrar no Desenrola para pagar a dívida dele. É essa baixaria que tem que acabar na política", disse o presidente.

Lula afirmou ver "com uma certeza tristeza" as revelações sobre o caso Master. "A sociedade não tem que aceitar isso como normal. Você tem um cidadão que era um zé ninguém, o governo Bolsonaro fez ele virar banqueiro, deu um desfalque de R$ 60 bilhões, envolveu outros bancos, governos de Estado", acrescentou.

"Ele corrompeu todo mundo. Se você for ver as fitas que estão sendo degravadas do celular dele, ele corrompeu todo mundo, patrocinava orgias, trazia mulheres da Suécia, da Suíça, não sei de onde, para os bacanas brasileiros que gostam dessas coisas. Ele envolveu gente da Suprema Corte, deputados, senadores, todo mundo", disse.

Questionado se essa crise no STF pode afetar o processo eleitoral, Lula disse que "vai respingar na reta final". Mas reforçou: "O que queremos mostrar é quem é o culpado disso. E se chama Bolsonaro. Esse banco não existia e foi criado no governo Bolsonaro".

O presidente afirmou que "é nesses momentos de crise que a gente tem que tomar as decisões corretas. Muitas vezes ela vem, nós pensamos que é para piorar, mas ela vem para ajudar".

Lula e o governador interino do Rio, Ricardo Couto, em evento em julho
Lula e o governador interino do Rio, Ricardo Couto, em evento em julho
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

No Rio, Lula disse que o governador interino, desembargador Ricardo Couto, "está fazendo um trabalho extraordinário" e "mostrando a seriedade que todos os governantes merecem mostrar".

"O nosso desembargador está fazendo um trabalho extraordinário. Está mostrando a seriedade que todos os governantes deveriam mostrar", afirmou.

Lula mencionou o fato de que vários governadores do Rio de Janeiro já foram presos por causa de escândalos de corrupção. O petista disse que "três ou quatro governadores já foram presos". Na verdade, foram cinco: Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

"O Rio de Janeiro não merece passar o que passa todos os dias. As denúncias de corrupção são muito poderosas, já prenderam três ou quatro governadores. O povo não tem porque acreditar mais nessas coisas. Nosso compromisso é tentar restabelecer o Rio de Janeiro", afirmou.

Lula sugere ligação de Flávio com milícia

Mesmo sem ser questionado diretamente sobre nenhum adversário, Lula criticou Flávio Bolsonaro, afirmando tem gente de sua família "metida com os milicianos".

"Tem um candidato a presidente que é ligado aos milicianos do Rio de Janeiro. Na hora em que começa a analisar a situação do Rio de Janeiro, vai perceber que tem muita gente da família Bolsonaro metida com os milicianos. É preciso limpar a política e a polícia. Isso é um trabalho árduo, a sociedade precisa assumir a responsabilidade e dizer o futuro que ela quer", afirmou o presidente.

O candidato à reeleição proveitou para também criticar o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), aliado de Flávio e implicado diretamente no escândalo do Banco Master. Ele afirmou que Castro está "enterrado até o pescoço nessa relação promíscua" com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula repetiu uma frase que tem tentado emplacar em seus discursos e entrevistas: "Eles (governo Bolsonaro) tornaram Vorcaro banqueiro, eu o tornei prisioneiro".

Presidente diz que trabalha com 3 eixos contra crime organizado

Segundo Lula, o governo federal trabalha com três eixos no combate ao crime organizado e na melhora na segurança pública: sufocar a logística do crime, retomar o controle de territórios e comunidades e fortalecer a capacidade dos municípios enfrentarem o crime.

"(A retomada do controle de territórios) É a parte mais desafiadora. É a parte que dá segurança à sociedade. Você não pode levantar sabendo que seu bairro tem um dono. Não pode comprar gás tendo que pagar um pedágio. A rua é sua, o bairro é seu", disse o presidente.

O presidente disse que vai anunciar uma "experiência" no Rio para a retomada de territórios e segurança pública, e afirmou que esse "plano piloto" poderá ser implementado em todo o País se der certo no Estado. Lula ainda disse que sempre foi contra intervenções pontuais pelo Exército porque os criminosos sempre voltavam ao local.

"Eu sempre fui contra GLO (decreto de Garantia da Lei e da Ordem), anunciavam intervenção, os bandidos saíam, o Exército ficava um ou dois meses e quando saía a bandidagem voltava. É preciso colocar fixo. A polícia precisa atuar 24h por dia durante 365 dias por ano", disse.

O presidente mencionou que seu governo está tentando aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) no Congresso para dar mais atribuições à União na segurança pública, a chamada PEC da Segurança Pública. Ele prometeu transformar 138 cadeias no País em presídios de segurança máxima.

Lula diz que escala 6x1 é importante para mulheres

Ainda na entrevista, Lula afirmou que o fim da escala de trabalho 6x1 é importante para todos os brasileiros, mas, em especial, para as mulheres, por causa dos trabalhos domésticos que, na nossa sociedade, muitas vezes acabam recaindo nelas.

O presidente não citou o fim da escala 6x1 a não ser no momento em que foi questionado sobre as medidas de combate à violência contra a mulher. Depois de citar o pacto contra o feminicídio, que seu governo assinou com os demais Poderes da República e tem levado adiante aos Estados, Lula mencionou que a redução da jornada de trabalho também seria uma forma de dar mais tempo às mulheres para o lazer.

Estadão
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