Cury e Zema focam debate em críticas ao STF e a reajuste do Bolsa Família às vésperas da eleição
Samara Martins critica proposta de Cury para a defesa das mulheres e concentra participação em temas educacionais; encontro nesta sexta reuniu apenas três candidatos à Presidência
Em debate presidencial esvaziado pela ausência dos líderes nas pesquisas, Romeu Zema e Augusto Cury concentraram ataques ao STF, propondo reformas no Judiciário, e classificaram o recente reajuste do Bolsa Família feito por Lula como eleitoreiro. Zema também defendeu a saída do Brasil dos Brics e se opôs ao fim da escala 6x1. Em contraponto, Samara Martins rechaçou a redução da jornada imposta pelo mercado, defendeu mais verbas para a educação pública e criticou a redução da maioridade penal.
Os candidatos à Presidência Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) participam nesta sexta-feira, 18, do debate presidencial promovido pelo portal Metrópoles, o podcast Inteligência Ltda e a plataforma G4.
No primeiro bloco, o foco esteve nas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao reajuste do Bolsa Família e aos candidatos à frente nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ambos ausentes.
O encontro ficou ainda mais esvaziado devido às desistências dos candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), que cancelaram as participações nos últimos dias.
Em confronto direto com Cury, Romeu Zema afirmou que a Suprema Corte se transformou em um "balcão de negócios".
"Aquele que deveria ser o Tribunal que é referência, que dá bons exemplos, se transformou no Tribunal da corrupção, onde nós estamos assistindo estarrecidos fatos que nós nunca imaginávamos que pudessem acontecer no Brasil. Ministro se aliando, fazendo negócio com bandido, o senhor Daniel Vorcaro."
O candidato do Avante também criticou o STF: "O que aconteceu esses dias foi quase um teatro, e o Flávio Dino pediu vista, e mais uma vez nós vamos colocar debaixo do tapete os grandes problemas da nação". Cury ainda defendeu uma reforma no Judiciário e um mandato de oito anos para ministros do STF, além da investigação de "ministros corruptos".
Augusto Cury chamou a reeleição, o desequilíbrio dos Poderes da República e a interferência do Executivo de "cânceres". Na sequência, Zema sugeriu acabar com decisões monocráticas de magistrados e falou em idade mínima de 60 anos para a Suprema Corte.
O candidato do Novo ainda chamou Davi Alcolumbre (União), presidente do Senado, de "acovardado" e acusou o parlamentar de impedir que o impeachment de ministros seja votado.
Críticas ao reajuste do Bolsa Família
No último bloco, Zema perguntou a Cury sobre a medida do presidente Lula de reajustar o Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno das eleições. "O que Lula está fazendo é uma atitude eleitoreira. Lula ama mais o poder do que a sociedade brasileira", afirmou o escritor.
O ex-governador de Minas se disse favorável ao programa, mas defendeu mais "portas de saída do que de entrada", além de dizer que quer oferecer R$ 5 mil a quem deixar o programa para assumir uma vaga de emprego com carteira assinada. Zema ainda classificou o reajuste como "demagogia" do presidente.
Em resposta à candidata Samara, sobre economia, o ex-governador de Minas Gerais defendeu a saída do Brasil do bloco dos Brics. Zema chamou o grupo de "colcha de retalhos" e disse que os interesses defendidos pelos países são os da China.
Em confronto direto com Augusto Cury, Samara Martins defendeu a responsabilização de plataformas e redes sociais nos casos de crimes de ódio praticados na internet contra mulheres.
Na sequência, questionada por Zema sobre parcerias público-privadas na educação, a candidata da UP defendeu aumento de investimento federal e criticou a privatização de escolas. "Nossa proposta é que o governo garanta mais investimento na educação e não coloca-la como produto."
Sobre combate à violência contra mulheres, a candidata classificou como "insuficiente" a proposta de Cury sobre uso de drones para monitorar agressores.
Samara e Zema debatem fim da escala 6x1 e segurança pública
Questionado sobre o fim da escala 6x1, o candidato do Novo se disse favorável a empregos que paguem bem ao trabalhador e indicou ser contra a aprovação da redução da jornada de trabalho pelo Congresso Nacional. "Por que aqui, em uma canetada de Brasília, o burocrata decide quanto o brasileiro precisa trabalhar? Se ele é jovem pode trabalhar até mais do que 40 horas."
Na réplica, Samara disse que no Brasil não há condições para os empregados negociarem com os patrões qual será a jornada de trabalho. "Eu estive na GM e estão avançado o aumento da jornada de trabalho. Eles trabalham na escala 5x2, e a empresa vai aumentando de uma em uma hora a carga de trabalho. Nós que trabalhamos na 6x1 não temos tempo para nada. Para os defensores da família é uma contradição."
Sobre segurança pública, a candidata da UP disse que o partido encara a questão pela perspectiva social. "Reduzir a maioridade penal é favorecer as facções criminosas no País, porque eles serão recrutados pelo crime, que aparece como alternativa para conseguir advogados. Saem de lá devendo para as facções."
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