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Política

1º de Maio: governistas pedem fim da escala 6x1 e oposição faz manifestação esvaziada na Paulista

Grupo conservador 'Patriotas do QG' reservou o principal ponto da cidade, a Avenida Paulista, mas reuniu poucas dezenas de pessoas; esquerda se concentrou nas praças Roosevelt e da República

1 mai 2026 - 17h21
(atualizado às 17h55)
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SÃO PAULO E BRASÍLIA - O Dia do Trabalhador foi marcado pela baixa adesão às manifestações em São Paulo nesta sexta-feira, 1.º. Na Avenida Paulista, o ato foi organizado pela direita, enquanto as manifestações da esquerda pelo fim da escala 6x1 foram descentralizadas pela cidade.

Neste 1º de Maio, a principal via da cidade teve manifestação convocada pelo grupo conservador "Patriotas do QG". Com pouco mais de 4 mil seguidores na rede social Instagram, o grupo surpreendeu ao reservar a Paulista com antecedência com o governo de São Paulo.

Os movimentos sindicais, tradicionalmente protagonistas das mobilizações na data, realizaram manifestações em outras regiões de São Paulo, como nas praças Roosevelt e da República e no bairro da Liberdade, e também perderam adesão.

Ato de 1º de Maio na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo
Ato de 1º de Maio na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo
Foto: Sergio Barzaghi/Estadão / Estadão

A principal mobilização da esquerda ocorreu na Praça Roosevelt e teve como principais pautas o fim da escala 6X1, o combate ao feminicídio em São Paulo, a regulamentação do trabalho por aplicativo e a valorização do salário mínimo.

O ato foi organizado pela Intersindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT).

A deputada federal Erika Hilton (PSOL), autora da proposta que busca acabar com a escala 6x1, discursou na Praça Roosevelt. A parlamentar fez críticas ao Congresso, classificado por ela como "inimigo do povo", criticou a candidatura de Flávio Bolsonaro e defendeu acabar com o que chamou de jornada de trabalho "cruel, perversa e desumana".

"Nós avançamos e iremos avançar, porque nós não suportamos mais essa escala desumana e obsoleta. Esta luta é de todos nós", disse.

Outros parlamentares, como o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) e a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), também discursaram durante a manifestação.

Mobilização na Praça Franklin Roosevelt, em São Paulo, de centrais sindicais e movimentos sociais pelo fim da escala 6x1
Mobilização na Praça Franklin Roosevelt, em São Paulo, de centrais sindicais e movimentos sociais pelo fim da escala 6x1
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Houve concentração também na Praça da República e na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Este último contou com a participação do pré-candidato ao governo do Estado, Fernando Haddad, e das ex-ministras do Planejamento e do Meio Ambiente, Simone Tebet e Marina Silva. Em discurso, Haddad afirmou que vai trabalhar na escala "7 por 0" - todos os dias da semana - pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Também houve a tradicional mobilização em São Bernardo do Campo (SP), com discursos e shows. À tarde, Haddad participou do ato. "A batalha do ano é fazer o Congresso aprovar antes das eleições a revisão da jornada 6x1. Se não tiver mobilização da classe trabalhadora, isso vai sendo adiado. Precisamos aproveitar o ânimo dos trabalhadores para falar com deputados, deputadas, senadores e senadoras, para que votem a emenda constitucional", disse.

Em São Bernardo, o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que os atos servem para pressionar o Congresso a votar o fim da escala 6x1 ainda este mês.

"É um clamor da sociedade que as pessoas precisam ter mais tempo para a família, para ser um pai melhor, uma mãe melhor. A pressão hoje é para que se vote ainda este mês", disse a canais sindicais.

Nobre também comentou sobre as pautas de regulamentação do trabalho por aplicativos. "Muitos jovens estão fora do sistema de proteção social e do sistema trabalhista. Eles precisam ter direitos assegurados, dignidade. Essa pauta é central para nós", declarou.

O ato dos 'Patriotas do QG'

Sob o lema "Flávio presidente, Bolsonaro livre e Supremo é o povo", o evento de direita prometia reunir apoiadores à candidatura de Flávio Bolsonaro e engrossar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, não conseguiu adesão relevante.

O ato estava marcado para às 11h desta sexta. Até o meio da tarde, eram vistas apenas algumas dezenas de pessoas no ponto de encontro, sem a presença de lideranças políticas importantes.

Ato no Eixão Sul, em Brasília, contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais. Houve confusão com um apoiador de Jair Bolsonaro e a polícia foi acionada
Ato no Eixão Sul, em Brasília, contra a escala 6x1 tem participação de populares e centrais sindicais. Houve confusão com um apoiador de Jair Bolsonaro e a polícia foi acionada
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil / Estadão

Nas redes sociais, o Patriotas do QG compartilhou vídeos produzidos por inteligência artificial para divulgar a manifestação, mas sem sinalizar que se tratavam de montagens. Em um deles, a ex-deputada federal Carla Zambelli, presa na Itália, convoca apoiadores.

"Apesar de estar presa, faço uma convite a todos os brasileiros. No dia 1º de maio, vamos para a rua manifestar 'Flavio presidente', 'Bolsonaro livre' e 'Supremo é o povo'", dizia a montagem.

O Estadão procurou o organizador do evento, Malta Jones, mas ele não retornou os questionamentos sobre as produções de IA. A reportagem também tentou contato via página oficial do grupo no Instagram, mas não obteve retorno.

Durante a mobilização na Paulista, houve um princípio de tumulto. Uma jovem relatou ter sido intimidada após se posicionar contra a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

"Estava em frente à Fiesp quando vi a manifestação (do Patriotas do QG). Como tenho direito de me manifestar da mesma maneira que eles, demonstrei meu posicionamento contra. Disse 'Sem Anistia' e aí os manifestantes vieram pra cima, colocando os braços em mim", disse Érika Borges, assistente de sala em educação infantil, em entrevista ao Estadão. "Um policial disse que eu não poderia estar ali por ser de 'esquerda'. Em nenhum momento houve repressão à atitude dos manifestantes", contou.

Ato em Brasília em defesa do fim da escala 6x1

Em Brasília, um ato convocado por grupos sindicais foi realizado na Asa Sul, um dos bairros mais nobres da capital federal. A manifestação contou com discursos a favor do fim da escala 6x1 e serviu para apresentar pré-candidatos que partidos à esquerda pretendem lançar no Distrito Federal.

Houve um registro de confusão após provocações feitas por um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas foi o episódio foi controlado pela Polícia Militar.

O ato também foi marcado por críticas às derrotas impostas pela oposição ao governo pelo Congresso nesta semana, com a rejeição ao advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à derrubada do veto de Lula ao projeto de lei da dosimetria.

"Este Congresso que se mostrou inimigo do povo não sobreviverá às eleições deste ano", afirmou a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), pré-candidata do partido ao Senado.

Estadão
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