Cabral diz que candidatura de Pezão no RJ é "irrevogável"
A candidatura do vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, do PMDB, ao comando do governo do Estado no ano que vem é irrevogável, disse o governador Sérgio Cabral, um dos principais líderes do PMDB, que também disse acreditar na manutenção da aliança com o PT no Estado.
Os dois partidos estão em rota de colisão desde que o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou o desejo de lançar sua candidatura ao Governo do Estado na eleição de 2014.
A eventual confirmação da candidatura de Lindbergh pode representar o fim da aliança entre PT e PMDB, que estiveram juntos nas últimas eleições no Rio de Janeiro.
Em troca da parceria, o PMDB apoiou incondicionalmente nos últimos anos o PT em nível nacional, e ajudou nas eleições do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.
A turbulência na relação entre os dois aliados fez com que Lula entrasse em campo para negociar um acordo que não prejudique a aliança entre petistas e peemedebistas no âmbito nacional.
"O Pezão é o nome mais preparado e em condições de dar continuidade nas conquistas do Estado nesses últimos sete anos... Isso é irrevogável, absolutamente. A decisão é inegociável e ele é o nosso candidato", declarou Cabral a jornalistas.
Parte do PMDB fluminense, liderado pelo grupo de Cabral, começou a cogitar essa semana que o partido poderia abrir mão de uma cabeça de chapa em 2014 em nome de Lindbergh devido ao desempenho ruim de Pezão nas pesquisas de opinião e da própria baixa aprovação do governo Cabral.
"É mais fácil eu mudar de sexo do que o PMDB de opinião sobre a candidatura do Pezão", resumiu o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, o peemedebista Paulo Mello, da ala de Cabral
O governador vem conversando com Lula para ajudá-lo a intermediar essa disputa no Estado. Lula e Lindbergh também teriam conversado sobre o tema essa semana.
"Tenho profundo respeito pelo Lindbergh e pelo PT do Rio de Janeiro que está conosco há sete anos", afirmou Cabral.
"Torço muito por essa aliança e acho um erro político que ela deixe de existir... ainda tenho esperança dela continuar. Tenho certeza que o presidente Lula vai fazer o melhor por isso e ele tem uma posição estratégica nisso", acrescentou.
Pezão aparece nas pesquisas de opinião atrás de Lindbergh e o petista também está abaixo de outros potenciais candidatos ao governo do Estado, como o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e do ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB).
O vice-governador considera normal seu posicionamento nas pesquisas e acredita que quando efetivamente começar a campanha eleitoral seu crescimento será inevitável.
"Sou pouco conhecido e meus adversários fizeram campanha na TV no ano passado", disse Pezão.
Ele chegou a oferecer a posição de vice na chapa do PMDB para o governo do Estado a Lindbergh e também defendeu que o petista siga com seu mandato no Senado.
"Não podemos perder a melhor aliança do Brasil. Acho que o Lindbergh está fazendo um trabalho muito bom no Senado, tem mandato de oito anos e ainda temos pela frente eleição para prefeito e outra de governador depois", disse.
"Aceitaria que ele quisesse ser meu vice", finalizou Pezão que prometeu procurar o petista para tentar um acordo. "Vou trabalhar muito para o PT estar na nossa chapa majoritária", disse Pezão.
(Por Rodrigo Viga Gaier)