Bolsonaro é levado para o hospital em Brasília com calafrios e vômitos
Ex-presidente está preso na Papudinha onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi encaminhado para o hospital na manhã desta sexta-feira, 13, em Brasília, após ter tido febre, crises de vômito e redução significativa de oxigenação no sangue. O boletim médico divulgado no início da tarde informou que ele está com "broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa".
Bolsonaro foi atendido na prisão pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por volta das 8h. Em nota enviada ao Estadão, o Samu informou que o ex-presidente apresentava "caso clínico sugestivo à pneumonia queixando-se de falta de ar".
Ele chegou ao hospital DF Star por volta das 9h, em uma operação do Samu em conjunto com o Corpo de Bombeiros e com apoio da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o pai teve "calafrios e vômitos". "Acabo de receber a notícia de que meu pai @jairbolsonar está a caminho do hospital, mais uma vez… Informações preliminares de que acordou com calafrios e vomitou bastante. Peço orações para que não seja nada grave", escreveu Flávio no X (antigo Twitter).
Acabo de receber a notícia de que meu pai @jairbolsonaro está a caminho do hospital, mais uma vez…
Informações preliminares de que acordou com calafrios e vomitou bastante.
Peço orações para que não seja nada grave.
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) March 13, 2026
Aliado do ex-presidente, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) manifestou preocupação com o estado de saúde de Bolsonaro. "Recebo essa informação com preocupação e oração. Bolsonaro é um homem que já enfrentou muitas batalhas pela vida e pelo Brasil, e tenho fé de que mais uma vez superará esse momento", escreveu.
Acabo de receber a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro foi encaminhado ao hospital novamente.
Recebo essa informação com preocupação e oração. Bolsonaro é um homem que já enfrentou muitas batalhas pela vida e pelo Brasil, e tenho fé de que mais uma vez superará esse…
— Sóstenes Cavalcante (@DepSostenes) March 13, 2026
Bolsonaro está detido no 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Em rede social, o advogado Paulo Cunha Bueno, responsável pela defesa do ex-presidente, reafirmou o pedido para que Bolsonaro seja transferido para a prisão domiciliar. "A defesa tem insistido reiteradamente na necessidade da transferência do Presidente para a custódia domiciliar, diante de um quadro de saúde que demanda cuidados e precauções que jamais poderão ser dispensadas em qualquer estabelecimento prisional, por melhores condições que apresente", escreveu no X.
Ele voltou a citar o caso do ex-presidente Fernando Collor, que está em prisão domiciliar. "Em cada oportunidade que me manifesto sobre esse estado de coisas na execução da pena - que hoje é o arremate e a face crudelíssima de uma lawfare sem notícia histórica em nossa justiça -, faço referência ao precedente recentíssimo, relatado pelo mesmo Ministro Alexandre de Moraes, em relação ao Presidente Fernando Collor de Mello. Condenado por corrupção foi-lhe garantindo, sem maiores esforços de convencimento, a custódia domiciliar a partir um diagnóstico médico de apneia do sono e princípio de doença de Parkinson, quadro, desnecessário dizer, minúsculo em relação ao do Presidente Bolsonaro."
O Presidente Bolsonaro foi conduzido ao Hospital DF Star em Brasília nessa manhã, após ter tido febre, crises de vômito e redução significativa de oxigenação no sangue. O diagnóstico ainda não foi concluído pela equipe liderada pelo Dr. Leandro Echenique.
A defesa tem insistido…
— Paulo Cunha Bueno (@paulocunhabueno) March 13, 2026
Pedido de prisão domiciliar
No dia 5 de março a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para confirmar a decisão de manter o ex-presidente na prisão. A defesa de Bolsonaro havia solicitado sua transferência para a prisão domiciliar alegando que a Papudinha não tem estrutura suficiente para os atendimentos médicos necessários.
No requerimento da defesa, os advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser afirmam que o ex-presidente apresenta um "quadro de doenças crônicas múltiplas, sequelas cirúrgicas relevantes e alterações funcionais", que, segundo a defesa, justificam a concessão do benefício.
O relator do processo, ministro do STF Alexandre de Moraes, sustentou que a prisão "atende integralmente às necessidades do condenado". O ministro afirma que na prisão, Bolsonaro "tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, comprovando a intensa atividade política, o que corrobora os atestados médicos no sentido de sua boa condição de saúde física e mental".
O magistrado especificou ainda que a Papudinha possui a estrutura adequada para atender às necessidades do ex-presidente. "Com a possibilidade e efetiva realização de serviços médicos contínuos, com múltiplos atendimentos diários, realização de sessões de fisioterapia, atividades físicas, assistência religiosa, além de garantir ao réu, em absoluta garantia do princípio da dignidade da pessoa humana, o recebimento de numerosas visitas de familiares, amigos, parentes, amigos e aliados políticos."
Em seu voto a favor de manter Bolsonaro na prisão, Moraes reforçou que o ex-presidente só está detido na Papudinha porque tentou romper a tornozeleira eletrônica enquanto cumpria prisão domiciliar.