Cúpula do PT responsabiliza Sidônio por erros na campanha de Lula e quer guinada na comunicação
Publicitário Otávio Antunes deve integrar equipe, mas, por enquanto, não há sinais de substituição de Raul Rabello, sócio do ministro de Comunicação Social
Após Flávio Bolsonaro liderar o primeiro turno presidencial, a cúpula do PT culpa o ministro Sidônio Palmeira por falhas na campanha de Lula e exige mudanças drásticas na comunicação. O partido critica a atuação nas redes e a polêmica extinção das apostas online antes da votação. Para reagir no segundo turno e atrair jovens, mulheres e o eleitorado de centro, Lula ordenou "mudar tudo", ampliando a coordenação com aliados e cogitando a entrada do marqueteiro Otávio Antunes na propaganda eleitoral.
BRASÍLIA - À procura de culpados pela passagem do senador Flávio Bolsonaro (PT) para o segundo turno da eleição ao Palácio do Planalto na frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT vai dar uma guinada na comunicação da campanha.
Um dia depois de assistir à onda bolsonarista invadir o País, Lula participou de duas reuniões: uma mais reservada, apenas com o seleto grupo de coordenadores de sua campanha, e outra com aliados do PT e de outros partidos.
Sem meias palavras, a ordem de Lula para a equipe foi direta: "mudar tudo" para conseguir se aproximar dos jovens, das mulheres e do espectro ideológico de centro. O núcleo de coordenação da campanha será ampliado, com a participação de partidos aliados, como o PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin, e terá maior presença de integrantes do Nordeste, como o líder do PT no Senado, Camilo Santana.
No inventário de erros do primeiro turno, dirigentes do PT responsabilizam o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, por boa parte dos problemas. Sidônio é sócio do publicitário Raul Rabello, que assina a propaganda eleitoral de Lula.
Ao menos por enquanto, não se discute a substituição de Rabello, mas, sim, uma parceria com o marqueteiro Otávio Antunes, dono de um estilo mais agressivo de comunicação. O publicitário foi responsável pelos programas eleitorais de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo.
Haddad perdeu a eleição ao Palácio dos Bandeirantes, no primeiro turno, para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas essa fatura não foi debitada na conta de Antunes. O publicitário foi o criador da campanha sobre a "taxação BBB" - bilionários, bancos e bets -, lançada em meados do ano passado, em defesa da cobrança de impostos dos mais ricos. com a isenção dos mais pobres.
O processo de "caça às bruxas do PT" atribui a Sidônio a responsabilidade por convencer Lula a extinguir todas as apostas online no País, as chamadas bets, às vésperas do primeiro turno.
Coordenador da campanha de Lula, o presidente do PT, Edinho Silva, e o Ministério da Fazenda foram contra a medida radical, sob o argumento de que uma iniciativa assim, tomada de forma atabalhoada, não apenas provocaria impacto sobre a arrecadação federal como empurraria grande parte do eleitorado para o colo de Flávio.
A ideia inicial previa apenas a proibição dos cassinos online, como o jogo do Tigrinho. Mas Sidônio bateu o pé, mesmo comprando briga com Edinho e com a Fazenda. Procurado, o ministro não se manifestou sobre a insatisfação manifestada pelos petistas.
Além disso, o diagnóstico do PT é o de que o trabalho de redes sociais da campanha de Lula, no primeiro turno, foi pífio, possibilitando o avanço de Flávio nessa seara, até mesmo no exterior. Edinho chegou a acusar, sem provas, tentativas de interferência dos Estados Unidos e de outros países na disputa presidencial.
Como mostrou o Estadão, o trabalho de redes da campanha ficou fragmentado. Os perfis de Lula nas redes sociais são administrados pelo fotógrafo oficial, Ricardo Stuckert e pela jornalista Nicole Briones, que trabalha no PT e cuida das plataformas digitais.
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