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Eduardo Bolsonaro assume PSL-SP sem citar vazamento de Moro

Deputado afirma querer partido mais conservador; principal ministro do governo está sob fogo cerrado

10 jun 2019
20h20
atualizado em 11/6/2019 às 12h09
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Um partido com cara "muito mais conservadora" é o que Eduardo Bolsonaro, novo presidente do PSL em SP, afirma querer. Sua segunda prioridade, diz, são as eleições municipais de 2020.

Ele tomou posse nessa segunda-feira (10). Nos discursos houve críticas à imprensa, mas sem citação direta aos diálogos publicados pelo site The Intercept Brasil entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Eduardo Bolsonaro , fala na tribuna do Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão solene em Homenagem aos 210 Anos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro
Eduardo Bolsonaro , fala na tribuna do Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão solene em Homenagem aos 210 Anos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro
Foto: Renato Costa / Framephoto / Estadão

Eduardo Bolsonaro recebeu o cargo do senador Major Olímpio, que comandou o PSL Paulista durante as eleições de 2018 e os meses seguintes.

No palco estavam com eles lideranças do partido como Luciano Bivar (presidente nacional do partido) e Gil Diniz, deputado estadual e agora vice presidente do diretório de SP.

Um dos mais aplaudidos foi Luiz Philippe de Orleans e Bragança, integrante da direção do PSL Paulista, deputado estadual e herdeiro da família real.

A deputada federal e líder do governo no Congresso Nacional Joice Hasselmann não estava no palco nem teve presença registrada pelo mestre de cerimônia.

Janaína Paschoal, deputada estadual e uma das figuras mais populares do partido, também não. Janaína rejeita a vivência partidária, e afirma ser favorável a candidaturas independentes.

Filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro assume a presidência do diretório paulista em momento de turbulência interna e externa à sigla.

Internamente, há desentendimentos entre figuras importantes. Na semana passada, Major Olímpio e Joice Hasselmann discutiram em público, no Congresso Nacional. O deputado federal Alexandre Frota andou fazendo críticas ao governo.

Na entrada do evento, Major Olímpio afirmou que se trata de uma posição isolada de Frota, o que não configura uma crise.

"Em nenhum momento houve racha no partido", disse Major Olímpio em discurso. Segundo ele, a passagem de poder para Eduardo Bolsonaro foi harmônica.

Ele, Maior Olímpio, teria pedido para ser substituído e sido atendido pela direção nacional. O senador diz ter cumprido sua "missão". Disse que Eduardo tem o "espírito" do partido. "É o momento do PSL avançar no Estado de São Paulo". Ele diz que espera dezenas de prefeitos eleitos no Estado, e centenas ou milhares de vereadores nas eleições de 2020.

De fora do partido chegam críticas a Sérgio Moro. Moro não tem filiação ao PSL, mas é um dos fiadores morais do governo federal. À frente da Justiça, é considerado um ministro "indemitível".

O site The Intercept Brasil publicou nesse domingo o começo de uma série de reportagens que mostram conversas privadas de Moro, quando ainda era juiz da Lava Jato, com o coordenador do grupo de procuradores federais que integram a operação em Curitiba, Deltan Dallagnol.

Líderes do partido saíram em defesa do ministro nessa segunda-feira, mas os opositores certamente ainda usarão muito a história para desgastar o governo federal.

Nos discursos não houve citação direta ao caso. Major Olímpio, porém, falou em "achincalhamentos criminosos e indevidos".

Luciano Bivar disse que "os ataques que hoje estamos sofrendo na mídia são fruto do desespero". Afirma que o partido enfrenta o sistema.

Eduardo Bolsonaro pediu ajuda dos simpatizantes em sua gestão. "Não vou ser um ditador". Diz não ser paulista e não conhecer suficientemente o Estado. Ele afirma querer consolidar um partido liberal na economia e conservador nos costumes.

A cerimônia de transmissão de cargo foi realizada no Renaissance, hotel de alto padrão localizado em área nobre da capital paulista.

O auditório ficou lotado de simpatizantes do partido. A claque gritou em diversos momentos "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", slogan de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018.

Antes dos apoiadores entrarem, o Terra ouviu um homem da organização do evento compartilhando com outros organizadores um temor pela segurança do evento.

Não havia como revistar os presentes, e havia políticos famosos no local. A reportagem não presenciou, porém, nenhum incidente. Marcada para as 18h, a cerimônia começou apenas às 19h15.

Algumas citações à polícia foram aplaudidas. Eduardo Bolsonaro arrancou risos da plateia por exemplo quando falou, em tom de brincadeira, que o deputado estadual Major Mecca, da Polícia Militar, deveria proteger uma militante do partido.

"Tem quantos autos de resistência, Mecca?", disse Eduardo, referindo-se à forma como são registradas parte das mortes por policiais.

Uma mulher da plateia observou que havia só homens no palco, mas que ela se sentia representada. Eduardo Bolsonaro disse em seguida: "Se precisar de um sexo de cada um nos vamos precisar de umas noventa cadeiras. Tem L, G, B, T, I…".

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Fonte: Equipe portal
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