Atas do PL deixam brecha para Gaspar ser candidato ao Senado em caso de mudança de vice de Flávio
Especialista em direito eleitoral afirma que procedimento é comum, mas mantém indicação de Alfredo Gaspar em aberto até 15 de agosto
Atas do Partido Liberal (PL) publicadas nesta semana deixam em aberto a possibilidade de trocar o vice-candidato na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. A mudança poderia ocorrer até o fim do prazo de registro de candidaturas, em 15 de agosto.
Uma ata da Comissão Executiva Nacional, assinada nesta quarta-feira, 5, registra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente. Já a ata da convenção estadual do PL em Alagoas, de um dia antes, o mantém como candidato ao Senado.
Caso o partido decida substituí-lo na chapa presidencial, Alfredo Gaspar poderia voltar a concorrer à vaga no Senado. Um especialista em direito eleitoral ouvido pelo Estadão, sob reserva, afirma que manter essa brecha é procedimento comum e não indica, por si só, insegurança do partido quanto à escolha do vice.
O especialista pondera, no entanto, que a delegação de poderes do PL é ampla — diferente de casos em que a delegação se restringe a ajustes pontuais em coligações.
Segundo ele, embora o procedimento seja comum, isso não descarta a hipótese de que a brecha tenha sido usada, também, como salvaguarda diante da repercussão negativa provocada pela escolha de Alfredo Gaspar como vice.
O deputado foi acusado por adversários de estupro de vulnerável e tomou lugar na chapa que seria ocupado por uma mulher. Ele nega as acusações.
A ata da Comissão Executiva Nacional foi aprovada por unanimidade, com 22 votos favoráveis, e formaliza o lançamento de chapa pura do PL à Presidência, sem coligação, encabeçada por Flávio Bolsonaro e tendo Alfredo Gaspar como vice. Já em Alagoas, a candidatura de Alfredo Gaspar ao Senado também foi aprovada por unanimidade, em coligação com a Federação União Progressista, tendo como cabeça de chapa o deputado federal Arthur Lira (PP-AL).
Caso Alfredo Gaspar permaneça como vice de Flávio Bolsonaro, a vaga ao Senado por Alagoas não ficaria vazia. A própria ata estadual delega à Comissão Executiva do PL em Alagoas poderes para "ratificar, deliberar, substituir e alterar" a indicação dos suplentes ao Senado, além de autorizar a executiva a decidir sobre substituição de candidaturas e preenchimento de vagas remanescentes até 15 de agosto. Na prática, isso abre caminho para que a executiva estadual indique outro nome à cabeça de chapa.
Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro não se pronunciou sobre o caso.
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