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Política

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Itália marca nova audiência de extradição de Carla Zambelli para o fim do mês

Justiça italiana analisa se ex-deputada deve cumprir pena no Brasil por ter perseguido jornalista à mão armada na eleição de 2022

10 out 2026 - 21h23
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Resumo
A Justiça da Itália marcou para 27 de outubro o julgamento do segundo pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli, condenada no Brasil por perseguir armada um jornalista em 2022. A solicitação anterior, ligada à invasão dos sistemas do CNJ, já havia sido negada por suposta parcialidade do STF. Em liberdade no país europeu, Zambelli e sua defesa alegam perseguição política e falta de garantias processuais para tentar barrar o envio definitivo ao Brasil.

A Justiça da Itália marcou para o dia 27 de outubro uma audiência para julgar novo pedido feito pelo governo brasileiro para extraditar a ex-deputada federal Carla Zambelli. A data foi confirmada ao Estadão pelo advogado Eduardo Maurício, que integra a equipe de defesa da brasileira.

A audiência analisará o segundo pedido de extradição solicitado pelo governo brasileiro, desta vez relativo à condenação da ex-parlamentar a cinco anos e três meses de prisão por perseguir, à mão armada, o jornalista Luan Araújo nas ruas de São Paulo durante o segundo turno da eleição de 2022.

O pedido foi negado em julho deste ano pela Corte de Cassação, instância máxima do país europeu. A decisão, contudo, não foi definitiva, pois o tribunal determinou que a Corte de Apelação de Roma realizasse um novo julgamento.

A defesa da ex-parlamentar espera que o pedido de extradição seja negado e cita, em nota, "falta de garantias processuais". O relator dessa condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) foi o ministro Gilmar Mendes.

Carla Zambelli aguarda em liberdade na Itália após Justiça ter negado primeiro pedido de extradição.
Carla Zambelli aguarda em liberdade na Itália após Justiça ter negado primeiro pedido de extradição.
Foto: @coronel_aginaldo via Instagram / Estadão

O primeiro pedido para que Zambelli cumprisse pena no Brasil foi negado pela Corte de Cassação em maio. Aquela solicitação do governo do Brasil era relativa à condenação da ex-deputada pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A Justiça italiana considerou que o ministro do STF Alexandre de Moraes foi parcial ao atuar como julgador e "pessoa afetada pelo crime imputado" à ex-parlamentar no processo.

O advogado Eduardo Maurício afirmou ainda que está preparando dois pedidos de revisões criminais e de exclusão de Zambelli da lista da Interpol. "As duas condenações no Brasil são abusivas e ilegais baseadas em perseguição política e parcialidade do julgador, o ministro do STF Alexandre de Moraes e o ministro do STF Gilmar Mendes", disse o advogado de Zambelli.

A ex-deputada ficou cerca de um ano presa na Itália e foi solta após a decisão sobre o primeiro pedido de extradição. Ela aguarda em liberdade o julgamento sobre o segundo caso.

Zambelli fugiu do Brasil em maio de 2025, dias após ter sido condenada no caso da invasão ao CNJ. Ela foi inicialmente para os Estados Unidos e depois desembarcou na Itália, onde possui cidadania.

Estadão
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