Lula chama Flávio de 'pior dos Bolsonaros' no rádio e na TV; senador mira economia e mulheres
Petista defende legado de seu governo e reproduz áudio em que adversário pede dinheiro a Daniel Vorcaro; candidato do PL criticou a economia e ressaltou experiência na segurança pública
Na estreia do horário eleitoral gratuito, Lula defendeu seu legado econômico e atacou Flávio Bolsonaro, chamando-o de "o pior dos Bolsonaros" e citando escândalos. Em contrapartida, Flávio criticou a crise econômica, destacou sua trajetória pública e acenou ao eleitorado feminino com foco na família. Entre os demais candidatos, Ronaldo Caiado ressaltou sua experiência e mirou ataques ao PT, enquanto Augusto Cury defendeu a pacificação e a cura do país por meio do diálogo.
Os candidatos à Presidência da República fizeram neste, 29, sua estreia na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o legado de seu governo e investiu em ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de "o pior dos Bolsonaros" e vinculou a escândalos como o das rachadinhas e o do Banco Master. O candidato do PL, por sua vez, criticou a situação econômica do País, procurou apresentar sua trajetória política e fez acenos às mulheres, dedicando boa parte das inserções a falar sobre as figuras femininas de sua vida: a mãe, a esposa, que afirma tê-lo "reeducado", e as filhas. Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) se apresentou e atacou o PT, enquanto o psiquiatra Augusto Cury (Avante) defendeu "curar" o País por meio da escuta.
Lula é o candidato com o maior tempo de exposição na TV, com 5 minutos e 31 segundos de espaço no bloco diário. Flávio Bolsonaro vem em seguida, com 4 minutos e 20 segundos, enquanto Caiado tem 2 minutos e 20 segundos e Cury, 35 segundos. Outros candidatos, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), não têm direito ao tempo de TV.
Petista usa peças para tentar desconstruir Flávio
Tanto no rádio quanto na TV, a campanha de Lula apostou em uma tentativa de desconstrução da imagem de Flávio, com quem o petista está empatado tecnicamente na maioria das pesquisas. As peças afirmam que o senador iniciou a carreira como "funcionário fantasma de um gabinete em Brasília", cita as denúncias no escândalo da rachadinha e a homenagem que ele fez a um "matador de aluguel".
Os programas também mencionaram o pedido milionário do senador ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro. "Não dá pra confiar nesse sujeito. Flávio, o pior dos Bolsonaros", dizem as inserções. No rádio, o PT colocou um trecho do áudio de Flávio cobrando pagamentos do banqueiro.
A peça exibida na televisão também mostra o presidente enviando um recado ao "Lula de 1979", quando ainda era uma liderança sindical. Na mensagem, o petista relembra as dificuldades que passou, cita o que chama de "perseguições" e atentados contra a democracia e diz que hoje, após três mandatos, está "infinitamente melhor".
Tanto no rádio quanto na TV, o presidente procurou defender o legado de suas gestões, afirmando ter recebido um "País destruído" que foi colocado de "pé novamente" pelo seu governo.
"Recuperamos a economia, controlamos a inflação, batemos recordes na geração de emprego e restabelecemos programas sociais. Tem muita coisa ainda para ser feita", disse o petista na TV.
No rádio, a campanha também defendeu os resultados na área econômica, apresentando Lula como o presidente que "mais fez universidades na história do País" e citando os investimentos de seu governo em creches e escolas em tempo integral, além de lembrar que o petista tirou o Brasil do Mapa da Fome pela segunda vez.
Lula também fez uma defesa, nas duas primeiras inserções, do fim da escala 6x1, proposta que deve ser uma das principais bandeiras de sua campanha à reeleição. O texto, já aprovado na Câmara, tramita no Senado e há uma pressão da base aliada para que seja votado na próxima semana. Na TV, o presidente se apresentou como "o único que enfrenta os poderosos e o sistema de privilégios" e citou, nesse contexto, a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, dizendo ter colocado "os super-ricos para pagar a conta", a Operação Carbono Oculto, contra os "magnatas do crime", e o ECA Digital. Sem mencionar diretamente o presidente americano Donald Trump ou a família Bolsonaro, a propaganda afirmou ainda que Lula está "do lado do povo", defende o Brasil "contra os traidores da pátria" e protege a soberania do País.
