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Bolsonaro: vacina superfaturada era estratégia de empresas

Presidente não explicou o motivo pelo qual buscou tratativas com terceiros, em vez de recorrer ao Butantan

23 jul 2021 14h56
| atualizado às 15h18
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O presidente da República, Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro da Defesa, Walter Braga Netto
O presidente da República, Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro da Defesa, Walter Braga Netto
Foto: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nesta sexta-feira, 23, que a oferta superfaturada de doses da vacina CoronaVac faz parte de "estratégia" dos intermediários com os quais o ex-ministro Eduardo Pazuello se reuniu.

Bolsonaro voltou a negar que o então chefe da pasta tenha se envolvido nas negociações de aquisição do imunizante, apesar de vídeo vazado mostrá-lo no encontro com os empresários, realizado no dia 11 de março.

"A reunião não foi com ele, foi com o secretário dele. Ele foi lá e cumprimentou o pessoal. E não foi aceita aquela proposta. Agora, o que eu vi que estava discutindo é o seguinte: eles ofereceram uma vacina com o preço lá em cima, com metade do pagamento adiantado. É estratégia, pô [sic]. Com toda a certeza a segunda reunião, caso tivesse, 'a gente diminui o preço da vacina, e você dá metade da adiantado'", disse a apoiadores na saída do palácio da Alvorada.

Bolsonaro não explicou o motivo pelo qual buscou tratativas com terceiros, em vez de recorrer ao Instituto Butantan. Na ocasião, as vacinas foram oferecidas ao custo de US$ 28 por dose, valor quase três vezes maior do que os US$ 10 previstos no contrato entre o governo federal e o Butantan, responsável pelo desenvolvimento do produto em parceria com a empresa chinesa Sinovac.

O vídeo da reunião veio a público após Pazuello garantir, em depoimento à CPI da Covid, que não participou das tratativas de compra de vacinas por questões éticas. Segundo ele, haveria conflito de interesses o chefe da Saúde negociar diretamente com empresários interessados na venda.

Estadão
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