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Política

Governo Trump diz que Moraes é 'juiz ativista' e congressista ameaça: 'aliados serão os próximos'

Departamento de Estado defende sanções econômico-financeiras ao ministro do Supremo ,as evita falar de próximos alvos e ações

31 jul 2025 - 19h29
(atualizado às 20h05)
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BRASÍLIA - O governo Donald Trump voltou a criticar nesta quinta-feira, 31, a conduta do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O Departamento de Estado afirmou que Moraes é um "juiz ativista", como classificou um porta-voz da diplomacia americana, ao defender a sanção aplicada ao ministro.

"Moraes é um juiz ativista, que abusou de sua autoridade ao se engajar em um esforço direcionado e politicamente motivado para silenciar críticos políticos através da emissão de ordens secretas obrigando plataformas online, incluindo empresas de mídia social dos EUA, a banir contas de indivíduos por postarem discursos protegidos", disse o porta-voz Tommy Pigott, durante coletiva de imprensa do Departamento de Estado, a chancelaria americana.

"Moraes ainda abusou de sua posição para autorizar prisões injustas antes do julgamento e minar a liberdade de expressão. As ações tomadas por Moraes impactam cidadãos e empresas dos EUA. Os Estados Unidos não toleram atores estrangeiros malignos que abusam de suas posições de autoridade para minar a liberdade de expressão de cidadãos americanos", justificou o diplomata.

Ele havia sido questionado sobre a razão principal para o ministro ter sido penalizado com base na Lei Magnitsky, com uma espécie de banimento financeiro. O porta-voz negou comentar futuras medidas do governo, sejam sanções com impacto econômico ou restrição de viagens, relacionados aos vistos, que já haviam sido revogados para ministros do Supremo e seus familiares.

Segundo Pigott, no entanto, as decisões contra Moraes mostram como o assunto é "levado a sério" na diplomacia dos EUA.

O diplomata, no entanto, repetiu a mensgem do secretário de Estado, Marco Rubio, e disse que "nossas ações são um alerta àqueles que atropelam os direitos fundamentais de seus cidadãos e togas não podem protegê-los".

Em paralelo, um partidário trumpista no Câmara dos Representantes, o congressista Rick McCornick, da Geórgia, afirmou que "os aliados dele são os próximos", em referência a novas sanções a ministros do STF, com base na Lei Magnitsky. Ele foi um dos que fez campanha ativa junto ao governo Trump por punição a Moraes.

"Após meses insistindo em ações, o governo Trump sancionou Alexandre de Moraes com base na Lei Globlal Magnitsky. Um grave violador de direitos humanos e corrupto, a justiça finalmente está sendo feita. Seus aliados são os próximos. O OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros) aplicará a lei com todo o rigor", disse o congressista republicano, no X.

Os ministros Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo, e Gilmar Mendes, se pronunciaram em solidariedade a Moraes após a sanção. Barroso articulou uma nota pública em nome da Corte. E Gilmar usou suas próprias redes sociais para se manifestar.

Desde a semana passada, autoridades diplomáticas do governo Trump avisavam publicamente que estavam tomando medidas concretas contra Moraes, que consideram ser o centro de um aparelho de repressão a dissidentes políticos no Brasil.

Em campanha nos EUA, bolsonaristas representados pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o youtuber Paulo Figueiredo disseram ter pedido que as ações atingissem apenas Moraes por enquanto, e em seguida os demais ministros que o "apoiam" no STF, a depender da reação deles.

Estadão
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