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Política

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'Eu não vim para cá para ser um Zé Mané', diz Guimarães, novo ministro da articulação política

José Guimarães diz que um dos principais problemas do governo é a falta de unificação das condutas políticas e vê como prioridade reconstruir a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre

16 abr 2026 - 13h11
(atualizado às 16h11)
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BRASÍLIA - O novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, admitiu nesta quinta-feira, 16, que o governo Lula sofre com a falta de unidade na articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso e disse ter a tarefa de mudar esse quadro.

"Eu não vim para cá para ser um Zé Mané, não", afirmou Guimarães, que deixou a liderança do governo na Câmara dos Deputados para ocupar o lugar de Gleisi Hoffmann. "Quero construir consensos no dissenso. Um dos principais problemas do governo é a não unificação das políticas públicas e vamos resolver isso. Não adianta fazer beicinho nem bico", disse.

Na avaliação de Guimarães, o governo tem muitos "problemas pretéritos" que causam tensão com o Congresso, principalmente com o Senado. A Secretaria de Relações Institucionais é, nas suas palavras, "um ministério que só tem pepino".

Lula e Guimarães: mudança na articulação política do Planalto com o Congresso
Lula e Guimarães: mudança na articulação política do Planalto com o Congresso
Foto: @guimaraes13pt no X / Estadão

"Uma das principais funções minhas será retomar o diálogo com Davi", observou o novo ministro, numa referência ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter- um projeto do próprio Guimarães, conhecido como Redata - são alguns dos temas parados no Senado.

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) também desagradou a Alcolumbre, o que obrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a enviar sua mensagem ao Senado quase cinco meses após o anúncio da escolha. A sabatina de Messias no Senado está marcada agora para o próximo dia 28 e até hoje Lula não tem segurança de que o nome de seu indicado será aprovado. "Vou conversar com Davi e trabalhar muito para isso", disse Guimarães.

Na lista dos problemas citados pelo novo ministro também está a falta de acordo sobre o projeto de lei que regulamenta o trabalho por aplicativos. Em café da manhã com jornalistas, Guimarães afirmou que essa votação deve ficar para depois das eleições.

"Por que não votamos o projeto dos aplicativos? Porque não tem acordo sobre nada. As plataformas não concordam, os entregadores também não e a oposição só estava esperando um vacilo nosso", argumentou ele.

Bandeira da campanha de Lula, o fim da jornada 6x1 (seis dias de trabalho com um de descanso) virou outro imbróglio para o governo. Na terça-feira, 14, o presidente enviou um projeto de lei em regime de urgência para a Câmara, onde já tramitava uma PEC sobre o mesmo assunto.

O andamento de uma PEC, no entanto, é mais demorado. Além disso há, nos bastidores, uma disputa por protagonismo sobre a autoria dessa proposta em um ano eleitoral: de um lado, o governo e, de outro, o Congresso.

"Se tem um debate, nós temos de estar abertos para discutir a transição (sobre o fim da escala 6x1). Eu acho que é possível discutir, mas quem vai dizer isso é o Congresso", avaliou Guimarães. Na véspera, porém, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, havia dito que Lula deseja a "aplicação imediata" da medida. Há forte resistência à proposta no meio empresarial.

Guimarães minimizou resultados de pesquisas de intenção de voto que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em situação de empate técnico com Lula ou até mesmo à frente do petista em eventual segundo turno na disputa pela Presidência.

"Ele (Flávio) não tem mérito para ser presidente da República. Vai chegar a hora de a onça beber água", previu Guimarães.

Estadão
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