'Ao menos estamos livres', disse Eduardo Bolsonaro em foto ao lado de Ramagem nos EUA em fevereiro
Ex-deputado federal e ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem foi preso pelo ICE nesta segunda-feira. Detalhes da detenção não foram informados
Cerca de dois meses antes de ser preso nos Estados Unidos, o ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, apareceu em uma foto ao lado do influenciador bolsonarista Allan do Santos e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, na qual o trio afirmava "estar livre" nos EUA.
"Não podemos retornar à nossa pátria, mas ao menos estamos livres! Em comum: seguir lutando por liberdade", escreveu o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fazendo menções a Allan e também a Ramagem. No momento do registro, feito no dia 13 de fevereiro, o trio estava nos Estados Unidos, para onde fugiram alegando "perseguição" do Supremo Tribunal Federal.
"São pessoas que já enfrentam mais de 3 anos a dor de não ver suas próprias famílias, esposas com contas congeladas sem explicação, salários bloqueados, impedidos de trabalhar e, pior, da noite para o dia sem ter como sustentar seus filhos", continua a postagem de Eduardo.
Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira, 13, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE), conforme a Polícia Federal brasileira.
Aliado de Ramagem, o influenciador Paulo Figueiredo afirma que ele foi detido apenas por uma infração de trânsito e que está prestando assistência para que ele não seja deportado (veja mais abaixo).
O ICE é um serviço de policiamento da área de alfândega e imigração dos EUA que tem o objetivo combater a imigração ilegal sob a justificativa de manutenção da segurança nacional.
Não podemos retornar à nossa pátria, mas ao menos estamos livres! Em comum: seguir lutando por liberdade > @allanconta5 @delegadoramagem
São pessoas que já enfrentam mais de 3 anos a dor de não ver suas próprias famílias, esposas com contas congeladas sem explicação, salários… pic.twitter.com/ADr1w11Jcw
— Eduardo Bolsonaro (@BolsonaroSP) February 12, 2026
Ramagem fugiu para os Estados Unidos durante o julgamento da ação penal da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Eleito deputado federal em 2022, ele perdeu o mandato no fim do ano passado e foi condenado a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado.
Para fugir do Brasil, o ex-diretor da Abin deixou o País por Roraima e entrou na Guiana de carro, de onde embarcou num avião para os Estados Unidos. O governo americano vinha resistindo a cumprir outras ordens de Moraes para extraditar aliados do ex-presidente que fugiram aos EUA, como o blogueiro Allan dos Santos, foragido desde 2021.
Eduardo Bolsonaro teve um interrogatório marcado para esta terça-feira, 14. Ele é réu por coação do Judiciário no período que antecedeu o julgamento da trama golpista, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado.
Extradição
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia solicitado a extradição de Ramagem para o cumprimento da pena no Brasil. Ainda não há informações se a detenção realizada pelo serviço de imigração tem relação com esse pedido de extradição.
"A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA", diz a nota da Polícia Federal. "O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", complementa.
Em nota, Figueiredo afirmou que a prisão não tem relação com o pedido de extradição feito por Moraes.
"A Immigrex, empresa da qual sou sócio, está prestando toda a assistência a Ramagem e sua família. Nossa expectativa é de que seja liberado o mais rapidamente possível e, no momento, não vemos qualquer risco de deportação", afirmou o aliado de Ramagem, por meio de nota.
"Isso não tem absolutamente nada a ver com o pedido de extradição do Brasil, que segue em análise no Departamento de Estado", acrescentou./COLABORARAM AGUIRRE TALENTO E GUILHERMO CAETANO
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