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Crivella sinaliza apoiar Bolsonaro, mas resiste a armamento

'Minha posição é de cautela', diz prefeito do Rio de Janeiro; segundo ele, PRB deve apoiar medidas sem participar do governo

23 nov 2018
07h47
atualizado às 09h21
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O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que uma das principais forças do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) é a defesa da família. "O evangélico só pediu uma coisa: preserve a família. Qualquer ação de Bolsonaro, mesmo antes de tomar posse de governo, que não reafirme isso trará uma imensa decepção a uma parcela da população", disse.

Crivella também afirmou que seu PRB, ligado à Igreja Universal, deverá "apoiar as medidas [de Bolsonaro] sem participar do governo". Ele ainda negou que a entidade religiosa deva ter mais espaço na nova gestão. "O que ela deve buscar é a liberdade política. Isso é o que favorece a evangelização".

Apesar da sinalizar adesão, o político falou em cautela quanto a uma das principais pautas do presidente eleito: a flexibilização do desarmamento. "No Rio somos traumatizados com mais armamentos por conta de crianças que perdemos em balas perdidas."

A seguir os principais trechos da entrevista:

Quais são as expectativas em relação ao governo Bolsonaro?

Bolsonaro é o portador de imensas esperanças do povo brasileiro na inversão de um ciclo. Vivemos por um tempo com a predominância do trabalho e estamos indo agora para outra aposta: a predominância do capital. Se ele puder retirar a corrupção do sistema já terá dado grande contribuição.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB)
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB)
Foto: Dida Sampaio / Estadão Conteúdo

Bolsonaro foi eleito com um discurso contra métodos da classe política. Mas será possível governar sem esses métodos?

As instituições vão ter que se amoldar. O Congresso, por exemplo, não dá mais para ocupar espaços como no passado. Agora precisam ser ocupados com ideias, novas fórmulas... Ou seguimos nesse rumo ou o Brasil vai viver um conflito em que as mudanças aprovadas nas urnas não serão implementadas e o País vai parar. Não podemos nos dar o luxo de parar.

Bolsonaro tem indicado que vai beneficiar a relação com grupos temáticos no Congresso, mas a indicação de Mozart Neves para a Educação gerou crise com a bancada evangélica...

A força de Bolsonaro se deve a dois fatores: a sociedade achava que a violência precisava ser combatida de forma mais dura - e que ele era a pessoa para isso. A segunda era a preservação da família. O evangélico só pediu uma coisa: preserve a família. Deus é família. Esse princípio da família tradicional é que comoveu a todos. Qualquer ação de Bolsonaro, mesmo antes de tomar posse, que não reafirme isso trará uma imensa decepção a uma parcela da população.

A aprovação do Escola Sem Partido é fundamental?

Se tiver qualquer projeto que tenha iniciado no governo passado ou no Ministério de Educação no período do Fernando Haddad (PT), isso trará imensa controvérsia ao governo Bolsonaro. Acredito que a bancada ruralista, da bala e a evangélica não queiram saber quais são os ministérios, diretorias, gerências... Porém, todos eles permanecem no mandato com um eleitorado que tem uma pauta que eles devem defender e preservar. É isso e ponto.

Qual será sua primeira demanda ao governo Bolsonaro?

O pacto federativo. O grande problema, no caso do Rio, é que o governo federal arrecada R$ 160 bilhões e quanto é que volta para o Rio? 4 bilhões. É insuportável.

Que acha da flexibilização da lei do desarmamento?

No Rio somos traumatizados com mais armamentos por conta de crianças que perdemos em balas perdidas. Minha posição é de cautela.

Defende mais espaço para a Igreja Universal no governo?

Nunca. O que ela deve buscar é a liberdade política. Isso é o que favorece a evangelização.

E em relação ao PRB?

O PRB deve apoiar as medidas sem participar do governo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Estadão
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