EUA alertam para avanço do modelo autoritário chinês na América Latina
Para os Estados Unidos, conter a expansão do modelo autoritário chinês passa por reforçar alianças democráticas e preservar a autonomia regional.
Durante a abertura da Conferência Sul-Americana de Defesa (Southdec 2025), realizada na ultima quarta-feira (20) em Buenos Aires, o almirante Alvin Holsey, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), fez um alerta contundente: a China estaria expandindo sua presença na América Latina com o objetivo de exportar seu modelo autoritário e consolidar influência estratégica na região.
Em discurso a autoridades militares de vários países sul-americanos, Holsey afirmou que o Partido Comunista Chinês (PCCh) está conduzindo uma "incursão metódica" com impacto direto na soberania dos países locais. Segundo ele, além de tentar exportar seu modelo autoritário, a China estaria focada na extração de recursos naturais, na construção de infraestrutura de uso dual — como portos e centros espaciais — e na ampliação de sua presença em rotas marítimas essenciais.
"Esses corredores funcionam como gargalos estratégicos que poderiam ser utilizados pelo PCCh para projetar poder, interromper o comércio e desafiar a soberania das nossas nações", declarou Holsey, citando o Estreito de Magalhães e a Passagem de Drake como pontos particularmente sensíveis.
O alerta norte-americano se estende também à crescente presença tecnológica da China em áreas como comunicação, cibersegurança e inteligência artificial. Para os EUA, o avanço do modelo autoritário chinês representa uma ameaça não apenas geopolítica, mas também ideológica — com riscos de erosão democrática em países vulneráveis a pressões externas.
O Southdec 2025 contou com representantes militares e ministros da Defesa de países como Brasil, Argentina, Colômbia, Chile e Peru. O evento destacou a necessidade de maior cooperação regional diante de ameaças globais e enfatizou o papel das forças armadas na defesa da democracia.
Especialistas ouvidos por veículos internacionais apontam que, embora a China negue intenções expansionistas, sua atuação agressiva em infraestrutura estratégica levanta preocupações legítimas. Para os Estados Unidos, conter a expansão do modelo autoritário chinês passa por reforçar alianças democráticas e preservar a autonomia regional.