No fim da inserção da TV, a primeira-dama Janja da Silva entrou em cena para falar diretamente às mulheres e meninas, afirmando que elas têm o direito de sonhar e que as políticas públicas do governo Lula ajudam a transformar esses sonhos em realidade.
O candidato do PL abriu o programa com críticas à situação econômica do País, contrastando o que chama de "Brasil do Lula" com o "Brasil que a gente vive". O senador citou o endividamento das famílias e as empresas que estão quebrando no País e recorreu a exemplos do cotidiano para ilustrar a perda do poder de compra dos brasileiros. Segundo ele, hoje a dúzia de ovos "só tem 10", a caixa de chocolates que antes tinha 20 unidades agora tem 16 e "até pizza o povo está tendo de parcelar".
"Você pode estar de um lado ou de outro, mas todo mundo concorda que o Brasil não está bom do jeito que está", afirma.
Flávio aposta em apresentar trajetória e família
Tanto na TV quanto no rádio, Flávio dedicou um tempo a falar sobre a sua trajetória na vida pública. A campanha avalia que, apesar das intenções de voto, os eleitores ainda têm um conhecimento superficial sobre sua trajetória.
As peças dizem que, aos 21 anos, Flávio se tornou o deputado mais jovem de seu Estado e que hoje está em seu quarto mandato. O programa também deu destaque à sua atuação na área de segurança pública, tema que está no topo das preocupações dos brasileiros, lembrando que Flávio presidiu a Comissão de Segurança e foi relator do projeto que pôs fim às saidinhas de presos das penitenciárias.
Conhecido principalmente como filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio dedicou parte significativa dos programas a falar das mulheres de sua vida - da mãe, da esposa e das filhas -, na tentativa de se colocar como um homem de família e fazer acenos ao eleitorado feminino, segmento no qual registra menor intenção de voto nas pesquisas.
Na peça da TV, o senador conta que passava "o tempo todo" com a mãe, a quem atribui parte de sua formação. "Ela me passou a visão de mundo dela, o jeito dela, a sensibilidade dela", rela. Em seguida, a propaganda apresenta sua mulher, Fernanda, que afirma ter "reeducado" o marido. "Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado", diz a esposa, reforçando umas das principais estratégias da campanha.
Nas duas inserções, na TV e no rádio, Flávio afirma que quem manda em sua casa são as filhas e a esposa e diz que as mulheres lideram "de uma forma diferente" e, "em muitas coisas", muito melhor do que os homens.
O senador, que fracassou nas articulações para ter uma mulher na sua vice, defende um Brasil "cada vez mais igual": "Esse papel gigante que as mulheres têm no dia a dia é tão gigante que não basta ser apenas reconhecido. Ele não pode ser ignorado. O Brasil só vai ser melhor, só vai vencer, se as mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais".
Caiado cita disputa com o PT
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado usou a primeira propaganda no rádio para se apresentar ao eleitorado e fazer críticas ao PT. O goiano enfatizou sua formação como médico e os 40 anos de vida pública como deputado, senador e governador de Goiás por dois mandatos. A propaganda lembrou que Caiado deixou o governo aprovado por quase nove em cada dez eleitores e afirmou que, durante sua gestão, enfrentou o PCC e o Comando Vermelho. Ao mirar o PT, a peça disse que, quando o partido "começou a invadir a terra de quem plantava, Caiado fez o que ninguém tinha coragem de fazer" e "foi o primeiro a enfrentar esse erro".
Já Augusto Cury pregou a pacificação do País. O candidato afirmou ser preciso "parar de gritar", sentar, ouvir uns aos outros e "curar este País". "Não tem cura sem escuta", disse.
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