Flávio Bolsonaro evitará tratar de salário mínimo em campanha, sob temor de repetir 2022
Para evitar o desgaste sofrido por Jair Bolsonaro em 2022, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) não tratará da política de salário mínimo em sua campanha presidencial. O tema é considerado sensível e favorável à oposição petista. Assim, seu plano de governo evita menções ao piso salarial e aposta na defesa do poder de compra por meio do corte de gastos, redução de juros e controle da inflação, descartando a desvinculação de benefícios.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) deve evitar tratar sobre a política de salário mínimo em sua campanha, apurou o Broadcast Político (Sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). A avaliação é que o tema é espinhoso e pode impactar a percepção do eleitorado a pouco mais de um mês para o primeiro turno.
Segundo fontes próximas ao candidato, qualquer passo em falso poderia dar ao PT o controle sobre a narrativa do assunto e pôr em risco os bons resultados que Flávio teve nas últimas pesquisas de intenção de voto.
A estratégia será focar em prometer aumento do poder de compra, sem tocar diretamente em mudanças na política do salário mínimo.
A tática já foi empregada no plano de governo de Flávio, divulgado na semana retrasada e que não traz uma proposta explícita sobre a política de valorização do mínimo - e sequer menciona "salário mínimo".
O que o plano apresenta é uma visão indireta sobre o poder de compra, com aumento dessa capacidade por meio da contenção de inflação, de juros e de impostos.
Flávio negou que tenha a intenção de fazer a desvinculação do salário mínimo: "Não, não pretendo", disse, em 19 de junho, em entrevista ao SBT News. Ele voltou a defender mais poder de compra por redução de gastos públicos e da inflação. "A gente tem que fazer economia tampando os ralos de dinheiro público que estão escoando de corrupção por parte desse governo. Quem precisa de proteção do Estado, no meu governo, vai continuar protegido, porque são pessoas que precisam de ter o mínimo de garantia", falou.
Medo de repetir 2022
Interlocutores de Flávio ouvidos pela reportagem consideram que a discussão sobre salário mínimo foi um dos fatores que levaram o então presidente Jair Bolsonaro (PL) a perder a reeleição em 2022, o que reforça a necessidade de se evitar o assunto em 2026.
Na eleição passada, a equipe do então ministro da Economia, Paulo Guedes, estudou uma desvinculação entre salário mínimo e benefícios previdenciários. A ideia era deixar de usar obrigatoriamente a inflação passada como referência para os reajustes e adotar outro critério, como a expectativa de inflação ou a meta de inflação.
Hoje, a regra do salário mínimo no Brasil é uma política de valorização com ganho real, com um teto imposto pelo arcabouço fiscal.
A discussão repercutiu na reta final do segundo turno e deu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um argumento para atacar Bolsonaro entre eleitores de baixa renda, aposentados e pensionistas, cuja dependência do salário mínimo é mais evidente.
A situação fez com que Jair Bolsonaro tivesse de reafirmar publicamente que, se reeleito, daria reajuste acima da inflação ao salário mínimo, a aposentadorias e pensões.
Durigan nega desvinculação
Na segunda-feira, 24, o ministro da Fazenda de Lula, Dario Durigan, trouxe o tema do salário mínimo, negou que esteja nos planos do governo fazer qualquer desvinculação e lembrou dos planos de desindexação de Guedes.
"O Orçamento está muito bem encaminhado, com o salário mínimo definido e muito diferente do que outros ministros já defenderam. Lembrando que o ex-ministro Paulo Guedes defendeu a desvinculação do mínimo da Previdência", disse Durigan a jornalistas.
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