É falso que militares tenham avisado que não farão nada em caso de intervenção estrangeira no Brasil
MINISTÉRIO DA DEFESA CLASSIFICOU ALEGAÇÃO COMO IMPROCEDENTE
É falsa a postagem que afirma que as Forças Armadas avisaram ao Supremo Tribunal Federal que não agirão em caso de crise ou ameaça estrangeira ao Brasil. O Ministério da Defesa classificou o suposto ultimato como falso e improcedente, sem qualquer registro institucional ou na imprensa. O boato integra uma onda recente de desinformação ligada ao período eleitoral e a infundadas alegações de intervenção dos Estados Unidos no território nacional.
O que estão compartilhando: que militares teriam avisado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não intervirão em caso de crise institucional ou ameaça estrangeira ao Brasil.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Em resposta ao Verifica, o Ministério da Defesa classificou a alegação como "falsa e improcedente". Não existe registro desse ultimato nos canais oficiais das Forças Armadas e na imprensa profissional.
Saiba mais: A postagem no Facebook analisada pelo Verifica tem 46 mil curtidas, 13 mil compartilhamentos e 11 mil comentários. É de um perfil dedicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após condenação pelo STF por liderar conspiração golpista. A publicação atribui aos militares uma declaração endereçada ao Supremo Tribunal Federal: "Olha, não contem conosco pra nada, tá? Não podemos, não queremos, não fazemos".
Além de não exibir uma marca ou fonte oficial que valide o comunicado, a postagem usa uma linguagem que destoa do tom institucional característico. Não existe nenhum manifesto sobre o assunto nos canais de comunicação das Forças Armadas vinculadas ao Ministério da Defesa e em veículos jornalísticos. Questionada sobre o assunto pelo Verifica, a assessoria de imprensa do ministério respondeu por e-mail de maneira sintética: "Trata-se de informação falsa e improcedente".
Alegações sobre possíveis ações dos Estados Unidos em território brasileiro ganharam corpo após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro. A operação das forças de elite americanas foi classificada pelo governo Lula como sequestro. Sob o argumento de combater o narcotráfico internacional, Trump já havia autorizado, no final de 2025, ações militares contra a Venezuela.
Em junho passado, os EUA classificaram o Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, movimento que poderia justificar ações diretas contra as facções criminosas sem o aval do governo brasileiro.
Período eleitoral reforça onda de desinformação
Com a proximidade do segundo turno das eleições, alegações sobre possível interferência dos EUA para favorecer o candidato Flávio Bolsonaro (PL) se intensificaram. Nada foi provado até o momento. Nesta quarta-feira, 7 de outubro, a Polícia Federal arquivou um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para abrir uma investigação sobre o assunto.
O Estadão Verifica tem desmentido com recorrência conteúdos sobre supostas ações dos EUA contra o Brasil, como as que visariam prender Luiz Inácio Lula da Silva (veja exemplos aqui e aqui). Nas últimas semanas, falsos boatos apareceram relacionados ao pouso no País do avião americano usado na captura de Maduro, ao uso pelo Tribunal Superior Eleitoral da Starlink, empresa de Elon Musk, para transmitir votos do interior do Nordeste, e ao fechamento de consulados dos EUA em cidades brasileiras.
O falso comunicado dos militares também foi tema de checagem das agências Lupa e Aos Fatos.
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