Lula defende acesso de ministros do STF a celular de Vorcaro e chama ex-banqueiro de 'mafioso'
Candidato à reeleição, presidente comentou a crise no Supremo, criticou Flávio Bolsonaro e disse estar indignado: 'sociedade brasileira não merece isso'
Em entrevista a um podcast, o presidente Lula chamou Daniel Vorcaro de "mafioso" e defendeu o acesso de ministros do STF aos dados do celular do ex-banqueiro para expor relações com autoridades e políticos, acusando sem provas opositores como Flávio Bolsonaro. Apesar de apontar danos à imagem da Corte gerados pela crise, o petista cobrou rigor nas apurações com garantia de defesa, propôs reformas política e no Judiciário, e pediu que o processo eleitoral seja blindado pelo tribunal.
SÃO PAULO - O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta quarta-feira, 16, que o acesso de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) à integra do celular de Daniel Vorcaro permitirá que a sociedade descubra as relações do ex-banqueiro com outros políticos e autoridades, inclusive da Corte.
"Agora que o celular dele está na mão de outros ministros, está na mão do [Cristiano] Zanin, está na mão do Gilmar [Mendes], está na mão do companheiro Flávio Dino, agora a gente vai saber quem é que estava com mulher, quem foi fazer 'suruba' com as mulheres que vieram da China", afirmou, em participação no podcast Desce a Letra.
O presidente também acusou pessoas famosas, sem identificá-las, de intermediar esses encontros. "Tem gente famosa que era agenciador, que era o cafetão da turma. Tudo isso vai aparecer agora. E é importante que apareça pra gente poder limpar este país", declarou. Lula não apresentou provas dessas acusações no trecho da entrevista.
Ao comentar a crise no Supremo, o petista afirmou que os acontecimentos prejudicam a instituição. "Eu acho que o que tá acontecendo no Supremo Tribunal Federal não é uma coisa boa. Não é uma coisa boa. Porque significa que aquele mafioso chamado Vorcaro envolveu todo mundo", disse.
Lula criticou ainda o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a quem chamou de "nervosinho". O presidente associou a reação do adversário à atuação do ministro Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro e os envolvidos na tentativa de golpe e à possibilidade de novas revelações sobre a relação de Flávio com Vorcaro.
"Ele tá nervosinho porque vai aparecer todas as falcatruas dele do Vorcaro, o churrasco, a bebida, as mulheres e os R$ 130 milhões que ele pegou do Vorcaro para poder financiar o filme do pai", afirmou. Lula também não apresentou provas dessas acusações no trecho da entrevista e, questionado pelos apresentadores sobre Dark Horse, disse que não pretende assistir ao filme.
Os ministros do STF reuniram-se em sessão plenária extraordinária nesta terça-feira, 15, para julgar o pedido do ministro André Mendonça de abrir uma investigação sobre as relações de Moraes com Vorcaro. Ao comentar o debate, Lula disse ter acompanhado parte da discussão pela televisão e criticou o que viu.
"Eu assisti uma parte dele, não é correto", afirmou. "Eu estou indignado porque a sociedade brasileira não merece isso."
O presidente defendeu que a apuração das suspeitas seja acompanhada da punição dos responsáveis e de uma discussão sobre mudanças institucionais. "Eu estou confiante de que nós vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir, e começar a discutir uma reforma no Poder Judiciário que tem que ser acompanhada de uma reforma na política também", disse.
Apuração e defesa de Moraes
Ao comentar a crise, Lula defendeu a preservação da imagem do Supremo e a investigação das suspeitas, com garantia do direito de defesa e da presunção de inocência. "A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada", afirmou.
"Ninguém está acima da lei", disse o presidente, acrescentando que isso vale para ele, para o presidente do STF, Edson Fachin, e para todos os ministros da Corte.
Ao mesmo tempo, criticou o que chamou de "denuncismo" e a exposição cotidiana da sociedade a acusações envolvendo autoridades e familiares. Lula atribuiu a Fachin a responsabilidade de impedir que a crise prejudique as eleições. "O presidente Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral", declarou.
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