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Política

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Líder do PL diz que cobrará Alcolumbre diariamente a abertura de processo de impeachment de Moraes

Partido de Flávio Bolsonaro também tenta colar Lula a escândalo de mensagens de Vorcaro

2 set 2026 - 15h47
(atualizado às 16h42)
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Resumo
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho, anunciou que pressionará diariamente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, para abrir o processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. A ofensiva ocorre após a PF revelar conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas quais o banqueiro pedia interferência em investigações. A oposição também protocolou ações contra o diretor da PF, Andrei Rodrigues, e o PGR Paulo Gonet, ambos citados nos diálogos com Vorcaro.

BRASÍLIA - O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou nesta quarta-feira, 2, que o partido cobrará o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), todos os dias para abrir o processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Nesta terça-feira, 1.º, o Estadão revelou mensagens obtidas pela Polícia Federal de conversas entre o ministro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Parlamentares da sigla assinaram pedidos de impeachment contra Moraes e de afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Também foi protocolada uma queixa-crime contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os três aparecem citados em conversas de Vorcaro.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ), relator do projeto sobre propaganda de bets
O senador Carlos Portinho (PL-RJ), relator do projeto sobre propaganda de bets
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado / Estadão

"A responsabilidade de todo o caso e do tamanho que quer ter o Senado Federal está nas mãos de Davi Alcolumbre. Estou anunciando que ele será cobrado diariamente pela sua inércia até que abra o pedido de impeachment, porque, se ele está intimidado pelo ministro do STF, a maneira de ele se descolar disso é abrindo, neste momento, pelos fatos revelados, pelo momento que a sociedade vive, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes", disse Portinho.

Mensagens citadas em relatório da PF indicam que Vorcaro e Moraes se encontraram em 14 e 16 de novembro, às vésperas da primeira prisão do banqueiro. Os dois conversavam por mensagens de visualização única, por meio de capturas de tela do bloco de notas do celular. Assim, a PF conseguiu acessar o conteúdo enviado por Vorcaro.

No último convite, Vorcaro escreveu ao ministro às 13h40: "Bom dia, Já estou em voo, vou pousar 14h20 e irei direto praí, tudo bem?".

Vorcaro encontrou Moraes um dia antes de ser preso pela primeira vez, indicam registros
Vorcaro encontrou Moraes um dia antes de ser preso pela primeira vez, indicam registros
Foto: Reprodução/Estadão / Estadão

O partido do presidenciável Flávio Bolsonaro também tenta colar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no escândalo de Vorcaro e Moraes. Por isso, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou o distanciamento que o candidato à reeleição quer manter em relação ao ministro e a permanência de Andrei no cargo.

"Se o presidente Lula não cortar e substituir imediatamente o superintendente da Polícia Federal, o presidente Lula também é conivente com essa quadrilha", disse Sóstenes.

Nas conversas, o banqueiro pediu a Moraes que interviesse junto à PF e à PGR para travar as investigações sobre o caso Master, que tramita no STF. O relator é o ministro André Mendonça.

Vorcaro pediu a Moraes que interviesse junto à PF e à PGR para travar as investigações sobre o caso Master, segundo registro
Vorcaro pediu a Moraes que interviesse junto à PF e à PGR para travar as investigações sobre o caso Master, segundo registro
Foto: Reprodução/Estadão / Estadão

"Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso", escreveu Vorcaro a Moraes.

Gonet e o dono do Banco Master conversaram por telefone e por mensagens, com intermédio do advogado Ciro Soares. Nos diálogos, o PGR diz que sente saudades e chama o dono do Banco Master de "máquina" depois de aceitar convite para degustação de uísque em Londres e de pedir que o filho também fosse convidado.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse em mensagens que estava com saudade de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse em mensagens que estava com saudade de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Foto: Polícia Federal/Reprodução / Estadão

Vorcaro agradeceu o carinho e respondeu que também estava com saudades.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet aceitou, por meio de emissário, convite para degustação de uísque organizada por Daniel Vorcaro em Londres
O procurador-geral da República, Paulo Gonet aceitou, por meio de emissário, convite para degustação de uísque organizada por Daniel Vorcaro em Londres
Foto: Polícia Federal/Reprodução / Estadão

As lideranças do PL defenderam o avanço das investigações. "São gravíssimas as acusações e nós sempre defendemos a presunção de inocência a todos, mas o que já fica claro é que há interferência muito clara do ministro Alexandre de Moraes neste grave episódio, envolvendo o procurador-geral da República, o que nos preocupa muito", prosseguiu Sóstenes.

Portinho, por sua vez, endossou o coro pela saída do ministro do cargo. "A renúncia de Alexandre de Moraes é o mínimo para preservar o que sobra e o que resta da sua reputação", completou.

A eventual aprovação do impeachment de Moraes representaria uma decisão inédita do Senado em relação a ministros do STF, já que a Constituição Federal não prevê esse tipo de medida contra essas autoridades. A Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950), porém, estabelece que é responsabilidade da Casa processá-los e julgá-los por crimes de responsabilidade.

Estadão
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