Flávio Bolsonaro diz que aceita desafio de Lula para abrir sigilos, mas impõe condições
Candidato do PL cobrou a abertura do sigilo telefônico do ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a divulgação de informações sobre o cartão corporativo da Presidência
Flávio Bolsonaro aceitou o desafio de Lula para abrir seus sigilos, mas impôs contrapartidas. Ele exige a quebra do sigilo telefônico do ex-chefe de gabinete petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, dados do cartão corporativo, do Instituto Lula, do patrimônio familiar e visitas ao Alvorada. A reação ocorre após a campanha de Lula protocolar no TSE autorização para abrir dados próprios e de parentes nos últimos oito anos, condicionada à reciprocidade do adversário para o debate da TV Globo.
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira, 21, que "aceita o desafio" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abrir seus sigilos, mas impôs condições. Entre elas, cobrou a abertura do sigilo telefônico do ex-chefe de gabinete do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a divulgação de informações sobre o cartão corporativo da Presidência.
"Eu não só vou aceitar o desafio como eu vou levar até as últimas consequências", declarou durante encontro com apoiadores em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
Ao justificar a exigência sobre Marcola, Flávio afirmou que Lula não utiliza telefone celular e que as ligações destinadas ao presidente passam por pessoas próximas. O ex-chefe de gabinete atuava como um dos contatos de quem buscava falar com o petista.
"Você não tem celular, sabe quem recebe as ligações com você? O Marcola. O Lula tem o Marcola lá do lado dele", disse o senador. "Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola."
Flávio também exigiu a divulgação de informações sobre o patrimônio da família do presidente, as atividades do Instituto Lula e os registros de visitantes do Palácio da Alvorada. Ao cobrar transparência sobre o cartão corporativo, mencionou a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. "Lula, você vai tirar o sigilo que você botou em quem visitou o Alvorada?", questionou.
As declarações ocorreram um dia depois de a campanha de Lula protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar os sigilos bancário, fiscal e telefônico seus e de seus familiares. A liberação está condicionada à concordância de Flávio em fazer o mesmo em relação a si e à própria família.
O documento abrange os últimos oito anos e prevê a publicação das informações em uma plataforma de acesso público. A petição contém uma declaração formal de autorização, ainda sem os dados bancários, fiscais e telefônicos.
O desafio foi lançado por Lula durante o debate Band/Estadão de domingo, 18. Na terça-feira, 20, o petista voltou a cobrar a medida e afirmou que Flávio só poderia participar do debate da TV Globo se apresentasse o documento autorizando a quebra dos sigilos.
O encontro em Guarulhos foi realizado em local fechado e organizado pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Antes da fala de Flávio, Tarcísio afirmou que Lula estava com medo e procurava uma desculpa para faltar ao debate.
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