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Política

Em Hannover, Lula defende imigração diante de chanceler alemão criticado por declarações

20 abr 2026 - 09h44
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu a imigração em discurso na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, nesta segunda-feira, 20. Lula falou sobre o tema, que causa polêmica no continente europeu e é chave nas eleições, ao lado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, que já foi criticado em mais de uma oportunidade por declarações ou políticas anti-imigração.

"Somos um país criado por imigrantes junto com indígenas e com os negros. Não temos nada contra imigração. Sejam bem-vindos os que queiram chegar ao nosso país para trabalhar e produzir, os que querem defender a democracia, o multilateralismo e a paz", afirmou o presidente brasileiro na abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover.

Em março deste ano, por exemplo, Merz disse que, "nos próximos três anos, cerca de 80% dos sírios que moram na Alemanha devem voltar para seu país natal". Segundo ele, a situação na Síria "mudou fundamentalmente" e, por isso, a "necessidade de proteção (desses imigrantes) deve ser reavaliada". A fala causou críticas internas e externas ao primeiro-ministro alemão. Atualmente, cerca de 950 mil sírios vivem no país.

Desde que assumiu o poder, em maio de 2025, Merz adotou uma política mais restritiva em relação à imigração. Para além da retórica, como no caso dos sírios, o chanceler alemão também aumentou as deportações de imigrantes - em 2025, esse número cresceu 25% em relação a 2024.

Lula diz que Brasil 'cansou de ser pequeno'

Lula também disse nesta segunda-feira, 20, que o Brasil se "cansou de ser pequeno, em vias de desenvolvimento". "Quando o Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e na oferta de combustível renovável ao mundo, não estamos falando pouca coisa. Estamos falando de um país que cansou de ser pequeno, em vias de desenvolvimento. Um país que cansou de ser tratado como terceiro mundo, como invisível", afirmou o presidente na abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover.

O petista disse que o Brasil tem interesse "em fazer com que nossa aliança com Europa e Alemanha seja cada vez mais produtiva, eficaz e capaz de proporcionar aos nossos povos a perspectiva de um futuro mais promissor". Também argumentou que o Brasil tem uma "economia razoavelmente estável" e que a ida à feira industrial é importante para o compartilhamento de informações.

"É com essa cara que viemos a Hannover. Primeiro para aprender o que a indústria mundial tem de novidade para o mundo. Segundo, aprender com a capacidade tecnológica e produtiva do povo alemão. Terceiro, mostrar aquilo que somos capazes de fazer", declarou.

"Brasil quer se transformar em uma economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e pequeno. Temos boa base intelectual, tecnológica, temos empresas extraordinárias como a Petrobras e a Embraer", completou.

Conflitos mundiais

O presidente também aproveitou para falar sobre a situação dos conflitos mundiais. Disse que "não é possível que nós não tenhamos noção de que precisamos mudar essa situação mundial".

Lula pediu união de "todos que defendem o multilateralismo, que não querem guerra, querem paz, os que querem construir e não destruir, os que querem defender a vida, e não a morte, e pensam no futuro da humanidade humana". Também aproveitou para criticar as redes sociais, algo recorrente em seus discursos.

"A era do argumentou acabou, a era da verdade se esvaiu, estamos vivendo a era da fake news. Quanto menos verdade você falar, mais importante você passa a ser. E o mundo não pode ser dirigido por mentiras", declarou o presidente da República.

Estadão
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