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Política

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Lula chama Flávio de 'pior dos Bolsonaros' no rádio e na TV; senador mira economia e mulheres

Petista defende legado de seu governo e reproduz áudio em que adversário pede dinheiro a Daniel Vorcaro; candidato do PL criticou a economia e ressaltou experiência na segurança pública

29 ago 2026 - 10h30
(atualizado às 14h26)
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Resumo
Na estreia da propaganda eleitoral, Lula focou na defesa de seu legado econômico e social e atacou fortemente Flávio Bolsonaro, a quem chamou de "o pior dos Bolsonaros", vinculando-o a escândalos. Flávio criticou a economia atual, destacou sua trajetória na segurança e acenou ao eleitorado feminino com sua família. Já Ronaldo Caiado atacou o PT e exaltou sua experiência política, enquanto Augusto Cury pregou a pacificação nacional por meio do diálogo. Lula e Flávio lideram o tempo de TV.

Os candidatos à Presidência da República fizeram neste, 29, sua estreia na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o legado de seu governo e investiu em ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de "o pior dos Bolsonaros" e vinculou a escândalos como o das rachadinhas e o do Banco Master. O candidato do PL, por sua vez, criticou a situação econômica do País, procurou apresentar sua trajetória política e fez acenos às mulheres, dedicando boa parte das inserções a falar sobre as figuras femininas de sua vida: a mãe, a esposa, que afirma tê-lo "reeducado", e as filhas. Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) se apresentou e atacou o PT, enquanto o psiquiatra Augusto Cury (Avante) defendeu "curar" o País por meio da escuta.

Lula é o candidato com o maior tempo de exposição na TV, com 5 minutos e 31 segundos de espaço no bloco diário. Flávio Bolsonaro vem em seguida, com 4 minutos e 20 segundos, enquanto Caiado tem 2 minutos e 20 segundos e Cury, 35 segundos. Outros candidatos, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), não têm direito ao tempo de TV.

Tanto no rádio quanto na TV, a campanha de Lula apostou em uma forte desconstrução de Flávio, com quem o petista está empatado tecnicamente nas pesquisas. As peças afirmam que o senador iniciou a carreira como "funcionário fantasma de um gabinete em Brasília", cita as denúncias no escândalo da rachadinha e a homenagem que ele fez a um "matador de aluguel".

Os programas também mencionaram o pedido milionário do senador ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro. "Não dá pra confiar nesse sujeito. Flávio, o pior dos Bolsonaros", dizem as inserções. No rádio, o PT colocou um trecho do áudio de Flávio cobrando pagamentos do banqueiro.

A peça exibida na televisão mostra o presidente enviando um recado ao "Lula de 1979", quando ainda era uma liderança sindical. Na mensagem, o petista relembra as dificuldades que passou, cita "perseguições" e atentados contra a democracia e diz que hoje, após três mandatos, está "infinitamente melhor".

O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula Wilton Jr/Estadão
O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula Wilton Jr/Estadão
Foto: Wilton Jr/Estadão / Estadão

Nos dois meios de comunicação, o presidente procurou defender o legado de suas gestões, afirmando ter recebido um "País destruído" que foi colocado de "pé novamente" pelo seu governo.

"Recuperamos a economia, controlamos a inflação, batemos recordes na geração de emprego e restabelecemos programas sociais. Tem muita coisa ainda para ser feita", disse o petista na TV.

No rádio, a campanha também defendeu os resultados na área econômica, apresentando Lula como o presidente que "mais fez universidades na história do País" e citando os investimentos de seu governo em creches e escolas em tempo integral, além de lembrar que o petista tirou o Brasil do Mapa da Fome pela segunda vez.

