Em vídeo, governo diz que não tem como tabelar preços
Peça foi divulgada enquanto se discute o controle dos valores dos fretes, uma reivindicação dos caminhoneiros
Em vídeo divulgado pelo Palácio do Planalto nas redes sociais nesta quarta-feira, um narrador afirma que o governo não pode tabelar o preço dos produtos e, caso adotasse essa política, produtores poderiam deixar de comercializar.
O vídeo, de pouco menos de 2 minutos, foi apresentado em meio à discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade da medida provisória editada pelo governo que instituiu o tabelamento do frete de transporte rodoviário de cargas.
A edição da MP pelo presidente Michel Temer foi uma das concessões do governo para colocar fim na greve dos caminhoneiros que parou o país por 11 dias.
Tem preço que sobe e desce, mas por que você só sente ficando mais caro no seu bolso? pic.twitter.com/r0iV0aomUk
— Planalto (@planalto) 20 de junho de 2018
"Também tem aquela coisa, né, não dá para o governo controlar tudo. Tem preço que depende do que acontece lá fora... 'Ah, mas o governo podia tabelar os preços'. Tá louco! Não é assim que as coisas funcionam. Se o governo congela o preço, o produtor pode se recusar a vender ou parar de produzir", afirma o protagonista do vídeo.
O ator diz ainda que, se o governo resolver bancar a diferença de um determinado produto, a verba sairá da "grana dos impostos". "O governo não está com dinheiro sobrando, pelo contrário, está faltando", alerta. Ele cita ainda que já tentaram fazer um tabelamento no passado e que não deu certo. "Esse tipo de política pode ter péssimas consequências", completa.
O narrador sustenta ainda na peça que há produtos que têm seus preços regulados internacionalmente e que eles não tem relação com a atuação do governo.
A edição da MP com o tabelamento do frete e a discussão sobre a política de preços de combustíveis da Petrobras gerou forte reação dos mercados financeiros e de importantes economistas, que viram a medida como uma possibilidade de controle mais amplo dos preços pelo governo.