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Política

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Em nova reviravolta, Republicanos confirma Cleitinho Azevedo como candidato a governador de Minas

Partido confirmou a decisão em nota oficial e candidato dará coletiva em Divinópolis para anúncio

7 ago 2026 - 21h23
(atualizado às 22h20)
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Em nova reviravolta na disputa eleitoral de Minas Gerais, o Republicanos confirmou o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como candidato a governador. A informação foi oficializada em nota da legenda. O candidato concedeu coletiva neste sábado, em Divinópolis (MG), para anunciar a candidatura. Durante a coletiva, os aliados chegaram a ligar para o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, para ouvir o "sim" do presidente do partido.

"Quero te agradecer (Pereira) por confiar em mim. Como eu falei, estou passando um momento difícil, mas vou pra guerra ferido porque eu vou ter milhões de soldados me defendendo aqui em Minas Gerais", disse Cleitinho ao presidente de seu partido. O irmão mais novo do senador, Matheus Azevedo, morreu no último dia 18 de julho, vítima de uma leucemia.

Mais cedo, após uma série de idas e vindas, o grupo se reuniu novamente com Pereira, em Vinhedo (SP), e recebeu o aval do dirigente partidário.

"A decisão foi tomada após o senador reconhecer os equívocos cometidos durante o processo, apresentar formalmente suas desculpas à direção nacional e estadual do partido, à população mineira e às forças políticas envolvidas na construção eleitoral, além de assumir o compromisso definitivo de levar sua candidatura até o fim", disse o Republicanos na nota divulgada à imprensa.

O texto acrescenta que o "episódio está encerrado" e que Cleitinho agora assume a "responsabilidade" de honrar os compromissos assumidos com o "partido, seus candidatos, seus aliados e, principalmente, com o povo mineiro".

Cleitinho Azevedo, em coletiva na qual anunciou que será candidato a governador de Minas
Cleitinho Azevedo, em coletiva na qual anunciou que será candidato a governador de Minas
Foto: @cleitinhoazevedo via Instagram/Reprodução / Estadão

A nota afirma que Pereira reavaliou sua posição diante dos apelos dos candidatos a deputado pelo partido em Minas Gerais e que também pesou a liderança de Cleitinho nas pesquisas - o senador informou que não fará uso do fundo eleitoral na campanha.

"Marcos Pereira manteve sua posição enquanto permaneceram as incertezas. Reavaliou-a somente diante de fatos novos, compromissos objetivos e, sobretudo, dos reiterados apelos dos candidatos a deputado federal e estadual do Republicanos em Minas Gerais, que demonstraram a importância de uma candidatura própria e competitiva ao Governo do Estado para o fortalecimento do projeto partidário e das chapas proporcionais.

Candidato ao Senado pela federação União-PP, que apoia a reeleição do governador Mateus Simões (PSD), o ex-secretário do governo Zema Marcelo Aro (PP) declarou apoio a Cleitinho durante a coletiva e fez um apelo para que a direita se una em torno do senador. O PL, de Flávio Bolsonaro (PL), queria apoiar Cleitinho, mas, diante da indefinição, lançou o empresário Flávio Roscoe (PL).

"Faço um apelo aos outros partidos que estão no nosso campo: ainda dá tempo. Até o dia 15 é a hora da gente ceder para aquele que realmente tem condição de ganhar e governar o Estado, que é o Cleitinho", declarou.

Questionado se apoiaria alguém a nível nacional, Cleitinho disse que a decisão será tomada posteriormente junto com o partido.

O Estadão questionou Valdemar Costa Neto, presidente do PL, se há possibilidade do partido apoiar Cleitinho e indicar Roscoe como vice. "Não sei", respondeu ele.

Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) divulgou um vídeo no qual reafirma o apoio à candidatura de Roscoe e sinaliza para uma aliança com Cleitinho somente no segundo turo.

"Passamos quase 120 dias com outros partidos, em especial com o senador Cleitinho para que ele tomasse a decisão de ser candidato. Em função dessa instabilidade, decidimos pela candidatura de Flávio Roscoe. [...] Flávio Bolsonaro para presidente, Flávio Roscoe para o governo de Minas. Certamente, aqueles que pensam como nós vão convergir no segundo turno", disse Marinho.

Os discursos durante a entrevista coletiva em Divinópolis deram a entender que o vice de Cleitinho será o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). Apesar disso, Cleitinho não disse com todas as letras que essa será a chapa.

O Estadão teve acesso a uma carta que Cleitinho enviou a Marcos Pereira, na qual pede desculpas ao presidente e à direção nacional do partido pelas "idas e vindas" e promete que não irá desistir da campanha no meio do caminho.

Ele também reconheceu a "autoridade da direção do Republicanos e a hierarquia do partido".

"Prometo que vou me dedicar de corpo e alma na campanha, trabalhando duro para me eleger e também para eleger os candidatos do Republicanos a deputado estadual e a deputado federal, ajudando a formar uma bancada grande e forte pro nosso partido na Assembleia e na Câmara dos Deputados [...] e ao Senado", escreveu Cleitinho.

Mesmo sem a autorização da direção nacional, o presidente do Republicanos em Minas, o deputado federal Euclydes Pettersen, registrou, nas últimas horas do prazo, que terminou na quarta-feira, 5, uma ata na Justiça Eleitoral informando que o partido lançaria candidato ao Executivo mineiro.

O movimento deu sobrevida a Cleitinho, já que os nomes que comporão a chapa podem ser definidos até o dia 15 de agosto. Na tarde desta sexta-feira, o ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Republicanos), convocou uma caminhada com trajeto de 40 quilômetros para demonstrar apoio e pressionar a sigla a aceitar a candidatura do irmão.

Cotado para ser candidato ao Senado na chapa de Cleitinho, Gleidson deixou o ato às pressas após ter sido chamado para participar da reunião com Pereira.

A novela sobre a candidatura de Cleitinho se arrasta há meses. Após ele adiar sucessivas vezes o anúncio sobre a candidatura, o Republicanos divulgou uma nota no fim do mês passado afirmando que não teria candidato ao Palácio Tiradentes. Na mesma data, Cleitinho convocou uma coletiva de imprensa na mesma praça desta sexta-feira e disse que convenceria Marcos Pereira a mudar de ideia.

Dias depois, em novam mudança, o senador chorou ao desistir da candidatura em um vídeo gravado ao lado do presidente do Republicanos. Na ocasião, Cleitinho disse que não tinha condições emocionais de disputar uma eleição após a morte de seu irmão mais novo.

Menos de 24 horas após a gravação ser divulgada, Cleitinho interrompeu a convenção nacional do Republicanos para pedir o partido o lançasse candidato. Ele argumentou que sua mãe e seus outros irmãos pediram que ele disputasse a eleição e que eles lhe dariam suporte emocional na empreitada.

Marcos Pereira negou o pedido naquele momento, em um discurso de mais de 25 minutos no qual demonstrou irritação com a instabilidade do senador. Ele manifestou solidariedade com o momento difícil vivido por Cleitinho, mas disse que "não seria irresponsável de colocar o Estado nas mãos de uma pessoa que "ora pensa uma coisa, e cinco minutos depois pensa outra".

Estadão
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