Lula também defendeu, nas duas primeiras inserções, o fim da escala 6x1 sem redução de salário, proposta que deve ser uma das principais bandeiras de sua campanha à reeleição. Na TV, o presidente se apresentou como "o único que enfrenta os poderosos e o sistema de privilégios" e citou, nesse contexto, a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, dizendo ter colocado "os super-ricos para pagar a conta", a Operação Carbono Oculto, contra os "magnatas do crime", e o ECA Digital. Sem mencionar diretamente o presidente americano Donald Trump ou a família Bolsonaro, a propaganda afirmou ainda que Lula está "do lado do povo", defende o Brasil "contra os traidores da pátria" e protege a soberania do País.

No fim da inserção da TV, a primeira-dama Janja da Silva entrou em cena para falar diretamente às mulheres e meninas, afirmando que elas têm o direito de sonhar e que as políticas públicas do governo Lula ajudam a transformar esses sonhos em realidade.

O candidato do PL abriu o programa com críticas à situação econômica do País, contrastando o que chama de "Brasil do Lula" com o "Brasil que a gente vive". O senador citou o endividamento das famílias e as empresas que estão quebrando no País e recorreu a exemplos do cotidiano para ilustrar a perda do poder de compra dos brasileiros. Segundo ele, hoje a dúzia de ovos "só tem 10", a caixa de chocolates que antes tinha 20 unidades agora tem 16 e "até pizza o povo está tendo de parcelar".

"Você pode estar de um lado ou de outro, mas todo mundo concorda que o Brasil não está bom do jeito que está", afirma.

Tanto na TV quanto no rádio, Flávio dedicou um tempo a falar sobre a sua trajetória na vida pública. A campanha avalia que, apesar das intenções de voto, os eleitores ainda têm um conhecimento superficial sobre sua trajetória.

As peças dizem que, aos 21 anos, Flávio se tornou o deputado mais jovem de seu Estado e que hoje está em seu quarto mandato. O programa também deu destaque à sua atuação na área de segurança pública, tema que está no topo das preocupações dos brasileiros, lembrando que Flávio presidiu a Comissão de Segurança e foi relator do projeto que pôs fim às saidinhas de presos das penitenciárias.

Conhecido principalmente como filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio dedicou parte significativa dos programas a falar das mulheres de sua vida - da mãe, da esposa e das filhas -, na tentativa de se colocar como um homem de família e fazer acenos ao eleitorado feminino, segmento no qual registra menor intenção de voto nas pesquisas.

Na peça da TV, o senador conta que passava "o tempo todo" com a mãe, a quem atribui parte de sua formação. "Ela me passou a visão de mundo dela, o jeito dela, a sensibilidade dela", rela. Em seguida, a propaganda apresenta sua mulher, Fernanda, que afirma ter "reeducado" o marido. "Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado", diz a esposa.

Nas duas inserções, na TV e no rádio, Flávio afirma que quem manda em sua casa são as filhas e a esposa e diz que as mulheres lideram "de uma forma diferente" e, "em muitas coisas", muito melhor do que os homens.

O senador, que fracassou nas articulações para ter uma mulher na sua vice, defende um Brasil "cada vez mais igual": "Esse papel gigante que as mulheres têm no dia a dia é tão gigante que não basta ser apenas reconhecido. Ele não pode ser ignorado. O Brasil só vai ser melhor, só vai vencer, se as mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais".

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado usou a primeira propaganda no rádio para se apresentar ao eleitorado e fazer ataques ao PT. O goiano enfatizou sua formação como médico e os 40 anos de vida pública como deputado, senador e governador de Goiás por dois mandatos. A propaganda lembrou que Caiado deixou o governo aprovado por quase nove em cada dez eleitores e afirmou que, durante sua gestão, enfrentou o PCC e o Comando Vermelho. Ao mirar o PT, a peça disse que, quando o partido "começou a invadir a terra de quem plantava, Caiado fez o que ninguém tinha coragem de fazer" e "foi o primeiro a enfrentar esse erro".

Já Augusto Cury pregou a pacificação do País. O candidato afirmou ser preciso "parar de gritar", sentar, ouvir uns aos outros e "curar este País". "Não tem cura sem escuta", disse.

Estadão
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